"O único final feliz para uma história de amor é um acidente" - João Paulo Cuenca - Companhia das Letras.
Uma fotografia da impossibilidade do amor e um ensaio sobre a artificialidade das criações humanas.
** “acho que não sonho porque todos os dias eu sou sonhada por outros. Eu mesma sou um sonho. Sonhos não podem sonhar, não é?” **
"O olhar é o personagem principal do mundo de Narciso, central no mito de Édipo e é ele que confere o aspecto cênico da fantasia constituída pelo quadro que cada sujeito pinta para colocar em sua janela do real." (Um olhar a mais - A. Quinet.) O meu olhar... É um prazer ter o seu olhar aqui!
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Xeque, mate ou mate e xeque.
"Tinha ele ainda necessidade dela? Ou ela dele? Não se dedicavam ambos a um jogo sem fim? Era esse um desígnio pra qual se precisasse viver? Não, nunca! Esse jogo chamava-se Sansara [1], um brinquedo para criança, agradável talvez para quem o usasse uma vez, duas vezes, dez vezes. Mas, pra que recomeçá-lo sempre e sempre?
Nesse instante, Sidarta deu-te conta que o jogo terminara, de que jamais poderia voltar a fazer parte dele. Um calafrio perpassou em seu corpo. Sentiu que algo acabava de morrer na sua alma."
(H. Hesse - Sidarta)
[Sansara: as vicissitudes do mundo, da vida e da morte da existência humana; a instabilidade e a efemeridade das coisas; a agitação do mundo; a vaidade e a inquietude da vida humana.]
* um jogo onde não há ganhadores.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Contra a pena de morte.
Carta de São Paulo: Em favor da abolição ou moratória universal da pena de morte.
As recentes notícias sobre execuções de penas de morte em diversos países do mundo, como nos Estados Unidos da América, China, Japão, Afeganistão e Irã, particularmente as que por meio de apedrejamento se executam contra mulheres e por condutas que não devem ser consideradas delitos e muito menos delitos muito graves, avivam a recordação a todos os amigos do progresso dos direitos humanos da necessidade de seguir denunciando a pena de morte como pena cruel e desumana, contrária ao direito à vida e à dignidade da pessoa, também nos países que já aboliram a pena capital.
O compromisso contra a pena de morte inclui também as formas em que esta se executa a margem da lei, pelo uso policial abusivo da força letal, fenômeno que obscurece o êxito deste continente latino-americano, que do Rio Grande até a Patagônia, é território livre da pena capital, pois esta foi abolida na maioria dos países e não é executada nos últimos sete anos.
Os mais de mil juristas reunidos no 16º Seminário Internacional do Instituto Brasileiro de Ciência Criminais — IBCCRIM — dirigem-se ao Secretário Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para lembrá-lo de sua responsabilidade em garantir o estrito cumprimento das salvaguardas estabelecidas pela ONU para os países que ainda hoje mantêm a pena capital, assim como para encarecer-lhe que faça o quanto possa para que a Assembleia Geral da ONU confirme a resolução pela moratória universal, como caminho para a abolição e em favor da ratificação geral do Segundo Protocolo Opcional do Pacto de Direitos Civis e Políticos até 2015.
Encarecem a constituição da Comissão Internacional para abolição da pena de morte, que é patrocinada pelo Governo da Espanha, país em que se celebrará o próximo congresso mundial da World coalition against the death penalty, e apóiam o trabalho da Rede Acadêmica Internacional contra a pena capital, da qual é membro fundador o IBCCRIM, integrada pelas grandes associações científicas, institutos universitários e personalidades acadêmicas de todo o mundo (academicsforabolition.net).
Assim, estimulam o debate internacional contra a pena capital, incorporando-o ao debate geral a favor dos objetivos da Declaração do Milênio, pelo que eles têm de compromisso em favor dos direitos humanos, contra a discriminação da mulher e contra deixar morrer de fome e doenças milhões de pessoas em todo o mundo. A Declaração do Milênio contém numerosos compromissos contra a violência criminal, como a guerra ilegal, o terrorismo e o crime organizado. É também uma declaração contra a violência; e a maior lição de civilização que se pode dar contra os violentos é a renúncia do Estado a matar a sangue-frio, a recorrer à pena capital.
São Paulo, 27 de agosto de 2010.
Sérgio Mazina Martins, Presidente do IBCCRIM, São Paulo
Marta Saad, Vice-presidente do IBCCRIM, São Paulo
William Schabas, Presidente da Rede Acadêmica Internacional contra a pena capital e diretor do Instituto de Direitos Humanos da Irlanda, Galway.
Sérgio Salomão Shecaira, Professor Titular de Direito Penal da USP, São Paulo
Luis Arroyo Zapatero, Presidente da Societé Internacionale de Défense Sociale, Toledo.
