"O olhar é o personagem principal do mundo de Narciso, central no mito de Édipo e é ele que confere o aspecto cênico da fantasia constituída pelo quadro que cada sujeito pinta para colocar em sua janela do real." (Um olhar a mais - A. Quinet.) O meu olhar... É um prazer ter o seu olhar aqui!
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Olhar de mãe.
"Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...]."
Meus filhos, por amor e por opção.
"Quanto a meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles..."
(C. Lispector)
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Jurisprudência do Amor.

Já parou pra pensar sobre a jurisdição do relacionamento?!? É puro processo. Todo relacionamento traz embutido um processo de conhecimento, ao qual se segue o processo de execução.
A doutrina da mocidade, então, inventou as medidas cautelares e a tutela antecipada. Afinal de contas, com o "ficar", você já obtém aquilo que conseguiria com o relacionamento principal, e, além do mais, toma conhecimento de tudo o que possa acontecer no futuro, já estando precavido. Esse processo de conhecimento pode, de cara, ser extinto sem julgamento de mérito, por carência de ação. Pior é o indeferimento da inicial por inépcia. E sem contar que na ausência do impulso oficial a coisa não vai pra frente. Havendo ilegitimidade de parte, o que normalmente se constata apenas na fase probatória; ou ainda, a impossibilidade do pedido, não tem quem agüente.
E quando é o caso, ainda mais freqüente, de falta de interesse....aí paciência!
Se ocorrer intervenção de terceiros, a coisa complica, pois amplia objetiva e subjetivamente o campo do relacionamento, transformando-o em questão prejudicial.
Pois, como se sabe, todo litisconsórcio ativo é facultativo, dependendo do grau de abertura e modernidade do relacionamento.
É necessário estar sempre procedendo ao saneamento da relação, para se manter a higidez das fases futuras.
É um procedimento especial, uma mescla entre processos civil e penal, podendo seguir o rito ordinário, sumário, ou, até mesmo, o sumaríssimo...dependendo da disposição de cada um.
A competência para dirimir conflitos é concorrente. E a regra é que se busque sempre a transação.
Com o passar do tempo, depois de produzidas todas as provas de amor, chega o momento das alegações finais... é o noivado! Este pode acontecer por simples requerimento ou então por usucapião. Alguns conseguem a prescrição nesta fase.
E na hora da sentença: "Eu vos declaro marido e mulher, até que a morte os separe". Em outras palavras, está condenado a pena de prisão perpétua.
São colocadas as algemas no dedo esquerdo de cada um, na presença de todas as testemunhas de acusação.
E, de acordo com as regras de direito das coisas, "o acessório segue o principal"... casou, ganha uma sogra de presente. E neste caso específico, ainda temos uma exceção, pois laços de afinidade não se desfazem com o fim do casamento.
Mas essa sentença faz apenas coisa julgada formal. É possível revê-la a qualquer tempo... mas se for consensual, tem que esperar um ano, apenas!
Talvez você consiga um "habeas corpus" e... novamente a liberdade.Como disse alguém que não me lembro agora, "o casamento é a única prisão em que se ganha liberdade por mau comportamento".
Ah!!! Nesse caso você será condenado nas custas processuais e a uma pena restritiva de direitos: prestação pecuniária ou perdimento de bens e valores.
(autoria dada a Arnaldo Jabor)
A doutrina da mocidade, então, inventou as medidas cautelares e a tutela antecipada. Afinal de contas, com o "ficar", você já obtém aquilo que conseguiria com o relacionamento principal, e, além do mais, toma conhecimento de tudo o que possa acontecer no futuro, já estando precavido. Esse processo de conhecimento pode, de cara, ser extinto sem julgamento de mérito, por carência de ação. Pior é o indeferimento da inicial por inépcia. E sem contar que na ausência do impulso oficial a coisa não vai pra frente. Havendo ilegitimidade de parte, o que normalmente se constata apenas na fase probatória; ou ainda, a impossibilidade do pedido, não tem quem agüente.
E quando é o caso, ainda mais freqüente, de falta de interesse....aí paciência!
Se ocorrer intervenção de terceiros, a coisa complica, pois amplia objetiva e subjetivamente o campo do relacionamento, transformando-o em questão prejudicial.
