segunda-feira, 14 de março de 2011

Olhar para o dia da poesia.


"A poesia é, de fato, o fruto
de um silêncio que sou eu, sois vós,
por isso tenho que baixar a voz
porque, se falo alto, não me escuto

A poesia é, na verdade, uma
fala ao revés da fala,
como um silêncio que o poeta exuma
do pó, a voz que jaz embaixo
do falar e no falar se cala.
Por isso o poeta tem que falar baixo
baixo quase sem fala em suma
mesmo que não ouça coisa alguma."

(F. Gullar) 




"Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo

como de um alçapão.

Eles não têm pouso

nem porto

alimentam-se um instante em cada par de mãos

e partem.

E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

no maravilhado espanto de saberes

que o alimento deles já estava em ti..."

(Quintana)







Olhar para Érica.



"Ela tem muita dúvida como todos têm.

Mas nem todos sabem a beleza de saber lidar com a tristeza.

Ela sabe.

Ela ouve a música que seu coração pede

e modela seu ritmo ao seu estado de espírito.

Ela dança a coreografia de seus sentimentos, e todos podem ver. 

(…)

Ela é uma moça de poses delicadas, 

sorrisos discretos

 e olhar misterioso. 

Ela tem cara de menina mimada,

 um quê de esquisitice, 

uma sensibilidade de flor, 

um jeito encantado de ser, 

um toque de intuição 

e um tom de doçura. 

Ela reflete lilás, 

um brilho de estrela, uma inquietude, 

uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. 

Ela é intensa

e tem mania de sentir por completo, 

de amar por completo 

e de ser por completo. 

(...)

Ela é mais que um sorriso tímido de canto de boca,

dos que você sabe que ela soube o que você quis dizer.

Ela fala com o coração

e sabe que o amor, não é qualquer um que consegue ter.

Ela é a sensibilidade 

de alguém que não entende

 o que veio fazer nessa vida,

 mas vive."


(C.F.Abreu)






domingo, 13 de março de 2011

Olhar para Américo.




"Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos Bandolins...
E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim

Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos bandolins...

Como fosse um lar
Seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite
Caminhava assim

E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam a fada
Do meu botequim...

Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim

Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos Bandolins..."




**Para embalar nossa dança...com carinho!




sábado, 12 de março de 2011

Olhar de partida.



"Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas. Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda-roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. 


Vou ali ser feliz e já volto."

(C.F.Abreu)



**E partiu... :)





sexta-feira, 11 de março de 2011

Olhar que se transforma, sempre.




"...É saber que tudo se move a nossa volta,

tudo se transforma e, 

até mesmo quando nos recusamos a acompanhar a dança da vida,

sem percebermos,

ela nos tira pra dançar, 

nos envolve com um ritmo novo. 

Quando isso acontece?

Quando nos abrimos para a magia de viver

 e respirar as entrelinhas, 

os silêncios..."

(C.F.Abreu)




**Érica, a que dança, rodopia...



Olhar do cuidado necessário.



"Lava devagar o rosto na água do arco-íris. 


Bebe seu cházinho de pétalas de rosa branca


 amarela não, que dá azia. 


Escova devagar as asas, pluma por pluma.


Só depois de bem bonita 


é que bate de leve


 na porta da nuvem ao lado."


(C.F.Abreu)



**Érica, a que mora na nuvem ao lado.



quinta-feira, 10 de março de 2011

Olhar para meu netinho Teddy.



Dia de festa aqui em casa. 

Teddy, o filho urso do Mauricio, faz 5 anos.

 Mauricio me lembrou da importância da data. 

Fizemos bolo, cantamos parabéns, Teddy cortou o bolo, fez um pedido e só faltava uma coisa...

- Mãe, você precisa colocar o aniversário do Teddy no blog, ele é seu neto.

Parabéns Teddy querido!!!







quarta-feira, 9 de março de 2011

E o ano começa...




Se você vai tentar, vá com tudo.
Senão, nem comece.

(Bukowski - Jogue os Dados)



**Érica, a que apostou todas as suas fichas.




    

domingo, 6 de março de 2011

Olhar de procura.


Se alguém me achar, me devolva.


(Carpinejar)








Olhar estrelado.








"Te dou um Céu

Cheio de Estrelas

Feitas com caneta bic

Num papel de Pão."



Zeca Baleiro






sexta-feira, 4 de março de 2011

Olhar de carnaval.



Carnaval chegando...bueno, o clima aqui não tá pra carnaval, mas como diria Zeca Pagodinho: "deixa a vida me levar, vida leva eu..." Melhor dar um perdido na folia e seguir seguindo, tá ligado?

