quarta-feira, 28 de julho de 2010

terça-feira, 27 de julho de 2010

...

Tem o certo, tem o errado
E tem todo o resto
(Cazuza)

Amante x Esposa

A 9ª câmara Cível do TJ/RS condenou uma esposa de Caxias do Sul a pagar R$ 12,5 mil de indenização por danos morais e materiais à amante do marido. Os magistrados entenderam que ela agiu de forma ilícita ao invadir o trabalho da amante após descobrir a traição do marido.

Caso
A autora ajuizou ação de indenização por danos morais e materiais contra o amante e sua esposa. Sustentou que, ludibriada por suas investidas e afirmativas de que era solteiro, em 2004 passou a manter relacionamento amoroso com ele. No início de 2005, no entanto, descobriu que era casado, rompendo o relacionamento. No entanto, apesar de exigir que ele se mantivesse afastado, continuou a ser importunada por e-mails e recados enviados pelo réu.
Além disso, afirmou que a esposa do réu esteve em seu local de trabalho, no final de fevereiro de 2005, para lhe agredir física e moralmente, atribuindo-lhe a culpa pelo relacionamento extraconjugal do marido. Sustentou que, na ocasião, foi agredida com três tapas no rosto, insultada e ameaçada. Referiu que, além de ser submetida publicamente à situação vexatória, perdeu o emprego em razão do escândalo.
Na contestação, o casal sustentou que a relação inicial entre as partes foi de amizade, passando a autora a frequentar diversas festividades na presença de ambos os requeridos, vindo a relacionar-se amorosamente com ele. Confirmam a existência da relação extraconjugal, classificando-a de "mero caso passageiro", e mencionaram que os contatos posteriores por parte dele objetivavam apenas a manutenção da relação de amizade entre as partes. Asseguraram que foram eles os maiores prejudicados com a remessa de correspondências eletrônicas por parte da autora ao local de trabalho do ex-amante.
No 1º grau, o juiz de Direito Carlos Frederico Finger, do 2º juizado da 3ª vara Cível de Caxias do Sul, julgou improcedente a ação contra o marido infiel. No entanto, condenou a esposa traída a indenizar a autora da ação em R$ 7,5 mil por danos materiais e em outros R$ 9,3 mil a título de danos morais, valores a serem corrigidos monetariamente.
Inconformados, marido e mulher recorreram da decisão, argumentando que nenhuma testemunha afirmou ter presenciado agressões, que a discussão ocorreu fora do expediente e que a demissão ocorreu por motivos diversos.
No entendimento da relatora, desembargadora Marilene Bonzanini Bernardi, a sentença não merece reparos quanto à responsabilidade civil da esposa. "A ré deve ser responsabilizada pelos atos resultantes de seu descontrole ao descobrir a traição do marido", diz o voto da relatora. "Por mais que estivesse se sentindo ofendida pelas atitudes da demandante, jamais poderia tê-la procurado em seu ambiente laboral, expondo de forma desarrazoada a vida privada da apelada".
Exposição desnecessária da privacidade
Segundo a desembargadora Marilene, o reconhecimento do ato ilícito, do dano moral e do nexo entre eles decorre da violação da intimidade da autora em local público, pelas agressões protagonizadas pela demandada, pela exposição desnecessária da vida privada, tudo a afrontar os valores estabelecidos no artigo 5º da CF/88 (clique aqui). Nesse contexto, os danos materiais arbitrados na sentença foram considerados proporcionais aos prejuízos alegados e, por essa razão, mantidos. Em relação aos danos morais, a magistrada reduziu o valor da indenização para R$ 5 mil, corrigidos monetariamente.
Participaram do julgamento, além da relatora, os desembargadores Iris Helena Medeiros Nogueira e Tasso Caubi Soares Delabary. A decisão já transitou em julgado, não havendo mais possibilidade de interposição de recurso.

*O melhor: "Inconformados, marido e mulher recorreram da decisão"
Jésusssss, mulher faz cada merda pra ter um macho do lado. Dá um pé na bunda dele guria!!!

(Fonte: Migalhas)

Olhares para pensar e sentir.


*para acolher o coração, deixo esta canção!! :)

Sobre sonhos...

"Klubai perguntou para Marco:
- Você, que explora em profundidade e é capaz de interpretar os símbolos, saberia me dizer em direção a qual desses futuros nos levam os ventos propícios?
- Por esses portos eu não saberia traçar a rota nos mapas nem fixar a data da atracação. Às vezes, basta-me uma partícula que se abre no meio da paisagem incongruente, um aflorar de luzes na neblina, o diálogo de dois passantes que se encontram no vaivém, para pensar que partindo dali construirei pedaço por pedaço a cidade perfeita, feita de fragmentos misturados com o resto, de instantes separados por intervalos, de sinais que alguém envia e não sabe quem capta. Se digo que a cidade para a qual tende a minha viagem é descontínua no espaço e no tempo, ora mais rala, ora mais densa, você não deve crer que pode parar de procurá-la. Pode ser que enquanto falamos ela esteja aflorando dispersa dentro dos confins do seu império; é possível encontrá-la, mas da maneira que eu disse." (Cidades Invisíveis)

*poder sonhar, querer sonhar e sonhar. Nós podemos sonhar o que quisermos, nada nos impede. Lembra?

Sobre o tempo...

"Tudo tem o seu tempo determinado...
Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz. (Eclesiastes. 3:1-8)"

**é preciso o tempo para sabermos da realidade que tememos ou sonhamos. Lembra?


"nós temos todo tempo do mundo..."

Sobre escolhas...

"O Grande Khan disse:
- É tudo inútil, se o último porto só pode ser a cidade infernal, que está lá no fundo e que nos sulga num vórtice cada vez mais estreito.
E Polo:
- O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer. A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte desse até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço"
(As cidades invisíveis. Italo Calvino)

***é que a felicidade não entra em portas fechadas, já dizia Caio F. Abreu.

(The Blue House - Marc Chagall)

...


"Me entrego, me arrisco, me corto, me estrepo, azar meu, sorte minha que nasci assim: vim ao mundo pra sentir!"
(F. Mello)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Olhar de desejo

Olhar de coragem



Coragem -  por coeur - coração.
 
"Este livro é como um livro qualquer.
Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada.
Aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente - atravessando inclusive o oposto  daquilo que se vai aproximar.
Aquelas pessoas que, só elas, entenderão bem devagar que este livro nada tira de ninguém.
A mim, por exemplo, o personagem G. H. foi dando pouco a pouco um alegria difícil; mas chama-se alegria"
(prefácio do livro A paixão segundo G. H, de Lispector)
 
 
*o futuro não nos pertence, mas o presente sim.

Felicidade realista


"A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade".
(Felicidade Realista, por Quintana)

*o menos, para eu possa ver o essencial...

Para minha querida avó.



Hoje é dia da vovó!!
Obrigada por todo amor que sempre ganhei de ti.

"Netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É, como dizem os ingleses, um ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade. E não se trata de um filho apenas suposto, como o filho adotado: o neto é realmente o sangue do seu sangue, filho de filho, mais filho que o filho mesmo...

Cinquenta anos, cinquenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem as suas alegrias, as suas compensações — todos dizem isto embora você pessoalmente, ainda não as tenha descoberto — mas acredita.

Todavia, também obscuramente, também sentida nos seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade. Não de amores nem de paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essas efervescências. A saudade é de alguma coisa que você tinha e lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança no seu pescoço. Choro de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meus Deus, para onde foram as suas crianças? Naqueles adultos que hoje são seus filhos, que têm sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento a prestações, você não encontra de modo nenhum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres - não são mais aquelas crianças que você recorda.
E então um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino. Completamente grátis — aquela criancinha da sua raça, da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um menino que lhe é "devolvido". E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário causaria escândalo e decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.

