sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Futebol


Não torço por nenhum time de futebol, mas por questão de fidelidade partidária, quando o assunto entra em pauta, saio na defesa do time do maridão.
Ele é doente, sim por que torcer é uma coisa e ser doente é outra. Passa mal, fica de mau humor, há dias em que torce por outro time porque será bom para seu time (sim, eles também traem seu time, usando a mesma desculpa: não significa nada, meu time mesmo é o São Paulo), emenda um jogo atrás do outro, vê os comentários na TV centenas de vezes, confere com a internet e o jornal e assim vai.
Em uma de nossas últimas viagens, resolveu ligar a TV só para conferir o resultado de um jogo importante e nesse momento ingressou no quarto um funcionário do hotel para acender a lareira. Resultado: eu sentadinha olhando os dois gritarem gol!
Nessa minha caminhada, tornei-me experiente e, na quarta-feira ou no domingo, quando vejo que o time está perdendo dou beijinho e vou-me embora. Geralmente no outro dia ele já está melhor.
Aqui em casa tem até uma espécie de museu do São Paulo, com uma infinidade de tranqueirinhas com símbolos, mascotes e tantas outras coisas do São Paulo.
Em meu companheirismo, por vezes tento acompanhar os jogos. Faço uma festa enorme quando vejo alguém de branco fazendo um gol e noto que o Mauricio nem se mexe. Em seguida escuto: Érica o São Paulo está jogando com outra cor de camisa hoje.
Puxa, o pessoal não facilita minha vida conjugal!
Os filhos não possuem aqui o direito de escolha, o pai sentencia: time a gente não escolhe, é São Paulo e fim.
O pobrezinho já era possuidor de muitas camisas do time antes de nascer, um quarto decorado com o tema de futebol e tudo.
Aqui, abro aspas para contar um segredo: além do São Paulo, o Mauricio torce para um time da cidade chamado Comercial.
Explico: nossa cidade tem dois times, o Botafogo , de Sócrates e Raí, e o Comercial.
Comercial começa sempre ganhando, mas a fatalidade está entranhada em seu destino, e ele perde.
Até acompanhei muitos jogos do timão, digo, Comercial, íamos em excursão da família e olha que não somos poucos.
O sorvete e o amendoim do estádio são deliciosos! Ah, o estádio também é bem espaçoso para acomodar os 50 ou 70 torcedores, digo, sofredores...
Mas amor que é amor precisa ser provado e chega o dia da prova de fogo:o Mauricio quer que eu o acompanhe no jogo dos juniores do Comercial.
Minha resposta? - Eu te amo muito (do tamanho do céu, como diria meu pequenino), mas ir ver o jogo dos juniores do Comercial é demais!
Voltando ao São Paulo e o ao filhote...
Hoje, mesmo o time perdendo, ele já exclama: O São Paulo matou o Corinthians!
A ingenuidade das crianças me encanta!
Um dia desse ele começou: o Corinthians é eca, o porco é eca,o cavalo é eca....rs
É um bichinho adestrado pela ignorância futebolística!
Ainda vou fazer psico para poder entender o que se passa entre um homem e uma bola, prometo que divido com vocês mulheres.
Mas não vim falar sobre futebol propriamente, vim falar de música.
Ontem fui dançar ao som do samba enredo do Corinthians, que o Mauricio não nos ouça, mas não tem coisa mais linda, não é mesmo meu querido genro Zé!!
Quando ouço a bateria e o grito: Gaviões, Fiel, o coração salta!
Lindo demais, um presente para a alma.
E vamos rumo ao Brasileirão meu São Paulo, sim, ele é nosso!!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!
(Quintana)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Foram felizes para sempre...

E foram felizes para sempre...

Um dia desses estava no teatro com uma amiga e a filharada e fiquei pensando em como erramos com nossos filhos em matéria de amor.

Crescemos ouvindo "felizes para sempre", passamos nossa adolescência na busca de príncipes, mas é aqui que já começamos perder. Já ouviu algum menino com mais de seis anos falar em princesa?

Sim, tenho meu pequeno, meu “pimpi” como ele diz, que quis uma roupa de príncipe, porque a namorada já tem uma roupa de princesa e nessa lá se foi o Complexo de Édipo que sempre sonhei em vivenciar com meu filho. É um horror, eu sei, mas sou APAIXONADA por ele, um verdadeiro príncipe (as mães me entenderão).

Devo confessar que fiquei decepcionada ao saber que, na terra de sonhos, de princesas, não havia sequer uma fantasia de príncipe à venda. E ele em carne e osso? Hum, unzinho apenas, o da Branca de Neve e com uma cara de quem também estava à procura de um príncipe.

