quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Olhar para frente.

Não sou de brincadeira
Canto pelos sete cantos
Não temo quebrantos
 Porque eu sou guerreira
Dentro do samba eu nasci
 Me criei, me converti
E ninguém vai tombar a minha bandeira

(Clara Nunes)





Eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério. É que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça.


(C. Coralina)



**Érica, a que resolveu mudar de disco e continuar vivendo.
Porque os meus sonhos e minhas estradas sou eu quem faço!






terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Olhar de delicadeza.


Tive uma noite que durou até o amanhecer.
Junto com os primeiros raios de sol ganhei uma delicadeza.
Delicadeza de uma alma que sabe quantas horas tem uma noite.
E pude enfim descansar...


*obrigada*



Olhar para hoje.



*Ok*




segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Olhar de viver.



Gosto de teorias sobre a vida, mas não tenho tempo para as seguir.

Como poderia viver a olhar constantemente para as receitas de vida?

É impossível viver e pensar ao mesmo tempo.

Eu, no meu caso, como é fácil de verificar, optei por viver.

(G. Tavares)




*E ela vive com toda delicadeza possível*






Olhar para cuecas.



Cuecas com enchimento frontal.


Seria uma revanche contra o silicone?


Lembrei do dia em que uma amiga comentou que um professor tinha ‘a mala' pequena.
Como você não olha? - me indagou a tal amiga. - É a primeira coisa em que eu reparo.


Quando eu era adolescente, adorávamos ficar vendo o tamanho do pé dos meninos. Diziam as entendidas que era do tamanho da mala. Riamos por horas e horas. Ah, meus 16 anos!


Bueno, costumam dizer que eu tenho um gosto duvidoso, mas homem pra mim vai além da mala.


Tenho que admitir: sou marcada pela história de uma amiga que foi assustada (é a expressão correta) por um malão de japonês. Disse ela que a saída foi a conhecida dor de cabeça.
Apesar disso, precavida que sou, não compro malas 'Made in China'.


Não, meu caro, não pense que eu não gosto de malas. Quem tem o mínimo de intimidade comigo conhece minha delicada frase: - Eu gosto do que balança!


Gosto de malas, mas malas vazias pra mim de nada valem.


Também morro de rir quando vejo um homem falando do tamanho da mala.


Tenho um amigo que tem uma tática. Faz uma propaganda antecipada, dizendo que a mala é pequena. E assim, na hora dos finalmentes, a felizarda acha que é de bom tamanho.


A imaginação masculina quanto ao tamanho da mala me surpreende!


Sei que não posso falar pelas mulheres, mas tamanho é o mesmo que cabelo, nós mulheres não nos preocupamos com isso.


Homem pra mim tem que ser inteligente. Depois, o que vier é lucro


E tem também o lance da pegada. De que vale uma mala grande com um carregador sem experiência?


Agora é ficar de olho nas falsas malas e dá-lhe PROCON.

 
Eu continuo aqui, admirando malas repletas de livros nas mãos de bons carregadores!



domingo, 9 de janeiro de 2011

Olhar Colorado.


...

(águas da cachoeira me ensinando o fluir da vida!)


Ter é deixar ir.

(Carpinejar)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Olhos nos olhos.

(Edvard Munch - Olhos nos olhos)


Levei a minha vida a olhar para dentro dos olhos das pessoas, é o único lugar do corpo onde talvez ainda exista uma alma.

(José Saramago)



sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Olhar de chuvinha fina...




** O que conquistei de você me pertence.**

(C. Morandi)



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Meu olhar.



Eu gosto de carinho violento, de falar, de estar certa,de quem entende o que eu digo, de quem escuta o que eu penso, da minha prole, dos meus discos, dos meus livros, dos meus cachorros, dos Stones, do Rock Natural, da minha solidãozinha, dos meus blues, do meu sofá vermelho, da minha casa, do meu umbigo, de unhas cor de carmim, de homem que sabe ser homem,. de noites em claro e dias em branco, de chuva e de sol.
Eu guardo as minhas rejeições em vidrinhos rotulados com o nome deles.
Eu sou mole demais por dentro pra deixar todo mundo ver. Eu deixo pra quem eu acho que pode comigo.
Ninguém sabe, mas eu tenho coração de moça.


Fernanda Young.


(foto de L. Seccomandi)

Doce olhar.




Eram bonitos juntos, diziam as moças. Um doce de olhar. Sem terem exatamente consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia.

Caio Fernando Abreu




quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Olhar zerado.

*colhi do blog do A. Antunes

Olhar...



Bom, feliz talvez ainda não. Mas tenho assim… aquela coisa… como era mesmo o nome? Aquela coisa antiga, que fazia a gente esperar que tudo desse certo, sabe qual? — Esperança? Não me diga que você está com esperança! — Estou, estou…

(Caio Fernando Abreu)

Olhar de ano novo.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O que deveríamos ler?


Na era da globalização, o que deveríamos ler?