Sim, tenho certeza que a vida nos dá os netos para nos compensar de todas as mutilações trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixado pelos arroubos juvenis. Aliás, desconfio muito de que os netos são melhores que namorados, pois que as violências da mocidade produzem mais lágrimas do que enlevos.

No entanto — no entanto! — nem tudo são flores no caminho da avó. Há, acima de tudo, a rival: a mãe. Não importa que ela seja sua filha. Não deixa por isso de ser mãe do seu neto. Não importa que ela ensine o menino a lhe dar beijos e a lhe chamar de "vovozinha", e lhe conte que de noite, às vezes, ele de repente acorda e pergunta por você. São lisonjas, nada mais.

Rigorosamente, nas suas posições respectivas, a mãe e a avó representam, em relação ao neto, papéis muito semelhantes ao da esposa e da amante dos triângulos conjugais.

A mãe tem todas as vantagens da domesticidade e da presença constante. Dorme com ele, dá-lhe de comer, dá-lhe banho, veste-o. Embala-o de noite. Contra si tem a fadiga da rotina, a obrigação de educar e o ônus de castigar.

Já a avô, não tem direitos legais, mas oferece a sedução do romance e do imprevisto.
Mora em outra casa. Traz presentes. Faz coisas não programadas. Leva a passear, "não ralha nunca". Deixa lambuzar de pirulitos. Não tem a menor pretensão pedagógica. É a confidente das horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia.

Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há linha divisória entre o proibido e o permitido. Dormir sem lavar as mãos, recusar a sopa e comer croquetes, tomar café — café! — mexer no armário da louça, fazer trem com as cadeiras da sala, destruir revistas, derramar a água do gato, acender e apagar a luz elétrica mil vezes se quiser e até fingir que está discando o telefone.

Riscar a parece com o lápis dizendo que foi sem querer — e ser acreditado! Fazer má-criação aos gritos e, em vez de apanhar, ir para os braços da avó e de lá escutar os debates sobre os perigos e os erros da educação moderna.

Sabe-se que, no reino dos céus, o cristão desfruta os mais requintados prazeres da alma. Porém esses prazeres não estarão muito acima da alegria de sair de mãos dadas com o seu neto, numa manhã de sol. E olhe que aqui embaixo você ainda tem o direito de sentir orgulho, que aos bem-aventurados será defeso. Meu Deus, o olhar das outras avós, com os seus filhotes magricelas ou obesos, a morrerem de inveja do seu maravilhoso neto.

E quando você vai embalar o menino e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz: "Vó!", seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

E o misterioso entendimento que há entre avó e neto, na hora em que a mãe o castiga, e ele olha para você, sabendo que, se você não ousa intervir abertamente, pelo menos lhe dá sua incondicional cumplicidade e apoio... Além é claro das compensações....

Até as coisas negativas se viram em alegrias quando se intrometem entre avó e neto: o bibelô de estimação que se quebrou porque o menininho — involuntariamente! — bateu com a bola nele. Está quebrado e remendado, mas enriquecido com preciosas recordações: os cacos na mãozinha, os olhos arregalados, o beiço pronto para o choro; e depois, o sorriso malandro e aliviado porque "ninguém" se zangou, o culpado foi a bola mesma, não foi, Vó?

Era um simples boneco que custou caro. Hoje é relíquia: não tem dinheiro que pague.
(Raquel de Queiroz)

Olhar do coração.


*vai passar...
Ela têm o dom de compor milagres.

Camaleoa...

Livro - Shecaira.



Dia 18 de agosto (quarta-feira), das 19 às 22 horas, na Livraria da Vila (Al. Lorena 1731, bairro Jardins, São Paulo/SP), Sérgio Salomão Shecaira lançará a obra Estudos de Direito Penal - vol. II, da Gen-Ed. Forense.

Jardins

Mera ostentação burguesa a desses jardins com vista para a rua, quando todo jardim devia ser interno (nos dois sentidos) _ um jardim fechado, com uma fonte ao centro e alguém sentado nele, talvez lendo estas linhas...
(Quintana)

domingo, 25 de julho de 2010

Olhar de Michele.

Ganhei esse OLHAR da Michele.
Obrigada querida.
Realmente, esse eu não tinha...

Coloradooo, sempre!


Inter 1 x Flamengo 0

Seminário Brasil/Canadá.


Porto Alegre e Caxias do Sul realizam no mês de agosto, o Seminário Internacional Brasil/ Canadá. O evento tem como tema “Justiça Restaurativa, Inovação e Desenvolvimento Social” e traz como convidados para debater esta questão, as Profªs Drª Brenda Morrison, Drª Elizabeth Elliot e Prof° Dr. João Salm, membros do Centro de Justiça Restaurativa da Escola de Criminologia da Universidade Simon Fraser - Burnaby, British Columbia, Canadá.

O Seminário será realizado primeiramente em Porto Alegre, no dia 04 de agosto, no auditório do Ministério Público - Av. Aureliano de Figueiredo Pinto, n° 80 - 3º andar - Bairro Praia de Belas. Já Caxias do Sul receberá o evento no dia 05 de agosto no auditório do Bloco J da UCS – Universidade de Caxias do Sul - Rua Francisco Getúlio Vargas, nº 1130. Confira abaixo a programação completa do evento.

Programação (comum para ambas localidades).

MANHÃ

8h30 – Recepção
9h – “Justiça Restaurativa e Capital Social: por que a justiça restaurativa é positiva para sociedades democráticas”, com Elizabeth Elliot
9h45 – Diálogos
10h15 – Intervalo
10h30 – “A Justiça Restaurativa e as organizações”, com João Salm
11h15 – Diálogos
12h00 – Encerramento (manhã)
TARDE
14h – “Segurança sem cuidado: Justiça Restaurativa e presos. Experiências nas prisões e Justiça Indígena”, com Elizabeth Elliot
14h45 – Diálogos
15h15 – Intervalo
15h30 – “Justiça Restaurativa e Escolas”, com Brenda Morrison
16h15 – Diálogos
17h – “Anomia, Justiça e Desenho Institucional: Justiça Restaurativa como uma alavanca da comunidade no Brasil”, com Brenda Morrison
17h45 – Diálogos
18h30 – Encerramento.

Sobre os convidados:
Brenda Morrison é co-diretora do Centre for Restorative Justice e Professora Assistente da Faculdade de Criminologia da Simon Fraser University em British Columbia, Canadá. Ela vem do campo da Psicologia Social com experiência em educação ao ar livre, administração governamental e justiça restaurativa. Atua com foco em comunidades escolares e instituições que dão apoio a tais comunidades. Seu magistério e pesquisa se concentram em justice transformadora e restaurativa, violência e segurança escolar, gerenciamento da vergonha e identidade social, o ser e o interesse próprio. Ministra os seguintes cursos: CRIM 315 (Introdução à Justiça Restaurativa); CRIM 442 (Práxis da Justiça Restaurativa); CRIM 417 (Escolas e Comunidades Seguras: Pedagogia e Prática da Justiça Restaurativa). É co-diretora do Safe Schools and Communities Special Interest Group da American Education Research Association e membro do Comitê Científico do International Observatory of Violence in Schools, conduziu inúmeros painéis sobre justice restaurativa nas escolas para o World Congress of Criminology e várias Associações. Mantém parceria em pesquisa com a PREVNet (Promoting Relationships Eliminating Violence Network), no escopo das redes canadenses para Centros de Excelência. Brenda é membro do grupo de trabalho para Responsabilidade Social e Aprendizado Colaborativo no Ensino e membro ativo do conselho da North Shore Restorative Justice Society.