E, assim, nossas meninas crescem, como nós, e se deparam com a dura realidade: eles não existem!

(Pensando bem, melhor assim do que muitas que não entendem a realidade e criam suas famílias margarina.)

Dos contos de fada vale levar apenas uma esperança: os felizes para sempre.

Sim, é possível!

É certo que sou uma mulher que acredita no amor. Amo acordar com o Mauricio ao meu lado, dormir de conchinha, deitar em seus braços, ouvir o som dos seus passos no corredor, sua voz no outro lado da linha, seus mimos para me ver feliz nos dias de tristeza, jogar conversa fora por horas e horas, dividir sonhos...

E é dessa felicidade que falo e não da felicidade redondinha que não existe em lugar algum dessa terra! E, pensando melhor, já imaginou no quanto essa felicidade é chata?

Nenhum defeito, tudo certinho, nenhuma briga.... E o prazer da reconciliação, onde fica?

E ser princesa, então, quer coisa mais sem sal?

Na terra dos sonhos, a mulher mais linda, imbatível, nenhuma princesa chegava aos seus pés, era nada mais nada menos que a Madrasta. E nesta eu saio no lucro!!

Assim minhas caras, lanço uma nova campanha: vamos ler Shrek para nossas meninas.

Esse sim é um cara bacana pra sentar no boteco, tomar uma cerveja, rir, contar piada e nos dias tristes certamente um ombro, um colinho, um beijo quente, uma pegada inesquecível.

E foram felizes enquanto desejaram ser...

Era uma vez uma menina que observava tanto as galinhas que lhes conhecia a alma e os anseios íntimos. A galinha é ansiosa, enquanto o galo tem angústia quase humana: falta-lhe um amor verdadeiro naquele seu harém, e ainda mais tem que vigiar a noite toda para não perder a primeira das mais longíquas claridades e cantar o mais sonoro possível. É o seu dever e a sua arte. Voltando às galinhas, a menina possuía duas só dela. Uma se chamava Pedrina e a outra Petronilha.


Quando a menina achava que uma delas estava doente do fígado, ela cheirava embaixo das asas delas, com uma simplicidade de enfermeira, o que considerava ser o sintoma máximo de doenças, pois o cheiro de galinha viva não é de se brincar. Então pedia um remédio a uma tia. E a tia : "Você não tem coisa nenhuma no fígado". Então, com a intimidade que tinha com essa tia eleita, explicou-lhe para quem era o remédio. A menina achou de bom alvitre dá-lo tanto a Pedrina quanto a Petronilha para evitar contágios misteriosos. Era quase inútil dar o remédio porque Pedrina e Petronilha continuavam a passar o dia ciscando o chão e comendo porcarias que faziam mal ao fígado. E o cheiro debaixo das asas era aquela morrinha mesmo. Não lhe ocorreu dar um desodorante porque nas Minas Gerais onde o grupo vivia não eram usados assim como não se usavam roupas íntimas de nylon e sim de cambraia. A tia continuava a lhe dar o remédio, um líquido escuro que a menina desconfiava ser água com uns pingos de café - e vinha o inferno de tentar abrir o bico das galinhas para administrar-lhes o que as curaria de serem galinhas. A menina ainda não tinha entendido que os homens não podem ser curados de serem homens e as galinhas de serem galinhas: tanto o homem como a galinha têm misérias e grandeza (a da galinha é a de pôr um ovo branco de forma perfeita) inerentes à própria espécie. A menina morava no campo e não havia farmácia perto para ela consultar.


Outro inferno de dificuldade era quando a menina achava Pedrina e Petronilha magras debaixo das penas arrepiadas, apesar de comerem o dia inteiro. A menina não entendera que engordá-las seria apressar-lhes um destino na mesa. E recomeçava o trabalho mais difícil: o de abrir-lhes o bico. A menina tornou-se grande conhecedora intuitiva de galinhas naquele imenso quintal das Minas Gerais. E quando cresceu ficou surpresa ao saber que na gíria o termo galinha tinha outra acepção. Sem notar a seriedade cômica que a coisa toda tomava:


- Mas é o galo, que é um nervoso, é quem quer! Elas não fazem nada demais! e é tão rápido que mal se vê! O galo é quem fica procurando amar uma e não consegue!


Um dia a família resolveu levar a menina para passar o dia na casa de um parente, bem longe de casa. E quando voltou, já não existia aquela que em vida fora Petronilha. Sua tia informou:


- Nós comemos Petronilha.


