quarta-feira, 18 de março de 2015

Um cafajeste para chamar de seu.

Quem nunca o desejou que atire a primeira pedra.


Por que as mulheres gostam dos cafajestes?


As mulheres podem não casar com os cafajestes, mas elas os amam. Ao menos aquelas que gostam de sexo. Qual o segredo desses homens? Simples: são kantianos às avessas.
Uma das formas do imperativo moral kantiano, e que tem a ver com toda uma linha de nossa moral moderna, diz que não devemos tomar o ser humano senão como um fim em si mesmo, se quisermos manter sua dignidade. Desse modo, na relação amorosa, o sexo necessariamente segue na contramão da moral, pois ele faz da mulher (só da mulher, considerando a visão datada de Kant quanto a gênero, e que manteremos aqui neste texto) um objeto, um instrumento do uso e prazer do homem. Ora, é exatamente esse kantismo que o cafajeste conhece.  Ele, o cafajeste, é o contrário do adolescente amoroso, que nisso se aproxima da menina romântica do passado. O garoto quer uma namorada antes como a irmã e a mãe, enquanto que o cafajeste entra para o amor e o sexo com os olhos de Kant. Sexo é uso. Sexo é necessariamente objetificador e, portanto, se vai ocorrer, é para por a mulher sob a condição de instrumento do prazer masculino. O cafajeste “bom de cama” submete a mulher à posição do animal e a penetra com a força adequada, tirando prazer dela, mas ficando com ela o suficiente para que ela possa viver essa subjugação, essa utilização e, então, gozar “como bicho”. Surge então o amor-paixão por parte da mulher que não é anorgásmica. Ela se perde. Ela não consegue mais pensar em outra coisa. Os defeitos do homem ficam completamente diminutos diante da monstruosidade que ele é capaz de fazer com seu pau.
“Deus me livre ser tratada como irmã ou mãe por um homem!” – diz a mulher sexualizada. E completa: “O Diabo me livre de ter um homem de pau pequeno!”. A mulher atual pode não dizer isso em público, para homens. Aliás, ela mente para os homens e em público sobre a inutilidade do pau grande e, de certo modo, sobre seu tesão pelo cara que está na penitenciária, peludo, mau caráter de nascença e que já colocou algumas mulheres no caixão por tapas e facadas pessoais. A verdade disso aparece quando um tipo desses cai na imprensa; ele passa a receber milhares de pedidos de namoro e casamento. Há mulheres que escrevem pedindo para apenas ganharem o direito da visita íntima, de modo a servirem-se a esse deus como leitoas assadas de maçã na boca. Quanto mais perigoso e brutal, mais atrai. A promessa que cada serial killer traz estampada na testa é esta: “sou um tipo de kantiano, ao menos no modo como se faz o sexo”. “Tire-me a dignidade”, respondem as mulheres.
Todo aprendiz de cafajeste deveria ler Kant. Estudar Kant. Não estou dizendo que kantianos fazem bem sexo. Estou dizendo que mais importante que o Kama Sutra está a Crítica do Juízo, ao menos para um cafajeste.  Aliás, seguindo tal filósofo, o cafajeste pode se locupletar ao vê-lo aconselhando a mulher, que ao ser estuprada não deve senão reagir até a morte. Antes a morte que o estupro. (E se estuprada, então, que se mate).
Kant tentou resolver esse problema de aparente disparidade (para ele) entre a sua moral e a sua visão do sexo. Ele recriou a ideia do casamento como um contrato laico. Se ambas as partes estão de acordo com o casamento e, portanto com o sexo regular, então este sexo pode, a despeito de seu caráter instrumental e necessariamente objetificante, ser praticado. Que os homens assim façam (ufa!), uma vez que insistem em procriar. Como quase tudo em Kant, foi uma solução formal.
Todavia, para homens e mulheres que fazem sexo, a formalidade e a moral kantianas pouco importam, o que vale mesmo é a visão de Kant do ato sexual. O coito. Num coito, há de se notar o coitado. Há de fazer dele um objeto de modo que ele efetivamente saia coitado. A pior coisa do coito e não sair dele um coitado, diz qualquer mulhernormal com alguma sinapse!