Pois, como se sabe, todo litisconsórcio ativo é facultativo, dependendo do grau de abertura e modernidade do relacionamento.
É necessário estar sempre procedendo ao saneamento da relação, para se manter a higidez das fases futuras.
É um procedimento especial, uma mescla entre processos civil e penal, podendo seguir o rito ordinário, sumário, ou, até mesmo, o sumaríssimo...dependendo da disposição de cada um.
A competência para dirimir conflitos é concorrente. E a regra é que se busque sempre a transação.
Com o passar do tempo, depois de produzidas todas as provas de amor, chega o momento das alegações finais... é o noivado! Este pode acontecer por simples requerimento ou então por usucapião. Alguns conseguem a prescrição nesta fase.
E na hora da sentença: "Eu vos declaro marido e mulher, até que a morte os separe". Em outras palavras, está condenado a pena de prisão perpétua.
São colocadas as algemas no dedo esquerdo de cada um, na presença de todas as testemunhas de acusação.
E, de acordo com as regras de direito das coisas, "o acessório segue o principal"... casou, ganha uma sogra de presente. E neste caso específico, ainda temos uma exceção, pois laços de afinidade não se desfazem com o fim do casamento.
Mas essa sentença faz apenas coisa julgada formal. É possível revê-la a qualquer tempo... mas se for consensual, tem que esperar um ano, apenas!
Talvez você consiga um "habeas corpus" e... novamente a liberdade.Como disse alguém que não me lembro agora, "o casamento é a única prisão em que se ganha liberdade por mau comportamento".
Ah!!! Nesse caso você será condenado nas custas processuais e a uma pena restritiva de direitos: prestação pecuniária ou perdimento de bens e valores.
(autoria dada a Arnaldo Jabor)
(colhido, novamente, da Michele)
A libélula e a tartaruga.

A libélula recém nascida, que pairava as suas leves asas sobre a água transparente do ribeirão, viu imóvel sobre uma pedra, uma tartaruga que tomava banho de sol. Espantada diante de uma criatura tão feia, pousou sobre uma folha de capim a fim de ver melhor. A tartaruga, achando que a libélula a estava admirando, começou a falar:
- Olá – disse ela.
A libélula levou um susto.
- Pensei que você estivesse morta, de tão parada.
- Já fui como você, minha criança, muito agitada, mas aprendi que é perigoso vier assim. Em você tudo é esbanjamento: asas vibrando, ir e vir nas costas do vento, voar sem cessar. Mas tudo isso faz mal. Quem se mexe muito morre logo. A vida é como a vela: há de se economizar para durar mais. Minha filosofia é simples: nunca ficar de pé, quando posso ficar deitada. Para simplificar, fico sempre deitada…
A libélula espantada de que alguém pudesse viver assim, ia perguntar se a vida vale a pena. Mas não deu tempo porque a tartaruga continuou a falar:
- Você ainda não aprendeu a lição do peso. Para se voar é preciso ser leve. Mas tudo o que é leve é frágil. As crianças gostam de empinar papagaios. Mas para subir no vento, else têm de ser feitos com varetas finas de bambu e papel de seda. Por isso, acabam quase sempre enroscados em algum galho de árvore. Mas você nunca viu uma tartaruga enroscada num galho de árvore. Estão fora dos enroscos porque não se metem a voar, porque são muito pesadas e por isso ficam sempre junto ao chão. Somos prudentes. Voar é perigoso, exige leveza e fragilidade. Isso é coisa que fascina as crianças, mas não os adultos. Os adultos são graves. E grave é aquilo que respeita a lei da gravidade e gosta de ir para baixo. Como eu. Os adultos quando querem elogiar alguém dizem que ele é uma pessoa de peso. O contrário de peso? Leveza, bexiga solta no espaço. Quando se diz que alguém é leviano, isso não é um elogio, é uma ofensa. Leviano é quem não leva as coisas a sério, como as crianças. Quanto mais adultas, mais parecidas comigo.
A libélula ia dizer que ser leve é coisa muito gostosa, porque dá sempre uma enorme vontade de rir, mas se calou, com medo de ser acusada de leviana. A tartaruga não entenderia.