Elizabeth (Liz) Elliott, M.S.W., Ph.D é Professora Adjunta e Co-diretora do Centre for Restorative Justice da Faculdade de Criminologia da Simon Fraser University em British Columbia, Canadá. Trabalha em estabelecimentos prisionais e com justiça restaurativa desde 1981, primeiramente como agente social vinculada à comunidade e depois como palestrante para o sistema educacional prisional nas Penitenciárias Federais, e hoje como professora universitária. Elliott ministra cursos e escreve sobre justiça restaurativa, prisões e criminologia. É co-editora da obra New Directions in Restorative Justice (Willan, 2005), e autora de inúmeros artigos e capítulos sobre o tema. É fundadora e editora do Journal of Prisoners on Prisons (University of Ottawa Press), faz parte do conselho editorial do Contemporary Justice Review (Routledge, Taylor & Francis Group). Faz parte dos conselhos das organizações: Canadian prisoner aid organization, the John Howard Society of the Fraser Valley (B.C.) e West Coast Prison Justice Society.

João Salm é natural de Florianópolis e gerencia, na cidade de Vancouver, projeto intercultural que foca a justiça social e a cidadania. Este projeto promove a capacitação de imigrantes com a participação canadenses. Nele se exerce o diálogo sobre questões de raça, diversidade e resolução de conflito, além da realização de atividades comunitárias. Salm, também, tem sido co-facilitador em cursos de graduação na Universidade Simon Fraser, supervisionado pelas professoras Brenda Morrison e Liz Elliot. Ele assume como professor, no Departamento de Continuing Studies da SFU, a Disciplina de Justiça Restaurativa, em Janeiro próximo. O Prof. João Salm participa de eventos científicos e publica nas áreas de justiça restaurativa e administração pública. Ele foi membro do Comitê Internacional de Desenvolvimento da Association for Conflict Resolution (2007-2009). Salm é o segundo participante do programa Inter-Americano de Educação para Valores e Práticas Democráticas – The Young Scholar Program do Departamento de Educação e Cultura da Organização dos Estados Americanos - OEA - em Washington DC.

O Seminário Internacional Brasil/ Canadá “Justiça Restaurativa, Inovação e Desenvolvimento Social” é uma iniciativa da Escola Superior da Magistratura, Programa Justiça para o Século 21, Prefeitura Municipal de Caxias do Sul e Faculdade de Direito da UCS.

Para aprofundar as informações acesse:
http://200.169.22.139/justica21orgbr/interno.php?ativo=NOTICIAS&sub_ativo=842

Inscrições para Porto Alegre: E-mail secretaria@justica21.org.br – Fone: (51) 3433.6965.

Inscrições para Caxias do Sul: através do site www.ucs.br, na Galeria Universitária pelos telefones (54) 33218.2430 e (54) 3218.2595 e na Secretaria Municipal de Segurança Pública pelo telefone (54) 3218.6000 ramal 6341.

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas antecipadamente.

Meu novo caminhar: mediação.


VI CONGRESO MUNDIAL DE MEDIACIÓN : UNA VÍA HACIA LA CULTURA DE LA PAZ

Site oficial: http://www.congresodemediacion.com/mundial/

sábado, 24 de julho de 2010

Meu olhar para hoje, amanhã e muitos outros dias.

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
(O. Montenegro)

Meu pior defeito.


Tenho amor incondicional pelas pessoas que entram em minha vida e sinceramente, não sei o quanto isso é bom nos dias atuais. Talvez esse seja meu pior defeito.
(Cazuza )

...


Te perdoo,
Por te trair.
(C. Buarque)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Olhar para nossas decisões.


"Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo.

Aquilo que colarmos nela, corre por nossa conta"

(Chico Xavier)

Meu Quintaninha, sempre.


E não é que hoje, justo hoje, Quintaninha veio me visitar em sonho!
Ah, poetinha só tu poderia me carregar no colo hoje...
Quanta gentileza meu poeta!

"Amabilidade é quando a gente convive toda a existência com alguém e jamais lhe dá a entender que ele perdeu há anos uma perna ou perdeu um dia a cabeça".
( da amável indiferença, por Quintana)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Olhares - Cecília e Quintana.


"Cantiga"


Quando passarem os dias,
e não mais se avistar
nosso rosto, e o sereno
modo nosso de olhar,


e a nossa evaporada
voz não viver mais no ar,
e as sombras esquecerem
a que era a do nosso olhar,


vai ser doce pensar-se
- em que secreto lugar? -
nos sonhos que inventávamos,
ternos e devagar,


no perfil que tivemos,
tão fino e singular,
e no louro e nas rosas
que o poderiam coroar,


e nos vergéis que sentíamos,
quando íamos a par,
ouvindo o amor que nunca
chegou a sussurrar...

(poema que Cecília Meireles fez para Quintana)

Meu olhar.


No fim tu hás de ver
que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...
(Quintana)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Meu olhar


"Las chicas buenas van al cielo, las malas van adonde quieren"

Yo soy una chica mala !!!

Olhar o caminho.


CANÇÃO DE MIM MESMO

EU CELEBRO a mim mesmo,
E o que eu assumo você vai assumir,
Pois cada átomo que pertence a mim pertence a
você.

Vadio e convido minha alma,
Me deito e vadio à vontade .... observando uma
lâmina de grama do verão.

Casas e quartos se enchem de perfumes .... as
estantes estão entulhadas de perfumes,
Respiro o aroma eu mesmo, e gosto e o
reconheço,
Sua destilação poderia me intoxicar também,
mas não deixo.

A atmosfera não é nenhum perfume .... não tem
gosto de destilação .... é inodoro,
É pra minha boca apenas e pra sempre .... estou
apaixonado por ela,
Vou até a margem junto à mata sem disfarces e
pelado,
Louco pra que ela faça contato comigo.

A fumaça de minha própria respiração,
Ecos, ondulações, zunzuns e sussurros .... raiz
de amaranto, fio de seda, forquilha e videira,
Minha respiração minha inspiração .... a batida
do meu coração .... passagem de sangue e
ar por meus pulmões,
O aroma das folhas verdes e das folhas secas,
da praia e das rochas marinhas de cores
escuras, e do feno na tulha,
O som da palavras bafejadas por minha voz ....
palavras disparadas nos redemoinhos do
vento,
Uns beijos de leve .... alguns agarros .... o
afago dos braços,
Jogo de luz e sombra nas árvores enquanto
oscilam seus galhos sutis,
Delícia de estar só ou no agito das ruas, ou pelos
campos e encostas de colina,
Sensação de bem-estar .... apito do meio-dia
.... a canção de mim mesmo se erguendo
da cama e cruzando com o sol.

Uma criança disse, O que é a relva? trazendo um
tufo em suas mãos;
O que dizer a ela ?.... sei tanto quanto ela o que
é a relva.

Vai ver é a bandeira do meu estado de espírito,
tecida de uma substância de esperança verde.
Vai ver é o lenço do Senhor,
Um presente perfumado e o lembrete derrubado
por querer,
Com o nome do dono bordado num canto, pra que possamos ver e examinar, e dizer
É seu ?

E sou o poeta da alma.

Os prazeres do céu estão comigo, os pesares do
inferno estão comigo,
Aqueles, enxerto e faço crescer em mim mesmo
.... estes, traduzo numa nova língua.

Sou o poeta da mulher tanto quanto do homem,
E digo que é tão bom ser mulher quanto ser
homem,
E digo que não há nada maior que a mãe dos
homens.

Vadio uma jornada perpétua,
Meus sinais são uma capa de chuva e sapatos
confortáveis e um cajado arrancado
do mato ;
Nenhum amigo fica confortável em minha
cadeira,
Não tenho cátedra, igreja, nem filosofia;
Não conduzo ninguém à mesa de jantar ou à
biblioteca ou à bolsa de valores,
Mas conduzo a uma colina cada homem e mulher
entre vocês,
Minha mão esquerda enlaça sua cintura,
Minha mão direita aponta paisagens de
continentes, e a estrada pública.

Nem eu nem ninguém vai percorrer essa estrada
pra você,
Você tem que percorrê-la sozinho.

Não é tão longe assim .... está ao seu alcance,
Talvez você tenha andado nela a vida toda e não
sabia,
Talvez a estrada esteja em toda parte sobre a
água e sobre a terra.