Kant estava certo? Felizmente para nós, homens que não estamos em penitenciárias (e cujo pau não é uma vergonha urbana), Kant estava só metade certo. O sexo é objetificação, é uso, mas não é um uso que torna a pessoa indigna perante sua própria regra moral. Pois o ser humano envolvido acaba por tratar o outro, na maior objetificação possível, como um fim em si mesmo exatamente no momento em que o objetifica e parece tratá-lo como meio. Kant atirou no que viu e acertou no que não viu.
O sexo bom é objetificador, sim, mas exatamente para que ambos gozem em prazer mútuo. O sexo só é potencializado e se realiza na sua excelência à medida que um faz o outro gozar – goza-se no gozo do outro. Tanto é que a pergunta que se tornou cliché, o “foi bom para você”, continua indispensável e somos capazes de fazê-la sem rir. Ou rindo, mas de felicidade. Fazer o outro gozar é primordial para que o próprio gozo ocorra. Dar-se ao máximo, executar boa performancepreocupando-se despreocupadamente em não deixar o outro “correr por fora”, mas se envolver e gozar, é alguma coisa que só é possível quando o ato sexual é naturalmente objetificante. O inexperiente fica preocupado mentalmente com a mulher, e não acerta. O cafajeste não se preocupa com ela, mas exatamente aí, nesse seu pseudo-egoísmo, se torna altruísta e acerta. A mulher goza ao vê-lo só usufruindo dela, tornando-a uma puta. Ele a vê gozando e melhora ainda mais a sua atuação, e ela entra nesse ciclo que leva ambos à loucura do amor. A puta é tudo que o pai dela gostava, e tudo que a mãe dela não era, ao menos no imaginário, o que é o suficiente (se o pai é frouxo, isso não impede a mulher de, nesse aspecto, ter outro modelo masculino para fazer a mesma função).
É provável que Kant tenha morrido sem saber que acertou ao errar.
Mas o interessante é que hoje em dia os jovens poderiam aprender isso, uma vez que não se instruem mais a respeito da prática do sexo pela escola da rua, pela zona de meretrício, mas com pornôs, não raro em carpetes da própria casa! Todavia, o pornô não faz o serviço do cafajeste, ele é o pastiche do empreendimento do cafajeste. Ele objetifica o sexo, não a mulher. As feministas que reclamam do pornô falam tolices quando falam da “objetificação da mulher”. Que nada! Há pornô de todo tipo e, em alguns casos, o homem é o objeto. A objetificação é do sexo, é a questão do close e da transformação do ato sexual em um ato circense ou, nos tempos atuais, um ato de holograma. Isso inclusive educou toda uma geração, mais preocupada em ver pornô que fazer sexo. O sexo virtual é uma febre. Ele condiz com a nossa época, em que mesmo a minha geração que aprendeu sexo na rua e não na TV ou cinema, se mobiliza com tal coisa porque estamos todos imersos na tentativa de manter esse aprendizado secundário, que se tornou primário, de objetificação do sexo, já que não podemos tanto objetificar a mulher. Afinal, há até leis que podem nos inibir na objetificação da mulher.
Experimente se relacionar com sua mulher por meio de webcam. Depois de vinte anos de casado, quando você, mesmo preguiçoso, estava pensando em arrumar uma amante jovem, você vai desistir disso porque irá descobrir que sua mulher é mais gostosa! A webcam lhe devolve a mulher real em forma de close objetificador do sexo, não objetificador dela. E isso desperta o macho que Kant viu no homem, e que temeu. O macho quer a mulher objetificada, mas da objetificação só sobrou o sexo, não a mulher, que seja isso então! Nos agarramos no que sobrou da objetificação necessária. Isso nos faz falsos cafajestes, mas, enfim, o bom sexo é isso mesmo: muita imaginação, Viagra e um pouquinho de amor.

terça-feira, 8 de julho de 2014

terça-feira, 13 de maio de 2014

Olhar para o impossível.