- E há também a necessidade de defesas – continuou a tartaruga – Veja o seu corpo, fino como um palito. O bico de qualquer pássaro pode cortá-lo ao meio. E suas asas? Lindas e fracas. Veja agora a minha carapaça. Nem martelo consegue quebrá-la. Você é mole, eu sou dura. Mole são as crianças, os palhaços, os poetas, os artistas. Duros são os generais, os banqueiros, os policiais, as pessoas importantes. Quando as crianças deixam de ser uma libélula para se tornarem uma tartaruga, os adultos dizem que elas ficaram maduras. Na verdade o que querem dizem é que ficaram armaduras. Coisa madura é coisa mole, gostosa, boa de se comer e se descuidar apodrece e acaba. Já a armadura é coisa que vara os séculos. Como eu, impenetrável, constante, sempre a mesma. Digna de confiança. Serei amanhã o que sou hoje. Quanto a você, não sei onde estará. As coisas leves passam. As duras permanecem. Ninguém diz que Deus é vento ou nuvem.
Mas dizem que é rocha e fortaleza. Claro que as armaduras criam certos problemas. Fica difícil para brincar, pular, abraçar… Mas é o preço da sobrevivência.
- Olá – disse ela.
A libélula levou um susto.
- Pensei que você estivesse morta, de tão parada.
- Já fui como você, minha criança, muito agitada, mas aprendi que é perigoso vier assim. Em você tudo é esbanjamento: asas vibrando, ir e vir nas costas do vento, voar sem cessar. Mas tudo isso faz mal. Quem se mexe muito morre logo. A vida é como a vela: há de se economizar para durar mais. Minha filosofia é simples: nunca ficar de pé, quando posso ficar deitada. Para simplificar, fico sempre deitada…
A libélula espantada de que alguém pudesse viver assim, ia perguntar se a vida vale a pena. Mas não deu tempo porque a tartaruga continuou a falar:
- Você ainda não aprendeu a lição do peso. Para se voar é preciso ser leve. Mas tudo o que é leve é frágil. As crianças gostam de empinar papagaios. Mas para subir no vento, else têm de ser feitos com varetas finas de bambu e papel de seda. Por isso, acabam quase sempre enroscados em algum galho de árvore. Mas você nunca viu uma tartaruga enroscada num galho de árvore. Estão fora dos enroscos porque não se metem a voar, porque são muito pesadas e por isso ficam sempre junto ao chão. Somos prudentes. Voar é perigoso, exige leveza e fragilidade. Isso é coisa que fascina as crianças, mas não os adultos. Os adultos são graves. E grave é aquilo que respeita a lei da gravidade e gosta de ir para baixo. Como eu. Os adultos quando querem elogiar alguém dizem que ele é uma pessoa de peso. O contrário de peso? Leveza, bexiga solta no espaço. Quando se diz que alguém é leviano, isso não é um elogio, é uma ofensa. Leviano é quem não leva as coisas a sério, como as crianças. Quanto mais adultas, mais parecidas comigo.
A libélula ia dizer que ser leve é coisa muito gostosa, porque dá sempre uma enorme vontade de rir, mas se calou, com medo de ser acusada de leviana. A tartaruga não entenderia.
- E há também a necessidade de defesas – continuou a tartaruga – Veja o seu corpo, fino como um palito. O bico de qualquer pássaro pode cortá-lo ao meio. E suas asas? Lindas e fracas. Veja agora a minha carapaça. Nem martelo consegue quebrá-la. Você é mole, eu sou dura. Mole são as crianças, os palhaços, os poetas, os artistas. Duros são os generais, os banqueiros, os policiais, as pessoas importantes. Quando as crianças deixam de ser uma libélula para se tornarem uma tartaruga, os adultos dizem que elas ficaram maduras. Na verdade o que querem dizem é que ficaram armaduras. Coisa madura é coisa mole, gostosa, boa de se comer e se descuidar apodrece e acaba. Já a armadura é coisa que vara os séculos. Como eu, impenetrável, constante, sempre a mesma. Digna de confiança. Serei amanhã o que sou hoje. Quanto a você, não sei onde estará. As coisas leves passam. As duras permanecem. Ninguém diz que Deus é vento ou nuvem.