A menina era uma criatura de grande capacidade de amar: uma galinha não corresponde ao amor que se lhe dá e no entanto a menina continuava a amá-la sem esperar reciprocidade. Quando soube o que acontecera com Petronilha passou a odiar todo o mundo da casa, menos sua mãe que não gostava de comer galinha e os empregados que comeram carne de vaca ou de boi. O seu pai, então, ela mal conseguiu olhar: era ele quem mais gostava de comer galinha. Sua mãe percebeu tudo e explicou-lhe:


- Quando a gente come bichos, os bichos ficam mais parecidos com a gente, estando assim dentro de nós. Daqui de casa só nós duas é que não temos Petronilha dentro de nós. É uma pena.


Pedrina, secretamente a preferida da menina, morreu de morte morrida mesmo, pois sempre fora um ente frágil. A menina, ao ver Pedrina tremendo num quintal ardente de sol, embrulhou-a num pano escuro e depois de bem embrulhadinha botou-a em cima daqueles grandes fogões de tijolos das fazendas das minas-gerais. Todos lhe avisaram que estava apressando a morte de Pedrina, mas a menina era obstinada e pôs mesmo Pedrina toda enrolada em cima dos tijolos quentes. Quando na manhã do dia seguinte Pedrina amanheceu dura de tão morta, a menina só então, entre lágrimas intermináveis, se convenceu de que apressara a morte do ser querido.


Um pouco maiorzinha, a menina teve uma galinha chamada Eponina.


O amor por Eponina: dessa vez era um amor mais realista e não romântico; era o amor de quem já sofreu por amor. E quando chegou a vez de Eponina ser comida, a menina não apenas soube como achou que era o destino fatal de quem nascia galinha. As galinhas pareciam ter uma pré-ciência do próprio destino e não aprendiam a amar os donos nem o galo. Uma galinha é sozinha no mundo.


Mas a menina não esquecera o que sua mãe dissera a respeito de comer bichos amados: comeu Eponina mais do que todo o resto da família, comeu sem fome, mas com um prazer quase físico porque sabia agora que assim Eponina se incorporaria nela e se tornaria mais sua do que em vida. Tinham feito Eponina ao molho pardo. De modo que a menina, num ritual pagão que lhe foi transmitido de corpo a corpo através dos séculos, comeu-lhe a carne e bebeu-lhe o sangue. Nessa refeição tinha ciúmes de quem também comia Eponina. A menina era um ser feito para amar até que se tornou moça e havia os homens.
(C. Lispector)

Mais uma perda...



CLAUDE LÉVI-STRAUSS (1908-2009)
Fonte: http//: somepills.blogspot.com

Tinha a nítida impressão de já ter escrito um post por aqui sobre Lévi-Strauss. Depois de conferir até os rascunhos do blog, concluí que fiquei só na promessa. Diante da morte do genial antropólogo francês, resta homenageá-lo, ainda que de forma curta, pois meu tempo anda escasso (e isso não é retórica).
É conhecida a frase de Freud acerca das três feridas narcísicas: a primeira, por Galileu, tira a Terra do centro do Universo; a segunda, por Darwin, tira o homem do centro da Criação; a terceira, por Freud (a modéstia não estava entre suas características...), tira a homem da posse da sua "própria casa", ou seja, da sua consciência, revelando a existência do inconsciente. Lévi-Strauss seguramente poderia ocupar um espaço de quarta ferida narcísica, ao ferir de morte o narcisismo do homem ocidental (Freud incluso): mostrando que o pensamento científico não era superior aos demais e abrindo a possibilidade de uma interpretação formal das culturas a partir do estruturalismo, Lévi-Strauss derruba o mito do homem europeu no centro do mundo.O que Lévi-Strauss, apoiado em Mauss, não cansou de mostrar foi que as culturas não podem ser hierarquizadas em "evoluídas" e "primitivas", ou "civilizadas" e "bárbaras", atribuindo às segundas o rótulo de irracionais, absurdas, infantis. Lévi-Strauss prova a partir do método estrutural que toda cultura - por mais rudimentar que pareça - é um sistema organizado de crenças, uma totalidade que estrutura o agir e interpretar o mundo por aqueles que a compartilham. Essa estrutura, nos diz o autor, ultrapassa os indivíduos que estão ali presentes, uma vez que não pressupõe qualquer intencionalidade destes ao transmitirem os arcabouços culturais tais como mitos, ritos e diferenças. Isso não significa pensar a cultura "fora" dos indivíduos, mas sim ultrapassar a noção cartesiana de "consciência" (e Freud, nos diz Lévi-Strauss, foi sua principal influência no aspecto) para abarcar uma espécie de "super-racionalismo", em que o próprio inconsciente é capturado nos seus movimentos a partir das estruturas sociais (que seriam "infraestruturas", daí a admiração igualmente por Marx e pela geologia).
O pensamento de Lévi-Strauss é, portanto, da forma, e não da substância.
Ele não hierarquiza os sistemas de crenças a partir da proximidade com o pensamento científico, tal como os positivistas até hoje fazem. Lévi-Strauss, ao contrário, entende cada sistema como uma totalidade coerente em si mesma, que muitas vezes não apenas responde a problemas concretos do cotidiano, mas até produz "conhecimento desinteressado" (tal como longas classificações de plantas por índios que Lévi-Strauss arrola em "O Pensamento Selvagem"). Como antropólogo, a preocupação científica de Lévi-Strauss era nítida, e fazia questão de separar a "boa" (o estruturalismo) da "má" ciência (o funcionalismo). No entanto, isso não significava reprisar o preconceito etnocêntrico, mas abrir a possibilidade de pensar outras culturas como outros "mundos", sem necessariamente estabelecer hierarquias.
Quando leio que José Saramago escreve novo livro "herético" sobre religião, fico pensando o quanto lhe faria bem a leitura de Lévi-Strauss. A visão materialista-positivista não é falha por estar cientificamente errada, mas por não compreender que as grandes e pequenas religiões - cristianismo, judaísmo, islamismo, p.ex. - são sistemas de mundo organizados que traduzem determinados valores, não passando de birra adolescente a visão caricata de, p.ex, "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (o mesmo se aplica a Dawkins, Hitchens, etc.).
Os contributos de Lévi-Strauss à ciência da antropologia são inestimáveis.
O maior contributo, no entanto, é sempre o de fundo ético: Lévi-Strauss nos abriu a possibilidade de pensar o estranho sem, no mesmo passo, violentá-lo com as nossas crenças.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Olhar de amor total