Negócio é o seguinte brother, senta que a parada hoje é sobre esse acontecimento chamado carnaval.

Não falo do carnaval em clubes, cidades pequenas...eventos em extinção. São tão deprimentes que o melhor é ficar em casa. E nem mesmo dos carnavais com suas boquinhas da garrafa, axé music (nada contra, amo Ivetão!) e outras pérolas carnavalescas.

 ♪♪ vou não, quero não, posso não,
 minha mulher não deixa não,
não vou não, quero não ♪♪ 

 (aqui em casa "minha mulher" foi substituída "por minha mãe")


Falo do carnaval de verdade, aquele feito no Rio de Janeiro. São Paulo que me desculpe, mas samba quem faz é o carioca. 
Ok, tenho lá meus senões com os cariocas. "Um pouco folgado demais" para minha paciência paulistana, mas nada é perfeito...que me perdoem os cariocas! 

 ♪♪ O Rio de Janeiro continua lindo ♪♪

Na outra vida quero nascer no Rio de Janeiro. Não pela cidade maravilhosa, bailes funks (eu ainda vou em um quebra barraco dos bons! Sim, tenho meu lado popozuda.), um Fla x Flu e todas suas delícias, mas pelo samba. 
  
♪ Alô Rio de Janeiro
Aquele Abraço!! 

Nessa época do ano é possível acompanhar todos os preparativos para o carnaval. Uma comunidade inteira reunida. Nos dias de desfile não há lugar nas arquibancadas. Mãe, avós, filhos, cantam o hino da sua escola, choram, riem, sambam...de encher os olhos de qualquer um!! 

 ♪♪ Quem não gosta de samba bom sujeito não é.
É ruim da cabeça ou doente do pé. ♪♪ 

E se minha mãe estiver correta eu tô feita. Ela garante que existe uma outra vida e é aí que eu entro sangue bom.

Uma pena gravidez durar apenas nove meses! Eu queria mesmo é ir para avenida na barriga da mamãe e nascer em noite de carnaval.
Nascida no samba...que privilégio!

Iria para os meus primeiros ensaios aos dois anos. Biquini bordado de lantejoulas e muita pedraria, coroa na cabeça e meu sambinha no pé. Igualzinha aquelas meninas da reportagem do jornal de ontem - que inveja!

Aos sete anos seria coroada rainha mirim da bateria da escola. Iria ao lado daquela que eu substituiria uma dia.

Viveria o carnaval 365 dias por ano. Sonharia com o enredo, com o Negrinho da Beija-Flor gritando: "Olha a Beija-Flor aí, gente.. . chora cavaco", mesmo eu não sendo da Beija-Flor. E percorreria todos os cantos da quadra na procura do cheiro, dos brilhos, dos tecidos, dos carros alegóricos, da "minha bateria"...

Ah, os ensaios! Ficaria até altas horas sambando, sambando, sonhando...aprendendo diferenciar cada nota do caixa, do repinique, do surdo e da cuíca. 

Não, nessa outra vida não teria sonhos universitários ou qualquer outra maluquice. Por favor, não me recriminem por isso. Lembra que essa é continuação daquela? Saldo quitado nessa "vida presente" e na outra poderei me dar ao luxo de ser quem eu quiser. 

Profissão?  PA SSIS TA!!! 

E quando meus vinte anos chegarem eu finalmente serei rainha da bateria.
Terei uma daquelas bundas que eu vejo na televisão. Não é bunda de atriz da Rede Globo, é bunda de verdade. Bunda moldada no samba. Se bem que só em nascer no Rio já ajuda muito. Parafraseando o poetinha: as feias que me desculpem, mas carioca é carioca! Vá nas praias do Rio e saberá o significado de mulher gostosa.

Voltando para a bunda...
No ano passado tinha uma passista no programa do Huck (ok, eu também assisto Caldeirão do Huck) com a bunda mais linda que eu já vi. E não me confundam, vocês sabem que eu gosto daquilo que balança. Mas na real, se eu tivesse uma bunda daquelas...meus problemas estariam acabados.

Mas nada de lamentações, na outra vida eu terei uma :) e seguirei feliz da vida o meu reinado.

E por falar em reinado...
Mulher de princípe, anel de pedra azul, souvenirs com foto dos noivos, festa cheias de frescuras...que porra é essa? Meu reinado é que o negócio, tá ligado mermão?!

Infelizmente toda majestade um dia perde seu reinado, aqui para gravidade,  e assim, aos quarentinha eu entraria para ala das baianas. Roupas brancas, evocando a força das mães de santo, minha mãe Janaína e lembranças dos escritos do Jorge (meu)Amado. E rodopiaria, rodopiaria...