Jorge de Figueiredo Dias, Presidente honorário da Fundação Internacional Penal e Penitenciária, Catedrático emérito da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
John Vervaele, Vice-presidente da Associação Internacional de Direito Penal, Utrecht
Carlos Eduardo Adriano Japiassú, Presidente do Grupo Brasileiro da AIDP e professor da UERJ/UFRJ, Rio de Janeiro
Sandra Babcock, Co-diretora da Rede Acadêmica Internacional contra a Pena Capital, Chicago
Elias Carranza, Criminólogo e diretor do ILANUD, São José da Costa Rica
José de Faria Costa, diretor do Instituto de Direito Penal e Criminologia de Coimbra
Luis Fernando Niño, professor da Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires
Paula Andréa Ramírez Barbosa, Professora de Direito Penal em Bogotá
Alberto Silva Franco, Presidente de Honra do IBCCRIM, São Paulo
Carlos Vico Mañas, Desembargador e ex-presidente do IBCCRIM, São Paulo
Marco Antonio R. Nahum, Desembargador e ex-presidente do IBCCRIM, São Paulo
Renato de Mello Jorge Silveira, Presidente do Instituto Manoel Pedro Pimentel e Professor Titular de Direito Penal da USP, São Paulo
Odilon Pereira, Diretor do Departamento de Direito Penal do Instituto dos Advogados Brasileiros, Belo Horizonte
Stella Maris Martínez, Secretária geral da Associação Interamericana de Defensorias Públicas, Buenos Aires
Luis Fernando Camargo de Barros Vidal, Presidente da Associação Juízes para a Democracia, São Paulo
Paulo Sérgio de Oliveira, Presidente da Associação dos Advogados do Interior do Estado de São Paulo - AAIESP
Ivan Martins Motta, Diretor do IBCCRIM, São Paulo
Antonio Milton de Barros, Coordenador estadual do IBCCRIM
Márcio Barandier, Advogado, Rio de Janeiro
Antonio Magalhães Gomes Filho, Diretor da Faculdade de Direito da USP, São Paulo
Maria Thereza Rocha de Assis Moura, Professora de Direito Processual Penal da USP, São Paulo
Mariângela Gama de Magalhães Gomes, Professora de Direito Penal da USP, São Paulo
Luis Greco, Docente da Universidade de Munique
Ranulfo de Melo Freire, Desembargador Aposentado, São Paulo
Juarez Tavares, Professor Titular de Direito Penal da UERJ, Rio de Janeiro
Luciano Anderson de Souza, Diretor do IBCCRIM, São Paulo
Susana Aires de Sousa, Docente Universitária, Universidade de Coimbra
Roberto Podval, Ex-presidente do IBCCRIM, São Paulo
Marta Rodrigues de Assis Machado, Professora de Direito Penal da FGV-SP, São Paulo
Participe desse compromisso. Participe por acreditar assinando o manifesto contra a pena de morte no site do IBCCRIM:
www.ibccrim.org.br
domingo, 5 de setembro de 2010
Olhar para simplicidade
"Tudo que parece meio bobo é sempre muito bonito, porque não tem complicação. Coisa simples é lindo. E existe muito pouco... "
(C F Abreu)
(Renoir: Nude in the Sunlight, 1876)
-Toque nela com cuidado, senão ela foge.
- A coisa ou a pessoa?
- As duas.
(C F Abreu)
*sem explicação, sem complicação
apenas com cuidado...
Olhar de transformação
"Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente.
E desde então, ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelo café.
Como era tocante vê-los no “17″! - O homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante moca, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial…
Como era tocante vê-los no “17″! - O homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante moca, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial…
Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho: “Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!…”
Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n’água. E a água fez redemoinho, que foi depois serenando, serenando… até que o peixinho morreu afogado.
(M. Quintana - 1976)
(M. Quintana - 1976)
sábado, 4 de setembro de 2010
...
"Apenas raramente alguém recebe a permissão para entrar no seu templo. É assim que deve ser. Se a multidão entrar e sair, então o templo não será mais um templo. Poderá ser o salão de espera de um aeroporto, mas não pode ser um templo.
Apenas raramente, muito raramente, você permite que alguém entre no seu eu. É isso que é o amor."
(Osho)
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Olhar cansado
"(...) olhos profundamente desencantados.
Sabes de tudo sobre esse possível amargo futuro. Sabes(...)que essa porta a ser aberta agora,logo após teres dito tudo,te conduza ao céu ou ao inferno. Mas sabes principalmente,com uma certa misericórdia doce por ti,por todos,que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente,não importa. Só não saberás nunca que neste exato momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva.
Como um trapezista que só repara na ausência da rede após o salto lançado, acendes o abajur do canto da sala depois de apagar a luz mais forte"
Como um trapezista que só repara na ausência da rede após o salto lançado, acendes o abajur do canto da sala depois de apagar a luz mais forte"
(C F Abreu)
* Como dizia Cazuza:
"As possibilidades de felicidade
São egoístas, meu amor
São egoístas, meu amor
Viver a liberdade, amar de verdade
Só se for a dois
(Só a dois)"
É que ando cansada ...
Olhar para hoje
Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir os nãos que a vida me enfia pela goela a baixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar um café e continuar.
(C F Abreu)
* acordei farta de semi-deuses!!!
Um café, por favor
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Osho
"Sempre que houver alternativas tenha cuidado.
Não opte pelo conveniente,
pelo confortavel, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso.
Opte pelo que faz o seu coração vibrar.
Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências."
(Osho)
* que inveja tenho eu
dessas espécies de gente
que possuem vidas estáveis,
sem pensar nas alternativas do viver.
Vivem tranquilos em suas confortáveis poltronas. *
Olhar para setembro
Setembro estava chegando enfim.
(C F Abreu)
* já não suportava mais caminhar por agosto!
Que venha setembro: com seus ares novos, suas flores...
Olhar de silêncio
E não foi preciso uma só palavra
ouviram juntos o silêncio
ouviram juntos o silêncio
No entrelaçar dos braços
Um silêncio ensurdecedor
O silêncio dos amantes - daqueles que amam
E permaneceram quietos
em seus silêncios
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