É o meu perfil e o das minhas meninas.
Não é lindo?

Olhar sábio

Cuide bem do seu amor
Por Adriano Silva 30/10/2009 - 09:10

(...) Antes de você partir para o descanso, para a viagem, para o lazer, para a gandaia que seja, gostaria de aproveitar o momento, em que sua mente, ou ao menos seu coração, já não está mais aí no mundo do trabalho, para lhe dizer o seguinte: cuide bem do seu amor. (Thanks, Herbert.) Eu sou um cara quadrado, coxinha, em diversos aspectos da minha vida. Um deles, como trato a mim mesmo na posição de pai de família. Levo isso a sério. Talvez até demais. É muito importante para mim ser um bom pai, um bom marido e um bom provedor. Parafraseando o ditado de "quem tem, tem medo", eu diria que quem não teve do jeito que gostaria sabe a falta que faz.

No entanto, percebi com clareza esses dias o enorme risco que há em investir tudo no trabalho e nos filhos. Ou seja: fazer a coisa certa aí, em demasia, significa fazer a coisa de modo errado. É bacana ser um homem responsável, gerar as melhores condições possíveis para a sua família. No entanto, se pautar somente por isso é um equívoco. Focar toda a sua atenção e a sua energia na rota trabalho/casa, casa/trabalho, é uma armadilha. E por quê? Porque aí a sua mulher vira esposa. A sua namorada vira mãe do seus filhos. Você deixa de ser amante para virar marido. Quando você se dá conta, está chamando a sua mulher de "mamãe" e ela está se referindo a você como "papai", de modo sonolento, sedado, cansado. Sua cama de casal vira um lugar para aninhar os filhos e não mais para dar vazão a sua libido. (Não é todo mundo que consegue rodar esses dois filmes antagônicos na mesma locação.)

A arapuca que se coloca aí, travestida de correção, de comportamento respeitável e consequente, é trocar a relação original com a sua mulher, de macho/fêmea, composta de tesão, atração, admiração, desejo, por uma relação funcional de parenting, em que o dating morre, em que não há mais a idéia da dupla, mas sim uma regra inquebrantável que sempre prevê 3, 4, 5, qualquer que seja o número total das pessoas que você tem em casa. Por uma relação que a emoção dá lugar a um arranjo racional e insosso das coisas. Em que o sexo e a sensualidade vão sendo religiosamente solapados no dia a dia. Jogue isso no tempo e depois de 15, 20 anos, você não terá mais nada. Nenhum vestígio do sentimento original, da alegria dos primeiros tempos, daquela felicidade inefável de estar junto, de simplesmente ficar perto dela. Ou dele. Um dia seus filhos saem de casa. Afinal, eles, mais do que ninguém, estão só passando pela sua casa, estão sempre no movimento de partir do seu recôndito familiar em direção ao mundo lá fora e à vida que vão construir sozinhos. E você se encontrará com uma estranha dentro de casa. E vocês se verão com um abismo entre si. Feito de silêncios, de falta de cumplicidade, de inapetência, de papéis que caducaram, de ausência de um sentimento que, de tão maltratado, resolveu se mudar dali há muito tempo.

