quarta-feira, 8 de junho de 2011

Olhar para novo blog.



Acabo de receber a notícia: nosso grupo de pesquisa sobre a imprensa gaúcha (Crime ao Vivo: a Cobertura do Crime e da Resposta Penal na Imprensa Gaúcha), sob a batuta de Salo de Carvalho, agora tem um blog lindooooo!




Olhos que veem.


Texto extraído do blog da querida Camila*.


Recebi um e-mail do Henrique, assessor com quem trabalho no gabinete do Des. Amilton, com o acórdão do agravo de instrumento nº 1001412 - 0/0, TJ de São Paulo, em anexo. 
O caso é que um menino teve seu pai morto - atropelado por uma motocicleta enquanto voltava para casa, à pé, do trabalho. Na ação de indenização que ajuizou, representado pela mãe, desempregada, em desfavor do condutor da moto, teve o pedido de Assistência Judiciária Gratuita negado no primeiro grau, eis que não teria comprovado sua pobreza e porque constituiu advogado privado.

O voto do Des. Relator fala por si só:


"Que sorte a sua, menino, depois do azar de perder o pai e ter sido vitimado por um filho de coração duro - ou sem ele -, com o indeferimento da gratuidade que você perseguia. 
Um dedo de sorte apenas, é verdade, mas de sorte rara, que a loteria do distribuidor, perversa por natureza, não costuma proporcionar.
Fez caber a mim, com efeito, filho de marceneiro como você, a missão de reavaliar a sua fortuna.
Aquela para mim maior, aliás, pelo meu pai - por Deus ainda vivente e trabalhador - legada, olha-me agora.
É uma plaina manual feita por ele em paubrasil, e que, aparentemente enfeitando o meu gabinete de trabalho, a rigor diuturnamente avisa quem sou, de onde vim e com que cuidado extremo, cuidado de artesão marceneiro, devo tratar as pessoas que me vêm a julgamento disfarçados de autos processuais, tantos são os que nestes vêem apenas papel repetido.
É uma plaina que faz lembrar, sobretudo, meus caros dias de menino, em que trabalhei com meu pai e tantos outros marceneiros como ele, derretendo cola coqueiro - que nem existe mais - num velho fogão a gravetos que nunca faltavam na oficina de marcenaria em que cresci; fogão cheiroso da queima da madeira e do pão com manteiga, ali tostado no paralelo da faina menina.
Desde esses dias, que você menino desafortunadamente não terá, eu hauri a certeza de que os marceneiros não são ricos não, de dinheiro ao menos.
São os marceneiros nesta terra até hoje, menino saiba, como aquele José, pai do menino Deus, que até o  julgador singular deveria saber quem é.
O seu pai, menino, desses marceneiros era.
Foi atropelado na volta a pé do trabalho, o que, nesses dias em que qualquer um é motorizado, já é sinal de pobreza bastante.
E se tornava para descansar em casa posta no Conjunto Habitacional Monte Castelo, no castelo somente em nome habitava, sinal de pobreza exuberante.
Claro como a luz, igualmente, é o fato de que você, menino, no pedir pensão de apenas um salário mínimo, pede não mais que para comer.
Logo, para quem quer e consegue ver nas aplainadas entrelinhas da sua vida, o que você nela tem de sobra, menino, é a fome não saciada dos pobres.
Por conseguinte um deles é, e não deixa de sê-lo, saiba mais uma vez, nem por estar contando com defensor particular.
O ser filho de marceneiro me ensinou inclusive a não ver nesse detalhe um sinal de riqueza do cliente; antes e ao revés a nele divisar um gesto de pureza do causídico.
Tantas, deveras, foram as causas pobres que patrocinei quando advogava, em troca quase sempre de nada, ou, em certa feita, como me lembro com a boca cheia d'água, de um prato de alvas balas de coco, verba honorária em riqueza jamais superada pelo lúdico e inesquecível prazer que me proporcionou.
Ademais, onde está escrito que pobre que se preza deve procurar somente os advogados dos pobres para defendê-lo ?

Quiçá no livro grosso dos preconceitos...
 
Enfim, menino, tudo isso é para dizer que você merece sim a gratuidade, em razão da pobreza que, no seu caso, grita a plenos pulmões para quem quer e consegue ouvir.
 