Mas dizem que é rocha e fortaleza. Claro que as armaduras criam certos problemas. Fica difícil para brincar, pular, abraçar… Mas é o preço da sobrevivência.
(R. Alves)
Olhar único.
O meu primeiro amor e eu sentávamos numa pedra
Que havia num terreno baldio entre as nossas casas.
Falávamos de coisas bobas,
Isto é, que a gente achava bobas
Como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.
Crianças…
Parecia que entre um e outro nem havia ainda separação de sexos
A não ser o azul imenso dos olhos dela,
Olhos que eu não encontrava em ninguém mais,
Nem no cachorro e no gato da casa,
Que tinham apenas a mesma fidelidade sem compromisso
E a mesma animal – ou celestial – inocência,
Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:
Não, não importava as coisas bobas que diséssemos.
Éramos um desejo de estar perto, tão perto
Que não havia ali apenas duas encantadas criaturas
Mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,
Enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabia
Que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida…
(M. Quintana)
Que havia num terreno baldio entre as nossas casas.
Falávamos de coisas bobas,
Isto é, que a gente achava bobas
Como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.
Crianças…
Parecia que entre um e outro nem havia ainda separação de sexos
A não ser o azul imenso dos olhos dela,
Olhos que eu não encontrava em ninguém mais,
Nem no cachorro e no gato da casa,
Que tinham apenas a mesma fidelidade sem compromisso
E a mesma animal – ou celestial – inocência,
Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:
Não, não importava as coisas bobas que diséssemos.
Éramos um desejo de estar perto, tão perto
Que não havia ali apenas duas encantadas criaturas
Mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,
Enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabia
Que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida…
(M. Quintana)
...
"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."
(C. F. Abreu)
(C. F. Abreu)
"Eu não entendo apenas sinto. Tenho medo de um dia entender, e deixar de sentir..."
"E de novo então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida"
(C. F.Abreu)
(C. F.Abreu)
terça-feira, 4 de maio de 2010
...

Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
-Ah,terminei o namoro...
-Nossa, estavam juntos há tanto tempo.....
-Cinco anos...que pena...acabou....
-é...não deu certo...
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa. Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível. Tudo junto, não vai encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...se não bate..mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar.... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão? O legal é alguém que está com você, só por você. E vice versa.
Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração.....Faz parte.
Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo .E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse....A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.Nem todo beijo é para romancear.E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar...
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ?????
(Arnaldo Jabor)
Detesto quando escuto aquela conversa:
-Ah,terminei o namoro...
-Nossa, estavam juntos há tanto tempo.....
-Cinco anos...que pena...acabou....
-é...não deu certo...
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa. Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível. Tudo junto, não vai encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...se não bate..mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar.... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão? O legal é alguém que está com você, só por você. E vice versa.
Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração.....Faz parte.
Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo .E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse....A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.Nem todo beijo é para romancear.E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar...
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ?????
(Arnaldo Jabor)
(colhido, como diz Déia, do blog da Michele)
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Etnografia do PCC.
Junto e Misturado:
Uma etnografia do PCC
de Karina Biondi
sábado, 15 de maio de 2010, das 15h30 às 18h30
Livraria Martins Fontes
Avenida Paulista, 509 - São Paulo
"As principais avenidas de São Paulo nunca estão desertas. Não posso enumerar os motivos que levam as pessoas a ganharem as ruas durante a madrugada, mas um deles conheço bem: é o dia de visita nas cadeias”
Com estas palavras, a antropóloga Karina Biondi inicia sua obra e conduz o leitor por um universo pouco conhecido, controverso e impossível de ser ignorado: o do Primeiro Comando da Capital, ou PCC, e sua história, modo de funcionamento, ética e organização política. Karina teve acesso às informações e descrições contidas neste livro como resultado de uma reunião de papéis tão rica quanto peculiar: o de antropóloga e o de esposa de detento – seu marido foi inocentado depois de seis anos de prisão, e durante esses seis anos ela o visitou semanalmente em diversas cadeias do estado de São Paulo, quando desenvolveu seu mestrado. Desta forma, por meio do relato de presos, da sua própria experiência entre os muros da prisão e dos instrumentos da etnografia, sustenta esta narrativa hábil e de forte rigor científico.