Portanto, eis o que tenho a dizer: nutra o relacionamento com a sua mulher. Ou com o seu marido. É preciso conquistá-la todo dia. Crie momentos exclusivos, reserve tempo e atenção, saia da rotina, seduza, invista na magia e na paixão. Porque tudo isso, que é alicerce, que é motor, pode acabar num tapa. (Às vezes, literalmente.)

(...) não esqueça, cuide bem do seu amor.

Retirado blog Manual do executivo: http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo

Não gosto de datas, principalmente as inventadas para o consumismo, como é a data de hoje. Dia de lembrar de quem partiu. Ato este que, para quem já vivenciou uma perda, sabe-se bem que não há dia e hora para sentir saudade.
Para nós que ainda continuamos nossa caminhada:

Mude,
mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade
.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.

E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!!!
(C. Lispector)

Bom feriado, meus queridos!!!

Para Paulo, meu doce amigo.



"Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam."

(C. Lispector)

domingo, 1 de novembro de 2009

Sobre moças de família e putas.
(por Túlio Vianna)

O fato se deu no país do carnaval, em sua 20ª cidade mais populosa. Era dia do lançamento do Windows 7, mas os entendidos em informática aguardavam mesmo era o lançamento do Ubuntu Karmic Koala.
Neste dia – em plena Idade Média – uma universidade particular parou para insultar uma de suas alunas de PUTA, por ter comparecido às aulas com um vestido que os fiscais da moral e dos bons costumes consideraram indecente.
Após o episódio, a vítima foi a um programa sensacionalista na TV e se disse injustiçada, mas ao final reconheceu que teve sua parcela de culpa por ir à faculdade naquele traje.
A moça, que até então não via mal algum em exibir suas formas, agora titubeava entre o certo e o errado; entre o moral e o imoral; entre o bem e o mal.
Os agressores venceram; a vítima agora se sentia culpada de sua insolência.
Este também era o espírito da lei da época. A exposição de motivos da parte geral do Código Penal brasileiro de 1984 :
" (…) Fez-se referência expressa ao comportamento da vítima, erigido, muitas vezes, em fator criminógeno, por constituir-se em provocação ou estímulo à conduta criminosa, como, entre outras modalidades, o pouco recato da vítima nos crimes contra os costumes. (…)"
Muitos juízes, naquela época de repressão sexual intensa, reduziam a pena do réu no crime de estupro, se fosse comprovado nos autos que a vítima o provocara com suas roupas indecentes. É certo que alguns professores de Direito Penal se insurgiam quanto ao entendimento machista dominante, mas ainda levaria algum tempo para que os juízes aprendessem a separar o Direito dos seus preconceitos moralistas.
O linchamento moral da moça podia ser interpretado com um sacrifício catártico, tal como o do bode, com o qual os estudantes da universidade procuravam purificar o mundo das imoralidades que à época ameaçavam o “cidadão de bem” e à sua família.
Naquele tempo, muitos homens ainda dividiam às moças em “pra casar” e “pra trepar”. A nudez para eles era sempre muito bem-vinda, desde que fosse por eles solicitada e entregues pela mulher, tal como uma cessão diante de tão bons argumentos. A nudez ou a simples insinuação erótica de iniciativa exclusiva da mulher era a maior das transgressões, pois ameaçava a ordem patriarcal vigente.
Era um tempo confuso. A maioria dos homens e mulheres ainda estavam confortáveis em seus papéis de gênero, determinados pelo próprio Deus quando da expulsão do Jardim do Éden. Muitas concessões já haviam sido feitas e o sexo já era até admitido antes do casamento; mas os papéis ainda eram respeitados pela maioria: a moça de família até podia ceder às súplicas masculinas, nunca sem antes fazer algum charme, mas àquelas que tomassem a iniciativa sexual, outro rótulo não lhes restava senão o de PUTA.
A execração pública da universitária do vestido curto foi vista pelos homens e mulheres de seu tempo como um radicalismo injustificado. A maioria acreditava que este tipo de comentário não deveria ser anunciado em alto e bom tom, mas de forma mais discreta, por cochichos nos corredores. Não discordavam da opinião dos universitários em si, mas apenas do modo radical como foi expressa, mais condizente com o comportamento dos bárbaros orientais daquele tempo que ainda aplicavam a pena de lapidação.
Um cronista da época ironizou muito bem o pensamento dominante da classe-média de seu tempo:
"Sou contra isso que aconteceu na Uniban, mas acho que a moça tinha que ter a decência de escolher uma roupa maior, né?"
Há uma sutil diferença entre a tolerância e o respeito. Naquele tempo, já se começava a tolerar as insinuações sexuais de iniciativa feminina, mas ainda levaria um bom tempo até que a maioria passasse a respeitar as iniciativas sexuais das mulheres e a vetusta distinção entre moças de família e putas deixasse de existir no inconsciente masculino.

sábado, 31 de outubro de 2009

Para Warat, com todo meu amor.