Pegue sua bagagem, eu pego a minha, vamos em
frente;
Toparemos com cidades maravilhosas e nações
livres no caminho.

Se você se cansar, entrega os fardos, descansa a
mão macia em meu quadril,
E quando for a hora você fará o mesmo por mim;
Pois depois de partir não vamos mais parar.

(Trechos de Folhas de Relva - Walt Whiltman. Tradução de Rodrigo Garcia Lopes)

terça-feira, 20 de julho de 2010

Olhar para lobinho.


Olhar para todos os meus queridos amigos!


Tenho amigos tão bonitos.
Ninguém suspeita, mas sou uma pessoa muito rica!
(Quintana)

Obrigada por existirem na minha vida.
Feliz dia do amigo!

Olhar para hoje.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Hahaha...


Costumo brincar que namoro que demora mais de dois anos vira amizade. Sou casamenteiro. Não podemos facilitar. Da próxima vez, casa para depois namorar. Planejar é adiar o amor, é procurar uma desculpa para não se entregar agora.
(Carpinejar)

Olhar selvagem.

No primeiro contato com os selvagens, que medo nos dá de infringir os rituais, de violar um tabu! É todo um meticuloso cerimonial, cuja infração eles não nos perdoam.
Eu estava falando de selvagens? Mas os civilizados é o mesmo. Ou pior até.
Quando você estiver metido entre grã-finos, é preciso ter muito, muito cuidado: eles são tão primitivos...
(Quintana)

Olhar do coração II.

Quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre o teu rosto.
(C. F. Abreu)

Olhar do coração.

Recordar: do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração. (Galeano)

*Ando recordando tanto...

domingo, 18 de julho de 2010

...


Todo sobre mi madre
(*por Adriano Silva)

Admiro minha mãe por se respeitar, por se assumir, por ser cada vez mais parecida com a pessoa que ela sempre desejou ser.
Eu admiro minha mãe por vários motivos. E tenho um orgulho crescente dela por várias razões. Nada disso, no entanto, tem a ver com as motivações que geralmente levam um filho a gostar de sua mãe.

Minha mãe, por exemplo, não cozinha bem. Lembro com carinho de um feijão que ela fazia, e que eu comia com colher de sopa numa cumbuca, bem como de uma torta nega maluca bem gostosa. Trata-se de relíquias arqueológicas do meu paladar – coisas que simplesmente não existem mais. Melhor assim. Acho que esses quitutes bissextos conservam melhor gosto se guardados para sempre no baú das minhas mais caras recordações gustativas. O fato é que minha mãe não gosta de cozinhar. A ponto de ter abolido o fogão e a geladeira em sua casa – usa um fogareiro de duas bocas, onde esquenta leite (ela adora café com leite) e um frigobar, permanentemente vazio (ou semihabitado por pés de alface e litros de leite longa vida). Ela não gosta de comer – e esse é um prazer fundamental para mim, uma alegria de viver que não compartilhamos. A relação que ela tem com comida, salvo raríssimas exceções (quibebe, quem diria, uma delas), é racional: ela se alimenta para fins de sobrevivência e ponto. Se pudesse se manter com uma pílula diária, provavelmente o faria.

Minha mãe e eu também não desfrutamos da mesma visão do que é um lar, do que deveria ser uma casa. A relação dela com o lugar onde mora é meramente funcional: a residência tem que ser a menor possível, para custar o mínimo e oferecer manutenção fácil, e deve ter apenas o espaço necessário para abarcar seus livros, e seus recortes de jornais e revistas, e todas as anotações que lhe escapam das páginas das publicações e cobrem seus papéis avulsos com manuscritos cheios de pontos de exclamação. Recentemente repassei a ela um notebook antigo, que ela vem utilizando como máquina de escrever. Seus pergaminhos, portanto, começaram a ser digitalizados. E ela está gostando de poder mexer nos textos sem ter que riscar, escrever por cima e puxar mil setas quando o espaço para refações realmente acaba. Mas a verdade é que ela adora papel, tem repulsa pelo mundo da tecnologia, da internet, dos bits. Ela gosta de ter uma relação intestina (termo dela), orgânica, visceral, física com a sua produção. Não gosta de máquinas nem de inteligências artificiais. Tudo o que é virtual não lhe apraz. É curioso ver uma integrante tão aguerrida de uma geração tão revolucionária finalmente cerrando fileiras do lado da reação, finalmente abandonando a vanguarda e indo defender os jeitos antigos de fazer as coisas. Em meados do século 21, minha mãe está mais ludita do que nunca.
Falando nisso, ela e eu também não dividimos mais a mesma barricada política há anos. Já passeamos juntos por plenárias, caminhadas, comícios, atos públicos. Aí um dia eu fui morar fora do Brasil e não demorou muito para eu começar a ver tudo diferente e me tornar um cara que acredita no modelo liberal anglo-saxão: Estado pequeno, governo como árbitro e não como jogador, sistema judicial ágil e imparcial para resolver os conflitos (o que significa, provavelmente, legislar mais a posteriori do que a priori, mais pela jurisdição e menos pela letra fria que é a tradição do direito romano que nos formou). Além de livre mercado baseado na competição e na meritocracia, menos impostos e mais liberdades (e responsabilidades) individuais etc. Minha mãe continua sonhando o sonho esquerdista da sua geração. Para ela, a exploração do trabalho pelo capital é indesculpável – o risco do empreendimento, a coragem sublime de tomar a iniciativa privada, que move o mundo e que pouca gente topa encarar, para ela não justifica de modo alguns os lucros do empreendedor sobre o trabalho de seus funcionários.

Para a minha mãe, os Estados Unidos são a nação mais desprezível da Terra e Cuba é um modelo formidável de organização econômica e política de uma sociedade – ela admira (com razão) os sistemas de saúde e educação universais e gratuitos de Cuba, simpatiza com o sistema de eleições sem candidatos de lá (curioso que não tenha a mesma simpatia pelos candidatos biônicos que havia no Brasil na época em que ela – com boa dose de razão – quase pegou em armas por aqui) e acha que tudo o que ocorre de ruim em Cuba advém de Washington e Miami. Minha mãe é quase uma anarquista, uma simpatizante ativa da desobediência civil, em sua conduta com cidadã aqui no Brasil. Ela adora a coisa gauche de Michael Moore. No entanto, não se opõe a coisas como a proibição de ir e vir em Cuba, as regulações estatais à vida dos cidadãos, a censura, a perseguição aos dissidentes e a práticas poucos sofisiticadas de debate como, por exemplo, o Paredão. É um pouco como se a luta anticapitalismo e a utopia comunista fossem valores mais fortes do que os direitos humanos e civis. Como se os fins (uma quimera ideológica acalentada de boa fé) justificassem os meios mais torpes. Como se, enfim, os pecados da direita virassem práticas plenamente justificáveis quando utilizadas pela esquerda.

Minha mãe morre de medo dos transgênicos (com alguma razão) e não acha ruim quando um Bové da vida destroi alguma plantação de soja de laboratório por aí. Ela também não se opõe a figuras como Hugo Chávez, Evo Morales e Ahmadinejad. (Mãe: o Irã vai matar a pedradas uma viúva que namorou outro homem depois da morte do marido. Por achar que isso é justíssimo e que conta com a bênção de Alá. O que esses caras vão fazer quando puderem atirar ogivas nucleares, ao invés de pedregulhos, sobre quem consideram, na sua visão medieval, talvez obnubilada pelo excesso de pêlo facial, ser as prostitutas do mundo? Chamo à lide o seu feminismo histórico, heroico, de primeira geração e de refinada cepa contra esse seu esquerdismo – ou mero antiamericanismo – empedernido, mãe!)

Bem, eu disse que tínhamos nos distanciado politicamente…

Mas disse também que admiro minha mãe. E é verdade. A admiro muito.

