"O olhar é o personagem principal do mundo de Narciso, central no mito de Édipo e é ele que confere o aspecto cênico da fantasia constituída pelo quadro que cada sujeito pinta para colocar em sua janela do real." (Um olhar a mais - A. Quinet.) O meu olhar... É um prazer ter o seu olhar aqui!
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Olhar para vizinhos.
Creio que eu já tenha dividido com vocês minha estranheza por residir em um apartamento.
Sempre morei, e moro, em casa.
Ao vir para POA não tive escolha e lá fui eu para minha primeira gaiola.
Tudo diferente. Apesar de morar em um condomínio em Ribeirão, viver em comunidade em um prédio é bem diferente.
Meu prédio foi projetado para adultos, o que já facilita um pouco. Quase todos residem sozinhos e encontrar alguém no elevador ou no corredor é coisa rara.
Bueno, você deve estar pensando que tudo é paraíso. Ledo engano e escrevo justamente por isso.
Que graça teria residir no paraíso sem a existência de um inferno?
Pois bem, tenho uma vizinha que me faz lembrar, todas as quintas e sextas, que o meu aparente sossego é realmente aparente.
Vejam minha situação, meus caros: resido sozinha nesta terra gelada, de dias cinzentos, onde o vento uiva, chego das aulas depois das 22h30 e acordo cedo para malhar este corpinho tão necessitado de uma musculação.
Minha querida vizinha chega todos os dias às 23h e anda de salto, arrasta os móveis (é preciso mudar a decoração!), até por volta de 1h . Mas isso não é tudo.
Conto nos dedos os dias faltantes para chegada da quinta e da sexta. Ah, quinta e sexta-feira!!
É chegada a hora do namorado da minha vizinha vir visitá-la e é aqui que minha alegria redobra.
Eles chegam por voltam das 23h (adoro gente pontual!) e iniciam o ritual da dança do acasalamento !!
Logo após, eles incorporam animais selvagens (creio que rinocerontes) e é um tal de cama arrastando, gemidos, gritos...
Lembrem-se da minha situação: frio, chuva, solidão, enfim, ouço-os alegremente!
Como eles possuem uma rotina , eu já sei de cor qual é o próximo passo do ritual: o xixi da espécie dominante.
Sim, quando ouço o xixi (estruturas modernas da construção civil nos propiciam essa troca) sei que estamos quase no final. Estamos mesmo, pois me sinto quase parte desse ritual do final de semana.
Aliás, sinto por não ficar aos sábados e domingos para participar do todo, é uma pena.
Em ato contínuo, o casal vizinho se despe das vestimentas selvagens e encara uma outra espécie: transformam-se em araras.
É o momento de contar como foi a semana, na quinta-feira e discutir a relação, na sexta. Tudo, sempre com horário certo para terminar (eles são pontuais, lembram?): 3h da manhã.
E agora o casal, pensando em não me deixar solitária durante o dia, resolveu reformar o apartamento e o som do martelo inicia-se às 8h e vai até às 18h.
O que seria da minha vida sem essa alegria que eles me proporcionam?
E amanhã já é quinta-feira, eba!!!
Olhar para o amanhã.
Uma alma cheia de luz,
pronta para explodir fogos de artifício numa noite de lua cheia.
A fé pendurada no pescoço
Fita do Bonfim no tornozelo
Barra da saia carregada de esperança,
nos olhos a cor da paz tão esperada.
Estende os braços pra sentir o vento
Um braço de esculpir sorrisos
Um sentimento faz claridade nos olhos
até a pupila parecer arco-íris.
Suspiro.
É mudança.
Muitas, vê?
Já escolhi o destino.