Vive-se em busca de um amor de tirar o fôlego,
mas com a ambição de poder dormir em paz.
O ser humano é paradoxo.
(Ana Suy Sesarino Kuss)

Olhar interesseiro.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Olhar de Galeano.



O mundo é um mar de foguinhos.
Não existem dois fogos iguais.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras.
Existe gente de fogo sereno, que nem fica sabendo do vento
e existe gente de fogo louco, que enche o ar de faísca. 
Alguns fogos, fogos bobos, não iluminam e nem queimam.
Mas outros...
Outros ardem a vida com tanta vontade que não se olhá-los sem pestanejar
e quem se aproxima se incendeia.


domingo, 13 de abril de 2014

Olhar de retorno.



SE PODES OLHAR,VÊ.
SE PODES VER, REPARA.

(Saramago)

terça-feira, 5 de março de 2013

Olhar para hoje.


E há certas dores que só a nossa própria dor, se for aprofundada, 

paradoxalmente chega a amenizar.

C. Lispector



sexta-feira, 1 de março de 2013

Olhar...


Poder contar com as mudanças é reconfortante. 

Não se pode contar com muitas coisas.

(Pontes de Madison)


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Sem expectativas...



Viver sem expectativas...ainda chego lá!

(Klint)

Eu e meu marido saímos cedo de casa. Ele acorda antes de mim. Nem o vejo: pressiona seus lábios em minha cabeça e parte para o curtume.

Às vezes exala de sua boca o aroma de café com leite. Eu gosto de ser beijada dormindo. A testa é a última porção do rosto que lavo na hora de acordar — preservo sua benção.

Não nos falamos durante o dia. Começo o expediente às 8h na fábrica de costura. O intervalo de almoço é de 45 minutos. Nossa vida é baixar o queixo e se concentrar em panos e couros.

Mário ainda trabalha longe, em outra cidade, chega em nossa residência depois da meia-noite. Preparo comidinha e guardo nas panelas. Nunca janto com ele.

Ele pressiona seus lábios em minha cabeça e dorme. Aprendeu a tirar a roupa sem me acordar. Imagino que seus sapatos são silenciosos; as mangas, esvoaçantes; os casacos, de pluma.

Sua nudez não pesa mais no colchão. Ele treinou desaparecer de mim.

É um homem que cuida de meu sono, já que não pode cuidar de minhas palavras.

Experimentamos a solidão do casamento. Aperto o forro dos bolsos para fingir sua mão na minha mão. Sua mão pesa igual à gaveta da cozinha.

Quando cruzamos um olhar no corredor, é uma janela. Ele não amaldiçoa o cansaço, o salário, a falta de esperança. Agradecemos a saúde para continuar.

Eu me habituei com o raso, é só pôr mais água no feijão.

Somos acostumados. Juntamos nossas economias para pagar a casinha. Há mês que sobra, arrumamos até um armário novo para o quarto, com prateleira para botar cobertas e lençóis. Pela primeira vez, tiramos as caixas de papelão debaixo da cama.

Meu homem é do mundo. Eu sou do mundo. Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado sem ele. Sem trocar impressões ou pedir ajuda ou chorar. Sou quase uma viúva. Ele é quase um viúvo.

Mas jamais reclamo porque tenho meu domingo.

No domingo, nos acordamos no mesmo instante. E eu dou um beijo em sua testa.

Preparamos o mate e sentamos na varanda.

Ele me fala o que fez, o que pretende fazer, o que nunca fará.

O vento sopra em nossas oliveiras e ele pergunta se estou com frio.

Naquele momento, ele é meu homem, somente meu, de mais ninguém.

Quando ele é meu, eu também me pertenço.

São seis horas por semana em que não preciso dividi-lo. Cheiro suas golas, deito em seus ombros e penteio seus cabelos com as unhas.

Parece pouco, mas é toda a minha vida, por isso despertarei o resto dos meus minutos. Duvido que alguém seja mais feliz.

(Carpinejar)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Olhar de infância.

(Mauricio e Miguel)


Fabrício Carpinejar está fazendo uma campanha com  fotos de brincadeiras das crianças, AMOR É SAÚDE. Esse mês, para nossa alegria, fomos os contemplados.