“As reflexões presentes nesse livro são fruto de experiências vivenciadas em várias unidades prisionais e também fora delas, reunidas, contudo, com vistas a conferir alguma inteligibilidade aos acontecimentos” , explica a antropóloga.
O livro, cuja produção contou com o apoio da FAPESP, faz parte da Coleção Antropologia Hoje, iniciativa resultante do entendimento entre o NAU – Núcleo de Antropologia Urbana da USP e a Editora Terceiro Nome com o propósito de divulgar ensaios, resultados de pesquisas, etnografias e propostas teórico-metodoló gicas da Antropologia voltados para a dinâmica cultural e processos sociais contemporâneos.
Olhar para Marcelo Mayora.
O mestrado no Sul foi conseqüência de uma paixão que surgiu das leituras de vários autores desta região.
Em Curitiba vi Salo de Carvalho pela primeira vez e confesso que fiquei assustada. Quem era aquele palestrante tão jovem? Que discurso era aquele?
Daí por diante mergulhei, como Alice, nas produções do Sul.
Quando cheguei aqui, no país das maravilhas, fiquei enlouquecida.
A PUC tem uma estrutura inigualável, a biblioteca é algo inexplicável.
Sentada “neste conto de fadas” vi os personagens dos livros tomarem forma, tudo muito louco.
Quando vejo Salo sentado ao meu lado no grupo de estudos é surreal.
E o melhor é ver realidade e fantasia se fundirem.
Paulo (entrehermes)escreveu em seu blog que podemos fantasiar as pessoas que ainda não conhecemos como bem quisermos e a grata surpresa foi que Salo é tudo que fantasiei: ele é o cara!
Ainda, da minha janela, pude ver Achutti passando e hoje, e é por isso que escrevo, me deparo com Marcelo Mayora.
Já me permito chamá-lo de Marcelinho mesmo sem nunca tê-lo visto.
Nesta quinta ele irá dialogar com nosso grupo de estudos e Salo nos enviou um texto para leitura.
Já havia lido várias coisas dele no ICA, mas nunca um artigo completo.
O texto de Marcelinho é impecável. Quebrando todos os protocolos: Afudê Marcelinho!
Muito, muito bom!!! "
Em Curitiba vi Salo de Carvalho pela primeira vez e confesso que fiquei assustada. Quem era aquele palestrante tão jovem? Que discurso era aquele?
Daí por diante mergulhei, como Alice, nas produções do Sul.
Quando cheguei aqui, no país das maravilhas, fiquei enlouquecida.
A PUC tem uma estrutura inigualável, a biblioteca é algo inexplicável.
Sentada “neste conto de fadas” vi os personagens dos livros tomarem forma, tudo muito louco.
Quando vejo Salo sentado ao meu lado no grupo de estudos é surreal.
E o melhor é ver realidade e fantasia se fundirem.
Paulo (entrehermes)escreveu em seu blog que podemos fantasiar as pessoas que ainda não conhecemos como bem quisermos e a grata surpresa foi que Salo é tudo que fantasiei: ele é o cara!
Ainda, da minha janela, pude ver Achutti passando e hoje, e é por isso que escrevo, me deparo com Marcelo Mayora.
Já me permito chamá-lo de Marcelinho mesmo sem nunca tê-lo visto.
Nesta quinta ele irá dialogar com nosso grupo de estudos e Salo nos enviou um texto para leitura.
Já havia lido várias coisas dele no ICA, mas nunca um artigo completo.
O texto de Marcelinho é impecável. Quebrando todos os protocolos: Afudê Marcelinho!
Muito, muito bom!!! "
Olhar para hoje.
domingo, 2 de maio de 2010
Olhar para dentro.
Fui assistir Alice no país das maravilhas e, apesar das críticas lidas, eu tinha certeza de que sairia dali completamente extasiada. Bingo!
Lembro-me da primeira vez em que vi Alice, em desenho animado. Eu deveria ter 9 anos e fiquei paralisada com a menina que crescia e diminuía, com o sorriso do gato...
Recentemente, com meus estudos sobre crianças vitimizadas, me deparei com Alice novamente. Fotos de Alice em poses sensuais, poemas guardados, insinuam que Lewis Carroll seria um pedófilo, mas isso não interessa aqui.