(Caio Fernando Abreu)
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Gala-Dali II
"Inicialmente eu acreditava que ela iria me devorar, mas ao contrario ela me ensinou a comer o real”
(Vida Secreta de Salvador Dali - Amor e suas letras)
Gala-Dali
"Dali conheceu Gala, sua mulher, em 1928, numa festa do grupo surrealista. Ela era a mulher do poeta Paul Éluard. A devoção com que tratava a mulher despertou a ira de muitos críticos. Dali relata que Gala o seguia por toda a parte, o defendia e o protegia. “Custava-se a crer que , no meu próprio atelier, estivesse uma ...verdadeira mulher com seios, pêlos e gengivas”.. Quando ele casa com Gala, declara “somos agora dois seres arcangélicos... Gala e eu somos filhos de Júpiter... Para Dali, ele e Gala encarnam o mito sublime dos Dióscuros, nascidos de um dos ovos divinos de Leda. São eles “Castor e Pólux, os gêmeos ... divinos” .
(E. M. Lessa, O mundo genial e psicótico de Salvador Dali - Amor e sua letras)
“Gala é a estrutura que faltava na minha vida... trouxe-me ... a ordem que faltava na minha vida. Eu existia apenas num saco cheio de buracos, mole e delicado, sempre dependente de uma muleta. Ao juntar-me a Gala, encontrei a minha coluna vertebral e, ao fazer amor com ela ,renovei a minha pele. .. Ao assinar os meu...s quadros Gala-Dali, dei apenas um nome a uma verdade existencial, já que sem a meu gêmeo Gala, não existiria de modo algum.”
Diário de um Gênio escrito por Dali
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Meu olhar
Primavera e o final de semana chegando. Cheirinho de dias de paz no ar...
* há sempre uma boa coisa nos esperando, sempre.
E ela acredita, sempre! *
Olhar para amantes
Dia 22 foi o dia do amante e deixo aqui, atrasada, meus cumprimentos a todos os Ricardões e ...
(?) Não há o feminino de Ricardão?
Para os arrumadinhos existem os Mauricinhos e Patricinhas, mas para os amantes só existe o Ricardão.
Ricardão!! O cara que dá um "trato" na patroa alheia.
Será que o mundo masculino evoluiu e "nos deram o direito" de somente nós termos amantes? Não meninas, pelo contrário, a coisa é tão mais embaixo que amante não tem nem "nome". Para que nome, não é mesmo?
Ser amante é coisa de vagabunda e vagabunda não precisa ter nome, apelido...
Até mesmo o tal Ricardão foi criado para ser motivo de piada quando o vizinho é traído.
Ricardão só existe para a outra espécie de vagabunda: a mulher infiel.
E mulheres infiéis não existem em famílias margarinas. Ali, prevalece o eu posso e ela não.
Ah, e não me venham com liberalismos!
Continuamos vivendo essa cultura machista e preconceituosa, em que o papel da mulher é o da "certinha". Aquela feita pra casar!!
Eles até casam, mas depois vão à procura da sem nome, para preencher os vazios das bonecas ocas que convivem com eles.
Feliz dia das amantes para todas mulheres que se dão ao direito de serem amantes!
Ética, por Pondé.
"Parece que decidimos que “tudo é bonito se dissermos que é bonito”. Como nos contos de fadas. Mentira.
DE FATO é muito feio dizer que as pessoas devem ser julgadas pelo que elas “servem”. Mas, se o mundo está esmagado sob essa máxima funcional (as pessoas só valem quando “servem para alguma coisa”), ainda queremos que ela seja dita em voz baixa.
Muitas pessoas estão prontas para se indignar quando dizemos que alguém não “serve” para nada. Mas, no seu dia a dia, é esse mesmo jargão que rege seus atos.
Talvez, essa máxima funcional deva vir embalada em bobagens como “tenho direito de ser feliz, por isso vou lhe abandonar, porque não vejo uso em você”.
Mas eu, que tenho uma vocação natural para iconoclastia (a arte de ir contra o “coro dos contentes” e não ter medo da opinião alheia, coisa rara num mundo intelectual que agoniza sob a bota do ressentimento dos ofendidos profissionais, a nova face da velha censura), não me contenho e penso em algumas situações onde a máxima “as pessoas só valem pelo que servem para as outras” decidiria nosso futuro. Quer ver um exemplo?
O que diriam para uma jovem mulher (ou homem, tanto faz) caso seu marido (ou esposa) sofresse um acidente que o(a) deixasse inválido para a vida normal? Sem movimento, sem corpo, sem sexo, sem trabalho, sem vida, sem poder ir jantar fora, viajar ou ir ao cinema.
