segunda-feira, 2 de julho de 2012

Olhar de cheiro.





O Amor não deveria ser exigente,

senão, ele perde as asas e não pode voar;
torna-se enraizado na terra e fica muito mundano.
Então ele é sensualidade e traz grande infelicidade e sofrimento.
O amor não deveria ser condicional, nada se deveria esperar dele.
ele deveria estar presente, por estar presente, e não por alguma recompensa, e não por algum resultado.
Se houver algum motivo nele, novamente seu amor não poderá se tornar o céu. Ele está confinado ao motivo;o motivo se torna sua definição, sua fronteira.
Um amor não motivado não tem fronteiras:
É a fragrância do coração.

Osho



domingo, 1 de julho de 2012

Olhar bobo.



O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando." 

Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia. 

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski. 

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. 

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?" 

Bobo não reclama. Em compensação, como exclama! 

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz. 

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem. 

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas! 

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

Clarice Lispector



quarta-feira, 27 de junho de 2012

Meu olhar.


Explicar as coisas que eu sinto, 


é quase como explicar as cores para um cego.



B.Marley





terça-feira, 26 de junho de 2012

Olhar de mulher-maravilha.


Hoje acordei cansada dessa brincadeira. Cansada de ser sempre forte, guerreira, mulher-maravilha. Não, não sou nada disso por opção. D. Vida me fez assim. Por opção eu gostaria de ser a Sandy. Tenho por mim que mulheres de fala mansa são "bem tratadas" pela vida. Mulheres como eu assustam, afastam. Tudo   eu consigo resolver, me virar...sou forte. Todos acreditam nessa minha fortaleza. Mal sabem eles que sou feita de carne e osso.   Todas as manhãs abro meu guarda-roupa e colo minha fantasia de super-mulher. Faça chuva ou faça sol; sorrindo ou chorando faço o meu trabalho. Confesso que hoje não tive vontade. Confesso!

domingo, 24 de junho de 2012

O olhar.


Porque tu sabes que é de poesia minha vida secreta.

Hilda Hilst

terça-feira, 12 de junho de 2012

Vai um amor aí?


Amooo o dia dos namorados. E nem venha me dizer que é uma data inventada pelo comércio ou com qualquer outra frase que estrague minha alegria em comemorar esse dia. Simplesmente amo. Dá uma vontade de sair abraçando, beijando todo mundo, colando coraçãozinho em tudo que vejo.
Dia de celebrar o amor e seja "ele" quem for, como for, celebre!
Você: casado, solteiro, separado, tico-tico no fubá, ficante, amante, pegante, resolvido...aproveite o dia para consumir. Consuma, consuma muito amor nesse dia!! 

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Olhar de vadia.