Desejo a você...


Fruto do mato,


cheiro de jardim,


namoro no portão,


domingo sem chuva,


segunda sem mau humor,


sábado com seu amor,


filme do Carlitos,


chope com amigos,


crônica de Rubem Braga,


viver sem inimigos,


filme antigo na TV,


ter uma pessoa especial


e que ela goste de você.


Música de Tom com letra de Chico,


frango caipira em pensão do interior,


ouvir uma palavra amável,


ter uma surpresa agradável,


ver a banda passar.


Noite de lua cheia,


rever uma velha amizade,


ter fé em Deus...


Não ter que ouvir a palavra não nem nunca, nem jamais e adeus.


Rir como criança,


ouvir canto de passarinho,


sarar de resfriado,


escrever um poema de amor, que nunca será rasgado.


Formar um par ideal,


tomar banho de cachoeira,


pegar um bronzeado legal,


aprender uma nova canção...


Esperar alguém na estação.


Queijo com goiabada,


pôr-do-sol na roça...


Uma festa,


um violão, uma seresta.


Recordar um amor antigo,


ter um ombro sempre amigo,


bater palmas de alegria.


Uma tarde amena,


calçar um velho chinelo,


sentar numa velha poltrona,


tocar violão para alguém,


ouvir a chuva no telhado,


vinho branco,


Bolero de Ravel e ...muito carinho meu.


(C. Drummond)


Parabéns meu querido!!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009



Manifesto público Contra o “revide” da Segurança Pública do Rio de Janeiro.

As operações policiais que estão sendo realizadas pela polícia do Rio de Janeiro desde o dia 17 de outubro, após a queda de um helicóptero no morro São João, no Engenho Novo, próximo ao Morro dos Macacos, já têm um saldo de mais de 40 pessoas mortas e um número desconhecido de feridos. É o resultado evidente de uma política de segurança pública baseada no extermínio e na criminalização da pobreza, que desconsidera a vida humana e coloca os agentes policiais em situação de extrema vulnerabilidade. A lamentável queda do helicóptero e a morte dos três policiais não pode servir como mais um pretexto para ações que, na prática, significam apenas mais violência para os moradores das comunidades atingidas e mais exposição à vida dos policiais. Ao se utilizar do terror causado pelo episódio para legitimar ações que violam a lei e os direitos humanos, o Estado se vale de um sentimento de vingança inaceitável. Em outras palavras, aproveitando-se da sensação de medo generalizada, o governo de Sérgio Cabral oculta mais facilmente as arbitrariedades e violações perpetradas nas favelas, como o fechamento do comércio, de postos de saúde e de escolas e creches – além, é claro, das pessoas feridas e das dezenas de mortos. A sociedade carioca não pode mais aceitar uma política de segurança pautada pelo processo de criminalização da pobreza e de desrespeito aos direitos humanos. Definitivamente, não é possível jogar com as vidas como faz o Estado contra os trabalhadores – em especial os pobres, os negros e os moradores de favela – utilizando-se como desculpa a chamada “guerra contra as drogas”. As organizações da sociedade civil, movimentos sociais, professores da rede pública e outros preocupados com a situação que há cerca de uma semana mobiliza o Rio de Janeiro se uniram para exigir o fim das incursões policiais baseadas na lógica do extermínio e a divulgação na íntegra da identidade dos mortos em conseqüência dessas ações. Até o fim da semana, o coletivo fará visitas às comunidades atingidas e se reunirá com moradores para ouvir relatos relacionados à violência dos últimos dias.

Na quinta-feira, dia 5 de novembro, haverá um ato em frente à Secretaria de Segurança Pública, no Centro do Rio.


Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2009

Justiça Global CRP – Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro SEPE - Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação DDH - Defensores de Direitos Humanos Grupo Tortura Nunca Mais CDDH - Centro de defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis Central de Movimentos Populares Projeto Legal Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência Centro de Assessoria Jurídica Popular Mariana Criola PACS – Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul MNLM – Movimento Nacional de Luta pela Moradia Mandato do Deputado Estadual Marcelo Freixo Mandato do Deputado Federal Chico Alencar Mandato do Vereador Eliomar Coelho DPQ – Movimento Direito Pra Quem? Fazendo Média NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação Agência Pulsar Brasil Revista Vírus Planetário ENECOS - Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social AMARC – Associação Mundial das Rádios Comunitárias APN – Agência Petroleira de Notícias O Cidadão – Jornal da Maré ANF – Agência de Notícias das Favelas Coletivo Lutarmada Hip-hopBloco Se Benze que Dá! - Maré Sindipetro/RJ - Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro Conlutas Intersindical Círculo Palmarino Fórum 20 de Novembro Criola ACQUILERJ - Associação das Comundiades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro PROEALC-CCS/UERJ - Programa de Estudos de América Latina e Caribe Projeto Políticas Públicas de Saúde - FSS/UERJ Forum de Saúde do Rio de Janeiro Coletivo Desentorpecer a Razão Centro de Direitos Humanos Dom Adriano Hypolito da Diocese de Nova Iguaçu IECERJ - Instituto de Estudos Criminais do Estado do Rio de Janeiro Conectas Direitos HumanosNúcleo Margens - Modos de Vida, Família e Relações de Gênero - CFH/UFSCAPROPUC-SP - Associação dos Professores da PUC-SP

quinta-feira, 29 de outubro de 2009


Você só sabe até onde pode ir quando já foi.
(L. F. Veríssimo)
Ir ou ficar?
Fui...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Onde as ruas não têm nome
(Caderno Mais, Folha de SP, 25/10/09- por Marcelo Ninio)

Ganhador do "Nobel" da criminologia diz que violência se repete em poucos lugares das cidades e que polícias estão agindo de forma errada


No combate ao crime, menos pode ser mais. Aplicada ao espaço das cidades, essa é a tese do professor David Weisburd, professor na Universidade de Jerusalém, que acaba de receber o Prêmio Estocolmo de 2010, considerado o mais importante do mundo na área de criminologia. Duas décadas de pesquisas em cidades dos EUA levaram Weisburd à conclusão de que a grande maioria dos crimes ocorre em um número restrito de ruas. Os dados já começam a influenciar a ação das polícias americanas, que passaram a concentrar suas patrulhas nos locais mais perigosos, deslocando esforços de áreas com menor incidência de crimes. Em entrevista à Folha, Weisburd explicou sua tese.

FOLHA - Por que o sr. decidiu concentrar suas pesquisas na ideia de espaço?
DAVID WEISBURD - Por muitos anos, a pesquisa na área de criminologia teve como foco entender por que as pessoas cometem crimes. Em meu trabalho, comecei a fazer perguntas diferentes: onde o crime ocorre? Por que ele ocorre ali?São perguntas que me interessam por estar na interseção entre a pesquisa básica e a aplicação prática. Muito do meu trabalho se baseia no que podemos chamar de "lei da concentração" do crime. Estudo após estudo mostra que uma proporção muito grande do crime em uma cidade ocorre em um número relativamente pequeno de locais.
FOLHA - Bairros inteiros?
WEISBURD - Não. A visão tradicional era apontar comunidades "boas" e "más". Mas na minha pesquisa percebi que na maior parte das chamadas "más" comunidades praticamente não havia crime. Mesmo nelas, na maioria das ruas as pessoas não estavam sendo mortas ou atacadas todos os dias. Em algumas áreas de Jersey City que pesquisei, a suposição geral era a de que toda a cidade era dominada pelo tráfico de drogas.Eu me dei conta de que havia os pontos de venda, mas que, uma ou duas quadras adiante, a vizinhança era relativamente tranquila.Em outro estudo que fiz em Seattle, analisei rua por rua as 30 mil quadras da cidade. Descobri que 50% do crime era restrito a 4% das quadras. O crime não estava em toda a parte, mas em locais muito específicos. E essa é uma estatística que se mantém há 16 anos, um bom exemplo do que eu chamo de "lei da concentração". Um outro estudo em Minneapolis mostrou que 50% dos crimes ocorriam em apenas 3,5% da área da cidade. Ou seja, geralmente uma porcentagem muita pequena dos lugares produz a maior parte dos crimes. O esquadrinhamento das ruas foi fundamental para chegar às conclusões, pois em muitos casos havia concentração do crime, mas não contínua. Mesmo nas áreas de maior concentração urbana, onde havia mais "hot spots", a maioria dos casos que estudei mostra uma irregularidade: duas ruas boas eram seguidas de ruas "más". Um outro estudo sobre criminalidade juvenil em Seattle mostrou que 86 das quadras, entre 30 mil, produziram um terço de todos os crimes.
FOLHA - Por que isso ocorre?
WEISBURD - Esses "hot spots" de delinquência juvenil estavam em poucas ruas, mas espalhados por toda a cidade -sobretudo perto de locais frequentados pelos jovens, como shoppings e escolas. Isso também se aplica aos crimes em geral. Crimes ocorrem onde há oportunidade. O que meu estudo enfatiza é que há um número relativamente pequeno desses lugares e que o crime nesses lugares costuma manter-se estável. Se sabemos que o crime é concentrado em um número limitado de lugares, que ele se mantém estável e que há certos motivos para ocorrer ali, a conclusão natural é a de que precisamos levar a polícia até eles, não à cidade inteira. Para a polícia, o recado é simples: não desperdice suas patrulhas em todo lugar.
FOLHA - Concentrar a ação policial num ponto não provoca a migração do crime?
WEISBURD - Fiz estudos sobre isso, enfocando tráfico e prostituição, e descobri que o crime não se desloca facilmente. As ruas próximas não ficaram piores e o crime não migrou para outras áreas da cidade. Há alguns motivos para não haver deslocamento. Criminosos atuam em certas regiões por um motivo. Traficantes de drogas, quando são cercados por policiais, não se mudam imediatamente, pois naquela área eles conhecem as pessoas, sabe quem vai denunciá-los ou não à polícia etc. É o lugar dele. Crime, em grande medida, é como qualquer outro trabalho. As pessoas trabalham onde é mais cômodo.
FOLHA - Como o policiamento concentrado se aplicaria a um ambiente como o Rio, onde os pontos de tráfico estão espalhados pela cidade?
WEISBURD - O espaço tem que ser o foco. Em São Paulo e no Rio, há milhares de ruas, não dá para patrulhar a cidade inteira com a mesma eficiência. O sucesso depende de como a polícia faz o seu trabalho.A primeira coisa é fazer um mapeamento para saber onde estão os "hot spots", e por que motivo.Também é importante falar com os moradores, criar uma sensação de cumplicidade. A polícia não pode ser vista como uma força de ocupação, mas como parte da comunidade. A legitimidade da ação policial é um elemento crítico para o seu sucesso.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