Admiro minha mãe por sua independência, por sua coragem de ser ela mesma – desde muito cedo na vida até hoje. Ela saiu de casa aos 17 para nunca mais voltar. Sem nada no bolso ou nas mãos. Rompendo com sua família, com seus amigos, com sua cidade, com seu passado, com muito do que ela era até ali. Decidiu não casar com um fazendeiro quando era tudo que uma menina como ela poderia querer. Foi lanterninha de cinema, morou em quarto de pensão, viveu a situação de só poder comer uma vez ao dia. Engravidou aos 19 e considerou interromper a gestação, quando isso era um tabu ainda maior do que é hoje. O que teria sido algo plenamente compreensível, dadas as circunstâncias. O que teria tornado a sua vida muito mais simples, escorreita, menos sofrida. (Claro que agradeço muito o fato de ela não ter tomado essa decisão! Assim como agradeço muitíssimo a quem a influenciou a resolver a questão de um modo que me permitiu existir…) Ela se divorciou aos 27, quando esse era outro tabu enorme no país. Minha mãe, a seu modo, foi Leila Diniz. E raspou o cabelo, usou black power, aboliu o sutiã (recentemente aboliu as calcinhas – está usando cuecas de algodão por serem mais confortáveis), desafiou os homens, os poderes instituídos por onde andou, as convenções. E leu Shere Hite, Coojornal, Pasquim, Liv Ullmann, Marina Colasanti, Marisa Raja Gabaglia, Fernando Gabeira, Alex Polari, Ferreira Gullar e mais um monte de gente. Ouviu muito Vandré e Mercedes Sosa. Mais tarde, suas paixões atuais chegaram e dominaram a cena em definitivo: Foucault, Deleuze, Guattari, Artaud, Spinoza. Minha mãe trocou de carreira com quase 40 e se se formou já quarentona, com um camisão multicor, quebrando o protocolo da circunspecta Reitoria, quando todo mundo no palco usava toga – e foi aplaudidíssima pela turma e por toda a plateia ao encerrar dizendo: “Peço desculpas a todos vocês por todas as vezes em que não fui suficientemente radical”. Eita frase boa. Eu estava lá, orgulhoso.

Admiro minha mãe por conviver tão bem com as suas excentricidades – quase todas elas citadas acima, menos a última: abolir a toalha de banho para se secar em toalha de rosto. Admiro minha mãe por assumir suas estranhezas, suas esquisitices, suas etezices. Por se respeitar cada vez mais. E por dar cada vez mais risada – inclusive de si mesma e de suas idiossincrasias divertidas. Por viver cada vez mais do seu jeito. Por ser cada vez mais parecida com quem ela de fato deseja ser. E, como consequência, por viver cada vez mais feliz, tranquila, realizada. É uma vencedora, no plano individual, em meio a uma geração que perdeu a queda de braço no plano coletivo. Deveria ter aprendido mais sobre isso com ela – da importância de respeitar o próprio estilo, de defender seus princípios e convicções, de se dar o tempo devido. Uma das radicalidades mais bacanas dela está na arte de montar a sua vida do jeito que melhor lhe apraz – e não abrir mão disso por (quase) nada.

Admiro minha mãe, por fim, pela avó que ela se tornou. Amorosa, paciente, atenciosa, disponível, generosa como talvez nunca tenha sido antes. Há sorrisos que brotaram em seu rosto com os netos. E uma maciez maior no toque que tem a idade dos meus filhos. Ela está sendo mãe agora, em certo sentido. E eu gosto de assistir sua maternidade acontecendo de modo mais pleno com meus pequenos. Funciona um pouco como um resgate, para mim. Ademais, quem faz bem aos nossos filhos faz bem à gente, não é assim? Mesmo que seja – por que não? - a nossa própria mãe.

(*retirado do blog Manual do Executivo Ingênuo.

Coloradoooooooooo!

Inter 2 x Ceará 1

Olhar...

na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.

Via você no ontem , no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.

Que saudade...
(Quintana)

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Olhar para meu guri, Mauricio.

Mauricio escolheu como tema de aniversário os "Dinossauros".
As provinhas, para as lembrancinhas, vieram repletas de dinossauros selvagens e Mauricio ficou inconformado:
"Muito violento mãe. Eu quero é minha foto e com dinossauros bonzinhos!"

"Olha aí!
Ai o meu guri, olha aí!
Olha aí,
É o meu guri!"

"Como eu nunca lutei para deixar-te nada além do amanhã indispensável: um quintal de terra verde onde corra, quem sabe, um córrego pensativo; e nessa terra, um teto simples onde possas ocultar a terrível herança que te deixou teu pai (tua mãe) apaixonado(a) - a insensatez de um coração constantemente apaixonado."
(V. de Moraes)


Mauricio foi um filho mais que planejado, foi DESEJADO - assim, com essas letras garrafais mesmo.
Quando soube que o carregava no ventre, virei fêmea, me senti poderosa e vivenciei cada segundo da minha maternidade.
Cada cheirinho, cada choro, cada descoberta.
Ele é o homenzinho da casa, coisinha linda, guti-guti da mamãe.
As meninas precisam estudar, morar fora, mas o Mauricio não.
Para o Mauricio tudo é permitido...
Fui mãe muito cedo e minha maternidade com o Mauricio é outra. Não tenho pressa, exigências...
Se ele quer brincar, comer algo diferente, mamar na mamadeira até hoje, pode, pode sim, querido. Ele tem o todo tempo do mundo e por que exigir dele?
E não pense você que ele é mimado, chato ou sei lá o quê. Por onde ele passa fica o seu encanto.
Sofre por ser bonzinho demais. Não se conforma com quem não pede desculpas e como ele mesmo diz:"Tem que falar desculpa e também falar que foi SEM querer. Porque se for POR querer não vale".
É isso, meu gurizinho, magoar o outro só se for sem querer!
Se algo sai errado, lá vem Mauricio: "Não faz problema, mãe!"
Hoje, o quando o Woody, do Toy Story, seu brinquedo preferido, quebrou o chapéu, ele me disse: "Mãe, mesmo ele quebrado, com defeito, ele continua sendo meu amorzinho!! "
Assim é o meu pequeno homenzinho. Homenzinho que me ensina a amar sem medida, a prestar mais atenção em tudo, reclama quando não o ouço de verdade, se fico brava com ele ou com suas irmãs, ele trata rapidamente de me lembrar da doçura que não posso perder.
É lindo, loirinho, de olhos que mudam de cor, como ele mesmo diz, sabe pintar, cantar (a do tomatinho vermelho é minha preferida!), dançar, sabe os números, é encantador, fala o "ira" mais lindo mundo (é o "iria" dele!), fala coisas de gente grande, ama um ataque de beijos e muita, muita massagem nos pés. Tem os olhinhos mais lindos do mundo!
É meu "pimpi", é meu "pesseguinho" (é asim que o chamo), tem sempre uma florzinha, um desenhinho, um beijinho. Sou sempre a princesa, a heroína mais forte, a power ranger cor de rosa, sou eu quem prepara a melhor mamadeira do mundo, quem canta e dança como ninguém, sou quem tem os melhores beijos e o melhor colinho.
Sempre sonhei em ter um menino, coisa de mulher, mas hoje, ao vê-lo, é quase surreal.
Hoje, o dia em que ganhei Mauricio em minha vida, é um dia de festa para todos.
Aqui em casa, uma família enorme, os aniversários começam em abril e vão até outubro, sem pular um só mês. A cada aniversário um sofrimento:"Por que nasci depois, mãe?"
O mesmo com as irmãs: "Por que tantas meninas? Eu quero um irmão!"
Ok, depois que expliquei que o tal irmão precisará do colo da mamãe, ele resolveu mudar de ideia. Não quer mais o irmão, quer continuar sendo o bebê da mamãe, para meu deleite!
Mas Mauricio, no auge dos seus 4 anos, me ensina que um dia ele vai deixar de ser meu pessseguinho. Sim, eu já havia pensado que os 40 anos de Mauricio seria uma idade ideal para ele começar a pensar na outra. Aquela..., aquela que levará o pesseguinho para a terra das perdições. Eu sei, eu sei que não existirá mulher apropriada para dividir uma vida com o tesouro da mamãe, mas, em terra de perdição, não há como concorrer. E, assim, vou transformar "aquela"na minha nora preferida - o que a gente não faz por um filho? Ela pensa e eu faço. Não sou boba, nem nada. Que os genros me agradem e eu agrade a nora! Esse é o lema.
Mauricio, namora sério há mais de dois anos, planeja uma casa, escolheu o nome das suas crianças (Gabriela e Enzo) e para minha alegria planejou meu quarto (bem ao lado do dele, eba!!). Generoso e sábio que é, aumentou a casa porque a tal namorada arrumou outro namorado. Melhor dividir o que é bom!! O menino sabe tudo!
Assim, recebo os desenhos, os beijinhos, as cenas de ciúmes, danço, canto, amasso muito, dou massagem, sou power ranger, o Bala no Alvo (o cavalo do Woody!!), preparo a mamadeira mais gostosa do mundo e faço tudo por ele. Aprendi com minhas meninas que tudo passa tão rápido.
Loguinho estarei a cuidar da Gabriela e do Enzo, meus netos.