Vadi@ ou vadia, eis que a questão. A primeira é de mentirinha, a segunda é pra valer.
Você me pergunta como pronunciar a palavra "vadi@"? A resposta é: não se pronuncia. A intenção no uso de "@" no lugar da vogal que designa o gênero de uma palavra é exatamente ser politicamente correto e emudecer a palavra. Coisa de fascista.
Pergunto-me: que mente brilhante teve tempo vazio o suficiente para pensar em algo tão sublimemente vazi@? Mas e "vadia"? Vadia, até ontem, era uma mulher fácil. Mas, agora, é um termo que designa um novo direito: aquele de vestir saia curta, mostrar os seios, e não ser objeto de violência sexual. Tem todo meu apoio. "Homem que é homem não bate."
No fundo, o novo uso da palavra "vadia" significa: "só gosto de apanhar de quem me dá tesão", como me disse, uma vez, mais ou menos assim, uma aluna, para definir o que era, para ela, uma mulher emancipada.
O movimento das vadias, nascido no Canadá, retoma a ideia de ser vadia de uma forma bem-humorada e, espero, sem incorrer no erro clássico do feminismo: deserotizar a mulher a fim de torná-la "cidadã".
Uma das coisas que me faz simpatizar com a "agenda das vadias" é sua estética, que a distancia da agenda careta e puritana do feminismo institucionalizado. O puritanismo feminista, que não entende nada de mulher, faz da mulher uma "camarada" vestida de homem em meio a um mundo brocha de tanta exigência de igualdade entre os sexos.
Pecado dá mais tesão do que a revolução sexual, esta brincadeirinha de menina de classe média.
Não existe "sexo correto", sexo é o lugar no qual nos perdemos, e por ser gostoso, sempre "metemos" os pés pelas mãos.
Aliás, o sentido ambíguo da palavra "metemos" nesta frase (num contexto sobre sexo) fala mais de sexo do que uma lei que diga que "sexo é dever do Estado e direito de todo cidadão" ou que "sexo é saudável e que devemos praticá-lo três vezes ao dia, segundo pesquisas em Harvard".
Como diria Freud, sendo irônico: "Penis normalis dosim repetatur" não resolve o problema da histérica. Veja, por exemplo, a literatura sadiana (do Marquês de Sade, autor do século 18, chamado de "divino" por quem provavelmente não faz sexo): existe coisa menos erótica do que sua histeria a favor do "sexo livre"? Sade cresce quando fala que a natureza é perversa e não quando fazem dele arauto da Revolução Francesa e sua breguice ideológica.
O risco maior é do movimento das vadias fazer da vadia uma vadi@ e com isso revelar nosso preconceito contra as verdadeiras vadias, mulheres que encantam o mundo com seu Eros intratável.
As verdadeiras vadias devoram homens porque em sendo promíscuas, entendem mais sobre a alma humana do que "padres, freiras e revolucionários", parentes muito próximos das feministas, e mais afins com a tendência de fazer do sexo um "direito de todo cidadão".
Quem diz coisas como "sexo é saudável" faz gargarejo e escova os dentes depois de fazer sexo oral.
Recomendo para quem quiser ser vadia pra valer e não vadi@, a trilogia de E.L. James, uma inglesa, "Fifty Shades", cujo primeiro volume, "Fifty Shades of Grey" (cinquenta tons de cinza) é best-seller absoluto no mundo de língua inglesa.
O livro narra o romance entre um homem de cerca de 30 anos, "macho alfa" (rico, bonito, seguro, inteligente) e uma mulher de cerca de 20 anos, também arrasadora. Surpresa: ele curte "sadomasô" light e ela se descobre apaixonada pela submissão sexual ao homem como jogo de prazer. Contra quem acusa seu livro de "machista", a autora diz que graças ao seu livro as mulheres estão conseguindo falar de sexo de novo depois de anos em silêncio devido à patrulha das "camaradas".
A diferença entre vadi@ e vadia é que enquanto a primeira geme de ressentimento porque é mulher, a segunda geme de tesão quando puxam seu cabelo. Depois, ela toma um banho e vai numa reunião de negócios sem que ninguém suspeite em qual secreta posição ela gosta de apanhar de quem lhe dá tesão.
Amanhã é Dia dos Namorados. Compre uma saia de vadia pra sua namorada. E não escove os dentes depois.

(Pondé, Folha, 11/06/2012)


domingo, 3 de junho de 2012

Meu olhar




O mundo não tem ordem visível e eu só tenho a ordem da respiração. 

Deixo-me acontecer.

Clarice Lispector

segunda-feira, 28 de maio de 2012

sábado, 12 de maio de 2012

Olhar de mãe.




Meus filhos, meus órgãos vitais. 
Posso ter dúvidas imensas sobre tudo, 
mas tenho uma única certeza: 
nasci para ser mãe. 
E ser mãe de três seres humanos tão especiais,
 é um privilégio. 


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ponto de vista.




Achamos que nos conhecemos, que conhecemos o outro, que sabemos tudo e um pouco mais. Ledo engano! Ver vai além do enxergar.



"Em algum lugar do tempo, mais além do tempo, o mundo era cor de cinza. Graças aos índios ishir, que roubaram as cores dos deuses, agora o mundo resplandece; e as cores do mundo ardem nos olhos que as olham.



Tício Escobar acompanhou uma equipe de televisão, que viajou até o Chaco, vinda de muito longe, para filmar cenas da vida cotidiana dos ishir.



Uma menina indígena perseguia o diretor da equipe, silenciosa sombra colada ao seu corpo, e olhava fixo a sua cara, muito de perto, como querendo meter-se em seus estranhos olhos azuis.



O diretor recorreu aos bons ofícios de Tício, que conhecia a menina e entendia a sua língua. Ela confessou:



- Eu quero saber de que cor o senhor vê as coisas.



- Da mesma forma que você - sorriu o diretor.



- E como é que você sabe de que cor eu vejo as coisas?"




Eduardo Galeano  

Olhar de dúvida.


Cá entre nós: fui eu quem sonhou que você sonhou comigo?
Ou teria sido o contrário?


Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Olhar para Guiñazu.


Um ano de amor e mais amor, meu Guiñazu.




terça-feira, 24 de abril de 2012

Olhar da delicadeza do viver.


Bonito mesmo é essa coisa da vida: Um dia, quando menos se espera, a gente se supera e chega mais perto de ser quem na verdade a gente é.

Caio F. Abreu

Desejo


domingo, 8 de abril de 2012

Da infinitude do amor.


Entrevista de Marília Gabriela com Gianecchini, de emocionar.

Sobre a infinitude de certos afetos.