Fica este seu agravo de instrumento então provido; mantida fica, agora com ares de definitiva, a antecipação da tutela recursal.
 
É como marceneiro voto.

PALHA BISSON
Relator Sorteado"

*(minhasimperfeiçõesimperfeitas.blogspot.com)


Olhar do baú.

Mexendo em meu báu achei esse conto do Paulo (entrehermes.blogspot.com) que gosto tanto. Compartilhando com vcs. Bjos carinhosos!


FEMINANDO O FEMININO

Elvira tinha trinta e quatro anos. No auge da plenitude feminina, acumulava um filhote de três, um divórcio amigável com um rapaz bem de vida e uma introspecção de mergulhos em apnéia. Resolvida com suas sombras e sobre seu lugar de mulher no mundo, pensou ser pouco nobre esconder os segredos de ser mulher das outras tantas que não o sabiam. Fez uma placa luminosa, pregou anúncio nos classificados e anunciou nas rádios da cidade o inédito curso que se dispora a oferecer: “Como ter um pau menor que o dos homens: reaprendendo a ser mulher”. O curso era intensivo, quase um retiro. Na primeira semana havia mais curiosas (e curiosos) que alunos. O telefone não parava de tocar. Onze mulheres pagaram o irrisório valor cobrado para escutar Elvira, que deveras mais queria dar que receber.
Durante um mês inteiro, aquelas onze mulheres se dedicaram a cumprir os mandamentos de Elvira: enterraram suas raivas culturais contidas e deixaram brotar toda a sensibilidade escondida pela poeira dos novos tempos. Esqueceram da raiva canina de todo dia e perfumaram seus espíritos com lírios cheirando a mulheres jovens. Voltaram a ser mães atenciosas e amigas das filhas, que reaprenderam que às mulheres lhes cabe muito mais que o salto alto e a boca pintada. Também perceberam o engodo histórico: depois da submissão de antanho, a depressão de agora. E agora? O desejo eterno do gozo pela felicidade era impossível na cama redonda dos seresteiros sedutores e na quadrada dos maridos, afinal, nunca chegavam aonde queriam. Elvira ensinou a simbiose entre o ímpeto sexual e a materialização do amor, o equilíbrio das razões sensíveis nos vínculos conjugais, nos namoricos e no que mais se pudesse chamar os relacionamentos.

Das onze, quatro tinham filhos. À essas parecia que o mundo havia se resignificado pela carapuça materna. Essas quatro pobres mulheres substituíram toda doçura de ser mulher para alimentar o projeto de ser mãe. Afogaram as mulheres cheias de ternura que lhes habitavam o espírito para se tornar apenas mães. Às mães seguido lhes passa essa transfiguração conceitual. Elvira arrancou delas essa condição. As outras sete não eram menos pobres coitadas que as outras. Quiçá até piores. Vítimas de seu próprio tempo, em que ser mulher de verdade exigia demais. Não porque tinham que cumprir jornada dupla como mostrava a televisão dos insetos inconscientes, mas porque era necessária alguma nostalgia do feminino, uma visão de que sem a venenosa submissão, aquela mulher morta do passado seria a mais evoluída criatura do presente. Isso e muito mais, Elvira mostrou para suas alunas. Depois todas brocharam. Em cada uma atrofiou o pênis que a história contemporânea lhes outorgou. Ficou pequeníssimo, depois microscópico. Invisível. Sumiu. E no seu lugar nasceu uma flor sem nome.
PFF



Olhar de amor.

Olhar sem preço.


Colocaram no face:

Óculos de leitura: R$ 2.000,00
Terno Ricardo Almeida: R$ 8.500,00
Tirar foto com o livro DE CABEÇA PRA BAIXO: NÃO TEM PREÇO!

Esqueceram de colocar o valor da obra de Paulo Coelho...talvez não tenha preço tbém!






"Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina."

(N.Rodrigues) 








Olhar do meu olhar.



 ♪ ♪ Eu tenho habilidade de fazer histórias tristes

Virarem melodia ...  ♪ ♪






**Érica, ela compõe milagres.








segunda-feira, 6 de junho de 2011

Olhar compartilhado.

Olhar para além do além.