Feliz Aniversário meu amor!

Minha Marília Gabriela.

Victória, minha filha, em momento Marília Gabriela. hahaha





O segredo dos seus olhos.


“Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!”
(Quintana)


Ontem, fui ver o filme O segredo dos seus olhos.
Perdi um pouco o encantamento do filme porque já conhecia todas suas passagens.
Li diversos artigos sobre o filme, conversei com quem havia visto o filme e, assim, já sabia o que me esperava.
No entanto, o que ficou pra mim, não li em nenhum artigo.
Benjamim, nas palavras de Irene, “é lerdo” e nas minhas é covarde.
Dias atrás li, em um livro de Jung, a diferença do tempo para se envolver, do homem para a mulher.
Pense em relacionamentos e poderá constatar que, em sua maioria, são as mulheres que o embalam na fragilidade do início de qualquer relação. Sim, todo início é frágil, há o medo, o temor, mas isso existe para ambos os lados. E, sempre, há uma mulher mostrando, delicadamente, "a possibilidade" maior que o temor.
Benjamim demorou 25 anos para ter a coragem necessária e colocar a letra “A” em seu TEMO(R).
Uma simples letra, um simples passo para preencher uma “vida vazia”.
Quantos de nós, em nome desse temor, de dores que nada têm a ver com esse presente, com essa pessoa que se apresenta ao nossos olhos, fogem sem saber que ali estava o AMOR.
Termino com a última fala de Benjamim e Irene, mas na esperança de que possa ser empregada hoje e não depois de 25 anos:

“- Vai ser complicado, diz Irene.
- Não me importo, diz Benjamim”.

Remar...


Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou (...). Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia (...). Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena. Remar. Re-amar. Amar.
(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Olhar para meus prazos.


"Sou metódico no horário de trabalho. Tenho uma certa tendência a me evadir, mas sempre faço um esforço por manter-me na terra - como um balão cativo."
(Quintana)

A volta do gigante!


Dá-lhe Colorado!!! Inter 3 X Guarani 0

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Intuir.


INTUIÇÃO, que vem do latim Intueri e significa considerar, ver anteriormente.

Só nos tornamos efetivamente humanos na medida em que conseguimos combinar nossos pensamentos – e aí, vale incluir o que pensamos sobre os outros e o mundo ao nosso redor – com outras formas de conhecimento de que dispomos, como nossos sentimentos, nossas sensações e nossas intuições para percebermos o mundo que nos rodeia.

Às vezes, mesmo quando a razão tenta nos demover de uma ideia que parece logicamente infundada, nós vamos lá, damos a cara a bater. Teimamos e, vez por outra, ainda provamos que nossa própria razão estava redondamente enganada. Afinal, nossa consciência de mundo não dá conta de ser tão racional assim – ou de buscar racionalidade em tudo. Por isso, somos capazes de perceber muitas coisas sem que elas passem pelo crivo da razão. Os sentimentos estão aí para comprovar. Quem nunca se apaixonou a ponto de perder as estribeiras da lógica?

Está na hora de reavaliarmos nossa forma de tomarmos consciência sobre as coisas: os pressentimentos podem nos levar a tomar decisões melhores que as deliberações racionais. Para compreender, não basta pensar. É preciso sentir e, principalmente, intuir.


A intuição é uma aptidão que todos nós temos, mas que precisa ser desenvolvida – assim como a própria capacidade de pensar. É aquela percepção ou decisão que aparentemente não tem uma explicação lógica e que até contraria o senso comum, mas que no fim das contas faz todo o sentido. Ela funciona como um guia interno, que se manifesta através de um conhecimento“Por isso a intuição aparece através de sensações inexplicáveis, insights, sonhos, ou de uma voz interna que parece dizer ‘sim, isso está certo’ ou ‘isso não vai funcionar’”, diz a psiquiatra americana Judith Orloff, autora do livro Second Sight (“Outro olhar”). É difícil explicar a intuição porque ela é como um lampejo, uma resposta imediata que nossos neurônios constroem diante uma situação. “Um pressentimento sempre nos inquieta porque não sabemos de onde ele surgiu, ele não vem a partir de um raciocínio consciente, mas de um lugar desconhecido da nossa mente”, escreve Judith.

A lógica e os modos conscientes de pensamento monopolizaram nossa forma de compreender o mundo. Mas, no entanto, a lógica é apenas umas das muitas ferramentas úteis de que a mente pode se valer. “Até porque há informações e percepções que vão direto para o inconsciente, sem passar pelo filtro do nosso consciente”, diz o filósofo Ari Rehfeld.

Em plena era da informação, sofremos mesmo do mal do “pensar demais”. Tanto que, de muito raciocinar, sobrecarregamos toda a capacidade de atenção do cérebro, comprometendo a saúde.
Pensar demais e saber demais podem se transformar em um problema.
Analisar todos os lados da questão pode não ser uma boa tática.

A questão é que nem que nos esforcemos muito podemos tomar todas as decisões da nossa vida sob o crivo da razão. Nossa mente trabalha melhor relegando ao inconsciente uma boa parcela do pensamento racional - ela não daria conta de tudo, se não usasse esse artifício.

...somos capazes de fazer uma viagem inteira dirigindo por uma estrada com buracos e condições adversas sem sequer racionalizar uma parte do trajeto sequer. Mas isso só foi possível depois de a mente ter adquirido conhecimento suficiente para poder relegar ao inconsciente a tarefa de conduzir a direção. O mesmo ocorre com nossa intuição. Afinal, nós só temos intuições a partir de experiências, de informações e do conhecimento que obtivemos, voluntariamente ou não. “Na verdade, a natureza dá ao ser humano um potencial, e a prática ao longo do tempo se transforma numa capacidade.” A mente intuitiva se adapta e age com economia valendo-se do inconsciente, das aptidões evolutivas e dos métodos empíricos que desenvolvemos no decorrer da nossa vida. Eles consistem em procurarmos nos ater à informação mais relevante e ignorar o resto. Na maior parte das vezes, os pressentimentos se baseiam num volume surpreendentemente pequeno de informações e da mente.

Intuir, na verdade, significa utilizar um outro sentido de que dispomos além da visão, da audição, do olfato, do paladar e do tato. É mesmo como um “sexto sentido” colocado à nossa disposição e que nos ajuda a melhorar nossa relação com o mundo e facilitar nossa vida. E da mesma forma que, quanto mais nós ouvimos, melhor reconhecemos um ruído, quanto mais usamos a intuição, melhor conseguimos aproveitar os pressentimentos. A intuição melhora com a experiência sem que a gente se dê conta.