"Uma nova premiada da minha campanha "Amor é saúde: mais poesia em 
nossa vida". É Érica Santoro Lins Ferraz, de Ribeirão Preto (SP), com a imagem acima de seu filho Maurício e sobrinho Miguel, em cuspe sincronizado, uma nova modalidade olímpica. Os meninos receberão os bonecos Doutor Poesia."




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Olhar...



Reconhecer o fim de cada ciclo pode ser um grito de liberdade. Saber dizer "basta" não é vã vaidade, é cortar caminho. Toda tragédia traz um tango entre as pernas, dança-lo é o que resta. 

(Linox)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Olhar de negação: "ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais..."





Fui em uma reunião de pais e mestres ontem. Pais de jovens de 15 anos. Sentei-me ao fundo do grande auditório e, ao olhar para aqueles pais, fui invadida por uma estranha tristeza. Não soube explicar em um primeiro momento  aquele sentimento. Precisava digerir e somente depois consegui identificar a causa da minha tristeza. Não vi ali homens e mulheres, vi apenas pais e mães. Pensei que, com o passar dos anos, “o sistema” torna todos iguais, mas percebi que não. Não foi o sistema que os corrompeu, foram eles mesmos que furtaram de si sua essência: seu lugar no mundo enquanto pessoa.  E aqui não falo do aspecto estético.
Pude ver a distância entre  os casais, embora muitos estivessem de mãos dadas. Outros já nem companhia tinham mais – não porque o outro não pôde ir à reunião, mas porque já não fazem mais nada juntos. Vi o olhar distante,  o corpo e o pensamento agindo como mandam as regras.  Pareciam soldados. Todos ali por uma mesma causa.
Já havia refletido um pouco sobre essa passagem do tempo quando ia às reuniões  da minha outra filha, mais velha. Percebia que muitos dos divórcios ocorriam nessa faixa etária.
Com o passar dos anos, agora muito próxima da idade dos outros pais – na época da Victória eu sempre era a mais nova - , me entristeci com o que vi.
Fui mãe menina. Amo ser mãe,  nasci para isso. Mas em toda minha maternagem nunca deixei de me olhar como um ser apartado. Esse negócio de que ser mãe completa tudo, que filhos são a razão do viver, eu deixo para as mães culpadas. Acho que ser mãe é uma baita responsabilidade, um troço que por vezes enche o saco e tem que ser muito mulher para poder conduzir outras vidas e a sua ao mesmo tempo.  Nada fácil. Quem é mãe ou pai sabe da exigência que nos é imposta dia a dia. É preciso rebolar para que os filhos entendam que não somos devedores e sim humanos. Deixar de ser homem e mulher para ser pai e mãe é dar um tiro no pé.  Com o tempo, na melhor das hipóteses, a demanda diminui – por volta dos 15 anos - e, ao olhar para o lado, não reconhecerá seu companheiro. Sou da opinião de  que ser mãe ou pai é uma opção e que dá perfeitamente para continuar sendo ‘gente’. Por que não é preciso ser alienado, irresponsável, mas também não é preciso ser certinho, nos moldes que nossas mães e pais nos “ensinaram” – homens e mulheres de bem ou honestos. Tenho medo disso! É claro que não dá para ser amigo, "brother", mas não precisamos de tanta distância com nossos filhos.  Prego sim uma hierarquia com os meus. Eu sou a mãe e eles filhos, mas me recuso a não me arrumar, não ter meus desejos, meus gostos e vontades. Meus filhos riem de mim até e eu nem ligo. Continuo dançando meu funk, cantarolando minhas músicas bregas, chorando na frente deles, beijando na boca, pedindo colo, berrando com eles, sendo sargentão...sendo humana.
Eu me nego ser um soldado dentre tantos. 


ESLF


sábado, 2 de fevereiro de 2013

Olhar para Iemanjá.

Salve minha mãe Iemanjá! Obrigada pelos cuidados, pela proteção, pelo amor... 


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Olhar para hoje.


Pare o mundo que eu quero descer...exausta.