Umberto Eco

“O Cânone Ocidental” de Harold Bloom define o cânone literário como “a escolha de livros em nossas instituições de ensino”, e sugere que a verdadeira questão que ele suscita é: “o que o indivíduo que ainda deseja ler deveria tentar ler, a essa altura da História?” E ele observa que, na melhor das hipóteses, dentro do tempo de uma vida é possível ler somente uma pequena fração do grande número de escritores que viveram e trabalharam na Europa e nas Américas, sem contar aqueles de outras partes do mundo. Mesmo nos atendo somente à tradição ocidental, quais são os livros que as pessoas deveriam ler? Não há dúvidas de que a sociedade e a cultura ocidentais foram influenciadas por Shakespeare, pela “Divina Comédia” de Dante, e – voltando atrás no tempo – por Homero, Virgílio e Sófocles. Mas será que somos influenciados por eles porque os lemos de fato em primeira mão?

Isso lembra o argumento de Pierre Bayard, em “Como Falar Sobre Livros que Você Não Leu”, de que não é essencial ler de fato um livro de capa a capa para entender sua importância. Por exemplo, é nítido que a Bíblia teve uma profunda influência tanto sobre a cultura judaica como sobre a cristã no Ocidente, e mesmo sobre a cultura de não-crentes – mas isso não significa que todos aqueles que foram influenciados por ela a tenham lido do começo ao fim. O mesmo pode se dizer sobre os escritos de Shakespeare ou James Joyce. É necessário ter lido o Livro dos Reis ou o Livro dos Números para ser uma pessoa culta ou um bom cristão? É necessário ter lido Eclesiastes, ou basta simplesmente saber em segunda mão que ele condena a “vaidade das vaidades”?

Sendo assim, a questão do cânone não é homóloga à do currículo escolar, que representa o conjunto de obras que um estudante deverá ter lido ao fim de seus estudos. Hoje o problema é mais complicado do que nunca e, durante uma recente conferência literária internacional em Mônaco, houve um debate sobre o lugar do cânone na era da globalização. Se roupas de marca “europeias” são produzidas na China, se usamos computadores e carros japoneses, se até em Nápoles comem hambúrgueres em vez de pizza – resumindo, se o mundo encolheu a dimensões provincianas, com estudantes imigrantes em todo o mundo pedindo para aprender sobre suas próprias tradições – então como será o novo cânone?

Em certas universidades americanas, a resposta veio na forma de um movimento que, mais do que “politicamente correto”, é politicamente estúpido. Como temos muitos estudantes negros, algumas pessoas sugeriram ensinar-lhes menos Shakespeare e mais literatura africana. Uma ótima piada à custa de todos aqueles jovens destinados a saírem pelo mundo sem entender referências literárias universais como o solilóquio do “ser ou não ser” de Hamlet – e, portanto, condenados a permanecerem à margem da cultura dominante. Se tanto, o cânone existente deveria ser expandido, e não substituído. Como foi sugerido recentemente na Itália, a respeito de aulas semanais de religião nas escolas, os estudantes deveriam aprender algo sobre o Corão e os ensinamentos do Budismo, bem como sobre os Evangelhos. Assim como não seria mau se, além de suas aulas sobre a civilização grega antiga, os estudantes aprendessem algo sobre as grandes tradições literárias árabe, indiana e japonesa.

Não faz muito tempo, fui a Paris para participar de uma conferência entre intelectuais europeus e chineses. Foi humilhante ver como nossos colegas chineses sabiam tudo sobre Immanuel Kant e Marcel Proust, sugerindo paralelos (que poderiam estar certos ou errados) entre Lao Tsé e Friedrich Nietzsche – enquanto a maioria dos europeus entre nós mal conseguia ir além de Confúcio, e muitas vezes com base somente em análises em segunda mão.

Hoje, no entanto, esse ideal ecumênico esbarra em certas dificuldades. Você pode ensinar a jovens ocidentais a “Ilíada” porque eles ouviram algo sobre Heitor e Agamêmon, e porque seus rudimentos de cultura incluem expressões como “o julgamento de Páris” e “calcanhar de Aquiles” (embora em um recente exame de admissão de uma universidade italiana um candidato tenha pensado que o termo “calcanhar de Aquiles” se referia a uma doença, como cotovelo de tenista). Ainda assim, como conseguir fazer com que esses estudantes se interessem pelo poema épico sânscrito “O Mahabharata”, ou pelos poemas dos “Rubaiyat de Omar Khayyam” de forma que essas obras permaneçam em suas memórias? Será que realmente podemos adaptar o sistema educacional a um mundo globalizado quando a vasta maioria dos ocidentais cultos ignora totalmente que, para os georgianos, um dos maiores poemas na história literária é “O Cavaleiro na Pele de Pantera” de Shota Rustaveli? Quando acadêmicos não conseguem nem concordar se, na versão georgiana original, o cavaleiro do poema está na verdade usando uma pele de pantera e não de tigre ou de leopardo? Chegaremos sequer a esse ponto, ou continuaremos simplesmente a perguntar: “Shota o quê?”

(Tradução: Lana Lim, UOL)