Desenvolver a intuição significa adotar uma postura mais reflexiva e trabalhar a autoconfiança. Apostar naquilo que você percebe e sente. Dedicar-se um tempo ao silêncio e ao recolhimento ajuda. Registrar e interpretar sonhos e impressões, também, porque essas práticas facilitam o acesso ao mundo interno, assim como ler, conhecer, assistir, viajar. Outros sinais aparecem em nosso próprio corpo, não apenas na mente. Sintomas físicos como insônia e agitação podem indicar desconforto com uma situação ou decisão que se esteja pensando em tomar. “Cada um de nós tem a sabedoria e o conhecimento de que necessita em seu próprio interior”, escreveu o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, um defensor da intuição. Precisamos só estar abertos a identificá-los, já que, afinal, tendemos a viver tão melhor à medida que percebemos o que nos rodeia.

Intuir, portanto, é enxergar melhor o mundo olhando para dentro de nós mesmos. Por isso é preciso confiar nas nossas próprias intuições. De nada adianta abrir uma comunicação com o inconsciente se esse conhecimento não impulsionar ações. “A intuição é vivencial, precisa ser praticada”, diz a psicóloga Virgínia. Assim como precisamos experimentar relacionamentos para quebrar a cara ou colocar a mão no fogo para perceber que ele queima. E viver é mesmo correr riscos, fazer apostas. E, para isso, nem sempre basta apenas pensar.
(Vida Simples, julho/2010)

Desejos.


"— Vamos jogar uma moeda na fonte.
— O quê?
— Fazer um pedido de amor?
— Isso não é uma fonte de desejos.
— É que ninguém ainda descobriu o poder religioso desse ponto.
— Para de fiasco.
— Quando a gente iniciar a prática, outros verão a moeda no fundo e seguirão jogando, e logo teremos uma romaria de fiéis. O destino da fé é virar ponto turístico.
— Mas há peixes ali?
— Não vamos machucar, eles fogem dos objetos, são espertos.
— Não, não é justo.
— Tenta, por favor, por mim…

Diante da implicância, Cínthya se posiciona e joga de costas uma moeda de R$ 1. Apostou bem alto em nossa longevidade amorosa. Numa casa espaçosa, com quintal e varandas. Numa lua-de-mel nas Ilhas Gregas.

Corro para ver onde caiu. Não digo para ela. Um peixinho dourado engoliu o nosso casamento."
(Carpinejar)


*Eu sei de pessoas que comeram o Santo Antônio que estava dentro do bolo...

Novo livro.


Salo de Carvalho, em seu blog, nos dá boas novas:

"Publicado em e-book, nesta semana, o novo livro do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUCRS, intitulado Criminologia e Sistemas Jurídico-Penais Contemporâneos II, organizado pela Ruth Gauer.
Na coletânea publico minha última participação como integrante do quadro docente do Programa, em artigo intitulado Substitutivos Penais na Era do Grande Encarceramento.
Mas o que me tocou (muito) nesta obra, para além do encerramento de um importante ciclo da minha vida, foi a dedicatória do Timm no artigo O Nervo Exposto. Fico emocionado ao lembrar da ocasião em que o artigo foi lido, o que representou naquele momento e o que significa hoje."

O artigo foi debatido em nosso último encontro do grupo de estudos com convidados especiais: Moiséis e Mayora.
Este grupo se encontra semanalmente e têm sido fonte de muito prazer para todos os participantes. Criminologia, psicanálise, cultura, experiências, risos, filmes, sempre com o olhar generoso do Salo, nosso "mestre dos mestres".

Link: http://www.pucrs.br/edipucrs/Crimin.eSist.Jurid.PenaisContemp.II.pdf

Olhar para o dia de amanhã.

...



terça-feira, 13 de julho de 2010

Olhar contra a solidão.

Uma tartaruga do santuário de Tortoise Gardens, na região da Cornualha (sul da Inglaterra), fez amizade com uma tartaruga de plástico.Timid Timmy foi mantida em um viveiro separado depois que outras tartarugas a rejeitaram e a excluíram do grupo.

Para ela não se sentir só Joy Bloors, a dona do santuário, colocou uma tartaruga de plástico em seu viveiro e desde então os dois são inseparáveis. Timmy aparenta demonstrar afeto e traz até comida para Tanya, a tartaruga de brinquedo.

Segundo a dona do santuário, para que Timmy vá dormir, ela tem que colocar Tanya dentro de sua casinha primeiro.

Fica a dica meninas: compre brinquedos plásticos e acabem com a solidão! hahaha

Calcinhas...



Srs. Condôminos,

Devido à inúmeras calcinhas que apareceram por todo o condomínio, algumas deixadas na piscina, outras vistas a voar e algumas extrapolando os limites de nossa área e se espelhando pelas vías públicas, rogamos aos responsáveis, e mesmo aos interessados, que mantenham suas roupas íntimas em suas respectivas unidades residenciais e, em sendo necessário que elas avancem os limites dessas, que sejam mantidas no corpo de suas usuárias enquanto em espaços externos do condomínio, de preferência cobertas por outras peças de roupas.
Sugerimos que, no caso de as usuárias dessas peças íntimas optarem por retirá-las fora das unidades residenciais, que tomem ao menos o cuidado de levá-las consigo quando deixarem os espaços comuns. Pedidos de devolução de peças assim abandonadas somente serão atendidos excepcionalmente e desde que as calcinhas tenham os nomes e números de suas proprietárias escritos na parte externa da peça.
Salientamos que foram denunciados alguns casos em que calcinhas foram vistas deixando as unidades residenciais, voluntariamente ou não, coletiva ou individualmente, pela varanda, e deve ser observado que, mesmo nessas hipóteses, o regimento interno do condomínio autoriza a punição dos responsáveis a título de dolo ou culpa.
Não serão admitidos pedidos de não autuação em hipótese alguma, mesmo que as calcinhas sejam bem usadas, puídas ou em consideração a seus pequenos tamanhos, formosura ou mesmo sob o argumento de que calcinhas perdidas podem, eventualmente, trazer benefícios ou alguma forma de satisfação para quem as veja ou delas se apodere.
Tratando-se de situação inédita em nosso condomínio, foram feitas consultas a profissionais especializados e conseguimos a elaboração de projetos de prendedores de calcinhas, de uso pessoal ou fixos (para residências), que poderão ser produzidos com preços reduzidos se houver número mínimo de interessados. Pedidos podem ser feitos e registrados na administração.
Para evitar que o condomínio possa ser alvo de ações de reparação de danos, especialmente morais ou afins, ficam todos advertidos de que as presentes disposições não pretendem, de maneira alguma, estimular que se deixe de usar calcinha. Da mesma maneira, registra-se que todas as referências às pessoas do sexo feminino como principais destinatárias destas recomendações não importa em preconceito contra pessoas do outro sexo que igualmente fazem uso dessas peças íntimas.
Também observamos que as presentes recomendações não se estenderam a outras peças de vestuários, como soutiens, cuecas e meias, por entendermos que essas peças não estarão sujeitas às mesmas ocorrências antes tratadas ou a seus efeitos, seja em função de que não costumam ser lavadas pelos próprios usuários ou porque presumivelmente não provocam mais danosas consequências morais e sensitivas, como as calcinhas (registra-se que foram noticiadas situações altamente indesejadas quando dos eventos com as calcinhas, como disputas corporais que resultaram em brigas, reações iradas de alguns de nossos mais compreensivelmente pudicos moradores e até mesmo colisões de veículos).
A reincidência importará em penalidades diversas, que incluem a possibilidade de confisco e a imposição de revistas pessoais e domiciliares para constatação de situações de risco potencial.
Pedimos encarecidamente que todos os nossos condôminos se transformem em guerreiros desta cruzada contra o que vem se popularizando com o reprovável nome de "liberdade para as calcinhas".
Particularmente a uma pessoa deste nosso condomínio, que não será identificada por falta de provas e pelo justo receio de ações contra o condomínio, deixamos um recado, que ela saberá compreender: "livros podem muito bem servir de eficientes pesos para contenção de calcinhas!".