Será que alguém diria “fique ao lado dele até a morte”? Ou “abra mão do seu corpo, do seu movimento, do seu trabalho, do seu sexo, para cuidar dele”? Ou seria mais provável que ouvíssemos coisas do tipo: “Você tem direito de ser feliz, não sinta culpa”. Ou, talvez, num modo mais espiritual: “Talvez ele tenha escolhido esta forma de provação, mas você não é obrigada a abrir mão da vida junto com ele”. Ou ainda: “Antigamente você seria obrigada a aceitar isso como o fim da sua vida, mas ainda bem que hoje o mundo mudou e as pessoas têm o direito de buscar sua satisfação na vida sem ter que sentir culpa”.
A questão aqui em jogo é o caráter insuportável do dia a dia. A perda da liberdade de escolha na qual você é jogada por conta do acidente do outro. A hipocrisia está em negarmos que o abandono como “direito à felicidade” está sustentado na inutilidade do outro para a sua felicidade.
Talvez por conta de minha natureza arredia a festas, coquetéis e eventos, eu entre em agonia diante de tamanho papo furado. Você me pergunta: “Qual é o papo furado?”. Respondo que o papo furado é negar que vivemos sob a tutela dessa moira cega que manda em nossa existência: só temos companhia quando “servimos” para algo.
Claro que não há saída fácil para uma tragédia como essa (um acidente que destrua a vida de alguém com quem escolhemos viver junto), mas a saída começa por reconhecermos que você não tem saída. Abrir mão de sua vida é um suplício, mas o outro sabe que se tornou um estorvo em sua vida e que em algum momento terá que encarar o fato de que “não serve mais para nada”.
Terrível condição, escândalo insuperável. Seria o silêncio enquanto o abandonamos uma forma mais elegante de fugir? Talvez uma visita de vez em quando e uma boa enfermeira ao seu lado, paga por nós?
A vida nos obriga a fazer escolhas terríveis, mas parece que agora decidimos que “tudo é bonito se dissermos que é bonito”. Como nos contos de fadas. Mentira: nossas escolhas são pautadas pelo útil, nossos atos são calculados, nossos afetos são estratégicos. E a moderna ciência do egoísmo encontra as fórmulas para fazer isso tudo bonito. E o contrário disso não é a felicidade, mas a maturidade. Adultos infantis não gostam disso. Preferem ser avatares de si mesmos num mundo sempre florido.
A infantilização do mundo caminha a passos largos. Todos abraçam sua “mentira ética” como forma pessoal de marketing de comportamento. Como numa espécie de “lenda ética sobre si mesmo”, queremos projetar de nós mesmos uma imagem de doçura que, na calada da noite, traímos.
É nessa mesma calada da noite que acordo e peço a Deus que me faça não ver os outros apenas como “uso”. Mas sempre fracasso. Não pensar nas pessoas apenas como objeto de uso é uma conquista dolorosa, como tirar leite de pedras."
(Pondé, Folha de São Paulo, 19/09/2010)
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Olhar dos filhotes
"Gente esse plural singular"
Mostra dos trabalhos dos meus filhos: Julia e Mauricio.
Poesias ao vento...
Gentileza gera gentileza
Sala do Mauricio
"... eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome..."
Mauricio by Mauricio
Julinha
Minhas pinturas!
Caminhando, sempre.
Olhar de Julia
Crescer com Clarice, um privilégio.
Pós-mostra
terça-feira, 21 de setembro de 2010
...
Quando eu for, um dias desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso...
(Quintana)
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
domingo, 19 de setembro de 2010
Olhar possível no impossível.
"Senhores, a única forma de alcançar o impossível é pensar que é possível."
(Alice no país das maravilhas)
sábado, 18 de setembro de 2010
Meu olhar.
" Transforma-se o amador na coisa amada
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.
Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está ligada.
Mas esta linda e pura semidéia,
Que,como o acidente em seu sujeito,
Assim como a alma minha se conforma,
Está no pensamento como idéia;
O vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma."
(Camões)
Assinar:
Postagens (Atom)