"Ela contou-lhe histórias

Ele ensinou-a a voar…"


(Chagall)



...ele ensinou para ela o significado do "para sempre"

Os amores se transformam e vão para o além do além, tornam-se infinitos.



**Érica, ela é uma aprendiz das palavras.



sábado, 4 de junho de 2011

...



Meu território é outro.

Faço parte da manada que corre para o impossível.



L.Luft


Basta olhar pra você...

Olhar para o possível.


Fico vivendo uma vida toda pra dentro, lendo, escrevendo, ouvindo música o tempo todo...solidão...
Tenho tentado aprender a ser humilde. 
A engolir o nãos que a vida te enfia goela abaixo. 
A lamber o chão dos palácios.
 A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar.
Penso: quando você não tem amor, você ainda tem as estradas.

(C. F. Abreu)


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Olhar para Carpinejar.





(...alegria de estar nadando em teus olhos)

(eu, Carpinejar e o timão!)

Que mega-sena que nada.

52 milhões não  pagam momentos como esse.

O dia que meu olhar encontrou Carpinejar.



Olhar de gravidez.


Vou ser mãe novamente daqui 20 dias. Guiñazu, meu novo bebê!!


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Mulher e amante.

Um amigo postou no face e quero dividir com vocês. Antes, deixo meu conselho:

Minha cara amiga, caso isso ocorra em sua vida, fica aqui o meu conselho:

Ressuscite o fdp no tapa!!!!





Concubina e esposa dividirão pensão

A Turma Regional de Uniformização (TRU) dos Juizados Especiais Federais (JEFs) da 4ª Região uniformizou, na última semana, entendimento de que uma mulher que se relacione com homem casado de forma estável poderá ter direito à metade da pensão por morte deste, desde que comprovada boa-fé e expectativa de que o relacionamento poderia evoluir para o casamento.
A ação que deu origem ao incidente foi impetrada pela concubina do falecido, que teve seu pedido de pensionamento negado pela 1ª Turma Recursal do RS sob o argumento de que não se configura união estável quando um dos companheiros já é casado. A autora apontou decisão da 2ª Turma Recursal de SC, que concedeu pensão em caso semelhante, e requereu a uniformização jurisprudencial.
Após examinar o incidente de uniformização, a relatora do processo, juíza federal Susana Sbrogio’ Galia, decidiu pela concessão. Segundo ela, “a realidade social abarca um amplo espectro de hipóteses de organização familiar (...) . No caso peculiar do concubinato em que um dos cônjuges já é casado, pode ser verificada, em muitas situações, a existência de verdadeiras famílias paralelas, inclusive com dependentes menores”.
Conforme a juíza, os parâmetros para considerar o concubinato uma entidade familiar são afetividade, estabilidade, ostentabilidade (considerada unidade familiar que se apresenta publicamente) e expectativa de evolução para o casamento. Susana entendeu que a existência dessas características comprova a boa-fé da autora, tendo esta direito a pensionamento.
Na página da Coordenadoria dos JEFs neste Portal, está disponível um informativo com as decisões mais importantes tomadas pela TRU.




Olhar sem sentido.


"...E que fique muito mal explicado.

Não faço força para ser entendido.

Quem faz sentido é soldado..."

(M. Quintana)


quarta-feira, 1 de junho de 2011

Olhar de amor e morte.

(M. Chagall)

Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Porque nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. Na nossa cabeça, a morte não acontece como pode acontecer de eu discar um número telefônico e, ao invés de alguém atender, dar sinal de ocupado. A morte, fantasticamente, deveria ser precedida de certo ‘clima’, certa ‘preparação’. Certa ‘grandeza’. Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente. E então o espanto e o desamparo, a incompreensão também, invadem a suposta ordem inabalável do arrumado (e por isso mesmo ‘eterno’) cotidiano. A morte de alguém conhecido e/ou amado estupra essa precária arrumação, essa falsa eternidade. A morte e o amor. Porque o amor, como a morte, também existe – e da mesma forma, dissimulada. Por trás, inaparente. Mas tão poderoso que, da mesma forma que a morte – pois o amor também é uma espécie de morte (a morte da solidão, a morte do ego trancado, indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável) – nos desarma. O acontecer do amor e da morte desmascaram nossa patética fragilidade.
(C. F. Abreu)