Joana Silva
Síndica
13.07.2010

hahahaha, MORRI!

Olhar de cheiro.

"-Mãe, quando você for viajar, deixa comigo essa blusinha que você está usando hoje?
E hoje, mãe, você não precisa deixar nada, porque hoje você está aqui e tenho seu cheirinho inteiro
."

Amor e cheiro, um não anda sem o outro. Quer coisa melhor do que o cheiro do amor?

E quem não é capaz de entender o porquê de levar uma camiseta, um paninho, um creme, com o cheirinho do outro, é porque não sabe amar.

O cheiro é um pouquinho do inteiro que podemos carregar.

Olhar açucarado.

"Eu gosto muito dessa delicadeza no trato, essa coisa tipo cristal que as pessoas parecem estar perdendo.
Não aquela educação ensaiada, ou o beijo na tia, obrigado pelo olhar descontente da mãe.
Gosto mesmo dessa sutileza amorosa que cheira a cuidado. Que se você não vem, avisa, se você vem primeiro, deixa passar, abre a porta, puxa a cadeira, e então sorri.
Por que sorrir de verdade, leve, suave é de uma delicadeza infinita. Aquela coisinha algodão que está lá, bem simples, bacana e que toca com cuidado.
Penso mesmo que a delicadeza no trato, a educação miudinha é coisa de gente que tem tristeza na alma, mas não perdeu por isso, a paixão pela vida.
Aquele que viu, aquele que sabe que viver é delicado, viver exige um cuidado e olha para o outro sabendo disso. Por que essa tristeza do triste, de quem já sentiu muita coisa, e tem no peito um buraco olha o buraco do outro, e trata com educação. Melhor mesmo seria, dizer que o triste trata a si mesmo e ao outro com delicadeza e emoção. Que educa-ação é palavra apertada, colada na obriga-ação e o triste já sabe já viu que emoção não exige esforço, ela brota no peito e desagua no outro.
O triste que tem a pele sensível, tocado por tudo que é ível - do invisível, indizível,incrível e chá quente, que não é ível, mas é bom, o triste então é sensível a tudo que no mundo está. Por isso essa delicadeza. E até quando estabanado o triste é de uma atrapalhação estranha, não bruta, desengonçada. O triste atrapalhado dá vontade de abraçar, é como um triste feio, daqueles tipo bichinho da maçã, você olha pra ele, e de tão feio, sorri. O triste feio é de um encanto só.
Então meu amigo, toca a vida com cuidado, que grosseria é coisa de triste revoltado que, por ser machucado, sai por ai maltratando. Um Quíron torto, ao contrário. Então meu amigo deixa tua estupidez no armário que viver exige coragem e muita delicadeza.
E isso tudo só pra dizer que, eu gosto muito de delicadeza no trato, isso diz do quanto de amor você traz no peito, pela vida, pelo outro, por você."
(colhi este acuçar do blog da Andréa, TPM)

* Desista do adoçante e coloque açucar em sua vida!!

Olhares.

Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Prá sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus...

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome...

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E os automóveis correm
Para quê?
As crianças correm
Para onde?
Transito entre dois lados
De um lado
Eu gosto de opostos
Exponho o meu modo
Me mostro
Eu canto para quem?

Pela janela do quarto
Pela janela do carro
Pela tela, pela janela
Quem é ela? Quem é ela?
Eu vejo tudo enquadrado
Remoto controle...

Eu ando pelo mundo
E meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço
Meu amor cadê você?
Eu acordei
Não tem ninguém ao lado...


*Achei esta "pérola" no blog do Alexandre.

Olhar de paixão.


Uma alegria para sempre


SERÁ POSSÍVEL que Jane Campion tenha dirigido um filme notável? Aconteceu. Ninguém diria. Campion, uma diretora que sempre gostou de abusar nos temperos (lembrar "O Piano" ou "Retrato de uma Mulher"), permitiu que "Brilho de Uma Paixão" respirasse por sua conta e risco.
O filme, atualmente em exibição, pretende narrar a história de amor entre John Keats, o maior dos poetas românticos ingleses, e a vizinha Fanny Brawne, uma "fashionista" antes das "fashionistas", embora com pergaminhos familiares.
O filme não diz, mas Brawne era sobrinha de "Beau" Brummel, o primeiro dândi moderno e o gênio a quem nós, homens, devemos o blazer. Quando estou em Londres, gosto sempre de passar pela estátua do cavalheiro e prestar a minha homenagem. Mas divago.
Ou não divago. Brummel, contrariamente à ideia que temos dos dândies, foi um revolucionário ao simplificar o modo de vestir: nas cores e nos cortes. Keats fez o mesmo na poesia, resgatando um sensualismo primordial que os críticos coevos tomaram por infantil ou anedótico.
Enganaram-se. Barbaramente. Mas Jane Campion não se enganou. O tom do filme é contido, quase desprovido de esforço ou artifício.
Os atores não existem para representar; eles existem para serem Keats (Ben Whishaw) e para serem Fanny (Abbie Cornish). Todos falam e agem como se fossem nossos vizinhos. Ou, melhor, como se nós fôssemos seus vizinhos e estivéssemos a espreitar pelo buraco da fechadura, como nos quadros de Vermeer.
E sobre as palavras que povoam o filme, Campion soube usar as cartas e os poemas de Keats com maestria hermenêutica, dedilhando com eles a gramática básica dos apaixonados em monólogos, diálogos, cartas.
"Brilho de Uma Paixão" começa por oferecer essa gramática; uma gramática sobre "a santidade dos afetos do coração", como afirma Keats, e nós vamos acompanhando a evolução desses afetos, apresentados na sua forma mais bela, despojada, dir-se-ia até pueril.
Fanny conhece Keats de forma casual, sem os heroísmos habituais dos filmes de época; em seguida, procura conhecer os seus poemas. Compra e lê "Endymion", o poema que a crítica, sempre inteligente, ridicularizou a golpes de maldade.
E quando o reencontra dias depois, diz-lhe com uma honestidade tocante: "Não estou certa de ter gostado de "Endymion", mas o começo é algo de perfeito. Não conheço palavras mais sábias e premonitórias".
É o princípio de uma história de amor, embora "amor" seja termo assustador e ambíguo para o assustadiço e ambíguo Keats.
Mas ele cede. E cede porque sabe: três dias de paixão são mais valiosos do que 50 anos de banalidade, escreve ele numa missiva. Mesmo que os dias sejam fugazes e, como na vida das borboletas, mortais.
É por isso que "Brilho de Uma Paixão" não é apenas uma história de amor. É um filme sobre a sombra de morte que paira sobre a história.
É o próprio Keats quem o afirma, uma vez mais, em carta a Fanny. Ele só tem dois luxos nas suas caminhadas solitárias: o amor que sente por ela e a certeza do fim. Um paradoxo? Nenhum paradoxo. Só a certeza do fim revaloriza e intensifica o amor por Fanny.
Para Keats, o fim chegaria aos 25 anos com a doença romântica por excelência: a tuberculose, essa "morte branca" que ceifara igualmente a mãe e o irmão. E que o poeta sempre pressentiu que o acabaria por visitar também.
Nunca presenciamos essa morte, que acontece longe, na amena Itália. Distante dos olhos de Fanny.
Mas o filme termina com ela. E ao contemplarmos o seu rosto funesto a deambular pela neve, é impossível não relembrar o primeiro poema de Keats que ela leu. E no qual pressentiu a perfeição do seu começo. "Uma coisa bela é uma alegria para sempre."
Verdade. Absoluta verdade. A beleza pode ser fugaz e perecível. E talvez por isso ela nos comova tanto: porque a sabemos frágil e condenada; porque nos sabemos frágeis e condenados.
Mas enquanto existirem olhos que a contemplem, ela será eterna para nós.
(João Pereira Coutinho, Folha, 13/07/2010)