Bueno, o filme é literalmente um mergulho.
Há várias cenas com personagens, diálogos, simbolismos, muita coisa para ser pensada.
Jung e sua abordagem simbólica me vieram à cabeça, mas não tenho propriedade para falar de Jung.
Sei que algumas pessoas não conseguirão ver através da minha luneta, mas várias passagens me tocaram - ainda estou refletindo, digerindo, vivenciando Alice!
Nas primeiras cenas Alice foge de um monstro que, logo em seguida, tem o seu olho arrancado - a importância do olhar. Sem os olhos o monstro não poderá fazer mal algum. Em outra cena, Alice devolve "o olho" ao monstro - a importância da visão. Com os olhos devolvidos, o monstro têm a visão. Os olhares se cruzam - o olhar no olhar - e as diferenças transformam-se. Ver o invisível. O coração no coração.
Sonhos, expectativas, o tamanho do nosso EU no mundo.
Ficamos pequenos em muitas situações e grandes demais em outras.
As dúvidas, eternas, permeando nosso caminho, nos deixando inseguros.
Sonhos, expectativas, o tamanho do nosso EU no mundo.
Ficamos pequenos em muitas situações e grandes demais em outras.
As dúvidas, eternas, permeando nosso caminho, nos deixando inseguros.
Alice vê nos desenhos que ela é a única que pode vencer o dragão, mas não acredita. Teme, sofre, nega e todos ao seu redor começam a acreditar que ela não é a Alice verdadeira.
Das coisas impossíveis...
Nossas limitações, medos que imaginamos, que criamos e alimentamos.
No diálogo com a lagarta azul vemos Alice se descobrindo. No primeiro contato ela não sabe nem quem é ela mesma e ao final, vemos Alice sabendo seu lugar no mundo.
"Esta vida termina aqui!"- diz a lagarta, tecendo seu casulo.
A morte como reconstrução. Para nos encontrarmos é preciso tomar nossas decisões, caminhar, morrer lentamente, construir seu casulo, para pode renascer. Mudar de casa ou seremos lagartas para sempre.
A rainha branca nos resgata o feminino. O dragão da rainha vermelha, usando todo simbolismo do masculino, diz que o inimigo não é Alice e sim à espada. Espada que insistimos em carregar.
Ao final, voltamos para "as coisas impossíveis."
Tudo que sabotamos com nossa descrença, com nossos medos.
“Pensar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã”. E Alice, com maestria, nos ensina que o impossível é possível quando acreditamos de verdade.
“Pensar em seis coisas impossíveis antes do café da manhã”. E Alice, com maestria, nos ensina que o impossível é possível quando acreditamos de verdade.
Pensar no café da manhã - dia por dia, um de cada vez e ir realizando, possibilitando que as coisas possíveis tornem-se possíveis. Devagar, ao seu tempo, sem medo, pressa, defesas.
Alice nos dá uma aula de compreensão, um mergulho para dentro de si. Assumirmos o tamanho ideal, nem mais e nem menos. O tamanho ideal do nosso EU.
Acreditarmos mais, temer menos, tecer o casulo, virar borboleta.
Seguir, sem respostas para todas as perguntas.
Afinal não é preciso saber por que um corvo se parece com uma escrivaninha.
Há perguntas que não têm repostas.
E você, mergulharia em si mesmo?
Afinal não é preciso saber por que um corvo se parece com uma escrivaninha.
Há perguntas que não têm repostas.
E você, mergulharia em si mesmo?
Olhar da alma.
"Eu queria trazer-te uns versos lindos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras seriam as mais simples do mundo..., que teria de fechar teus olhos para as ouvir..."(1)
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras seriam as mais simples do mundo..., que teria de fechar teus olhos para as ouvir..."(1)
...
"Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói.
Pequena morte, chamam na França, a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce."
(Eduardo Galeano) (2)
"Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói.
Pequena morte, chamam na França, a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce."
(Eduardo Galeano) (2)
Sem palavras...
"...as coisas tangíveis
tornam-se insensíveis à palma da mão.
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão" (3)
para sempre...
(1) Quintana
(2) extraído do blog milfacesdeluiza
(3) Drummond
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