De algum modo já aprendera que cada dia nunca era comum,
era sempre extraordinário.
E que a ela cabia sofrer o dia ou ter prazer nele.
Ela queria o prazer do extraordinário
que era tão simples de encontrar nas coisas comuns:
não era necessário que a coisa fosse extraordinária
para que nela se sentisse o extraordinário.
(C.Lispector)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009


"Daquilo que sabes conhecer e medir, é preciso que te despeças, pelo menos por um tempo. Somente depois de teres deixado a cidade verás a que altura suas torres se elevam acima das casas."
Friedrich Nietzsche



Recomeço com uma cola do meu querido amigo Paulo, que retrata tão bem meus sentimentos neste momento.

Como é bom sair da rotina para termos a dimensão exata do mundo que nos cerca. Voltar com os pés no chão...

Foi assim que minha viagem com minhas filhas me fez tão bem. Pude estar ao lado delas por dias, fortalecer meus laços, rever minhas decisões, minhas avaliações.

Fiquei pensando no quanto vamos vivendo nossos dias sem olharmos efetivamente para tantas coisas.

Já reparou no percurso que você faz diariamente e nem se quer olha para os lados? É assim que nossos dias vão passando...

Quantas coisas estou deixando, quantos sentimentos estão ficando, quantas pessoas estou deixando de abraçar, de amar, quantas oportunidades são tão pequenas perto das pessoas que me são caras...

Tudo foi se acalmando, se encaixando, como uma oportunidade de rever minha vida.

Já tive provas que a vida é curta, que devemos olhar para as pessoas com amor, deixá-las com amor, que o ter não é nada perto do ser e um dia antes da minha volta, recebo uma triste notícia: D. Vida me mandava novamente o mesmo recado.

Perdi uma prima linda, com 26 anos, dois bebezinhos lutando para sobreviver de uma tragédia.

E é assim que volto, com lágrimas em meu olhar...

Lágrimas de uma dor indefinível, uma saudade imensa, perdas muito próximas de pessoas tão caras em tão pouco tempo. Meu regresso para meu meu ninho, meu olhar para meu mundo.

Fui para essa viagem sem saber das grandes transformações que me esperavam. Essa é a mágica da vida: não sabemos o que nos aguarda!

Que possamos amar mais, nos valorizarmos mais, deixarmos tudo o que é pequeno, material para um segundo plano.

Nossa vida é esta, agora e tenha certeza que o amanhã é uma incerteza!

Um beijo enorme, com todo meu amor.