Com o passar dos anos chegaria na velha guarda.
Quem sabe D. Vida, nessa minha nova vida, tenha sido ainda mais generosa, e além de uma vida no samba, ela  tenha brindado (escrevi blindado duas vezes, Freud explica) com um amor tipo Cartola e D. Zica? Iria para avenida cercada de filhos, netos, todos criados no macarrão e feijão preto. Eu seria um orgulho para comunidade, um patrimônio da escola. E quando chegasse meu momento de partir para outra vida (minha mãe também garante  que temos várias - tipo vida de gato) seria embalada e não velada, ao som do samba enredo da minha escola do coração e partiria, já com vontade de voltar.

É, vou caminhando e cantarolando Chico:


"Estou me guardando pra quando o carnaval chegar!"






quinta-feira, 3 de março de 2011

Olhar para vida.

(Gustav Klimt)


"Se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos

não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz,

 e sim que a vida os obriga outra vez

e muitas vezes

a se parirem a si mesmos."


(G.G. Márquez)




**Érica, a que está em pleno trabalho de parto.




quarta-feira, 2 de março de 2011

Olhar cansado.



Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe?

O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital".

Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas.

Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.

Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração.

Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.

Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio.

E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar.

Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam.

Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada.

Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça.

Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa.

Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis.

Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:

- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga , mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca ...
 
 
 
**Érica, a que anda devagar pela casa,
 prepara um bolo, um chá quente
para acolher sua própria alma.
    Ela tenta sobreviver...


terça-feira, 1 de março de 2011

Olhar que vale muito!

Li o post que transcrevo abaixo no blog do Sérgio, Utopia do Direito (sergioaquino.blogspot.com) e colhi para dividir com vocês. Sérgio possui o dom de escrever e sensibilizar.  
Aqui, ele chega de mãos dadas com Bauman (na linda foto), nosso grande mestre.







E, novamente, uma (in)compreensão sobre a infinitude a partir de Bauman




Retomei algumas de minhas leituras favoritas enquanto não volto para os estudos de minha Tese de Doutorado. Há algum tempo, tracei (ou tentei) os conceitos operacionais de Eternidade e Infinitude nesse Blog. Essa semana deparei-me com as palavras de Bauman sobre esse último fenômeno citado - Infinitude. Para esse Sociológoco, a ordem dessa expressão está na inabalável crença da imutabilidade. A Infinitude é uma manifestação que pertence à ordem divina e não humana. Por esse motivo, permitiu-se, a partir do imaginário social, que as pessoas pudessem crer nos planos traçados - ainda que desconhecidos - por Deus. Entretanto, essa ordem supra-sensível, imutável e inabalável ganhou, dentro da perspectiva humana, um oponente admirável: a nossa falibilidade. Na medida em que se vive dentro de um globalizado, dos quais as pessoas se comunicam, mas não se conhecem e não desejam enfrentar a profundidade dos olhos e emoções alheias, e, também, da intolerância sobre o valor da vida, a Infinitude se perde no Mundo Líquido-Moderno. As relações humanas se tornam frágeis, o contato é trocado pela alta velocidade - e quantidade - de informações trocadas a cada segundo (veja-se o Facebook, por exemplo). A cada Turista no mundo, como diria Bauman, surgem mais e mais refugos humanos. Os vagabundos, conforme sua própria classificação, são mais abundantes, frustrados e castrados de sua própria liberdade e sonhos. A Infinitude deixa de ser aqueles espaço no qual cada um será recompensado por seus esforços, mas, ainda, tudo o que se faz - bem ou mal - tem seu lastro de importância - E DEVE TER. A indiferença não pode transitar livremente no mundo humano e permitir a deterioração daquilo que tem a capacidade de nos unir. Apesar de TUDO no mundo Líquido-Moderno ser, aparentemente, descartável, INCLUSIVE TODOS NÓS, existe, quem sabe, um pequeno lugar que reconheça o valor da diferença como modo de se enxergar, com maior nitidez, nossa humanidade: A ALTERIDADE. Seria esse o patamar de vida procurado por todos, protegido pela Infinitude, mas, também, EN-coberto pelo véu de Ísis? Deixo a resposta para a imaginação de cada leitora e leitor...





Olhar para outra.


Mauricio entrou no carro feliz da vida ontem.

- Mãe, hoje eu brinquei muito com a Helena. No meio da brincadeira a Maria Fernanda veio, entrou na minha frente e falou assim para Helena:

- Vou fazer uma coisa com o meu Mauricio. 

Ele sorriu  e completou:

-Ela falou que eu sou dela mãe!


É, mulheres, só dão valor quando entra outra na jogada.