quarta-feira, 30 de junho de 2010

...


O essencial.

'Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão-somente andar ao lado do que é justo. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.' O essencial faz a vida valer a pena.'
(Rubem Alves)

Olhar para hoje.

"Que o caminho seja brando a teus pés,
O vento sopre leve em teus ombros,
Que o sol brilhe cálido sobre tua face,
As chuvas caiam serenas em teus campos,
E, até que de novo eu te veja,
Que Deus te guarde na palma da mão. "
(Benção Irlandesa)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Olhar para meias furadas.

"O homem é capaz de guardar segredo. Verdade!
Pois guarda segredo somente quando não o descobriu.
Vou entregar uma das manifestações mais secretas de infidelidade masculina. Quebrar um voto de máfia, de pacto de vestiário, de mindinho. Romper um juramento de boteco.
Peço proteção à testemunha nos próximos dias.
A mulher jura que o marido está aprontando quando ele troca de perfume, um sinal de mudança de personalidade. Logo ele que cabulava o desodorante. Lamento: não é.
Acredita que ele pulou a cerca quando compra cueca nova, ao axibir um zelo perfeccionista com sua intimidade. Logo ele que saía com ceroula debaixo da calça ou com as peças do inverno retrasado. Lamento também: não é.
Especula que repousa nas pernas de outra quando troca o vovô-vovó e o papai-mamãe por acrobacias sexuais do Cirque du Soleil. Lamento de novo: não é.
Assim como não são suspeitas do desamor o excesso de reuniões, os telefonemas recebidos por engano de madrugada, a falta de apetite para comer na casa materna.
Não representam provas de maldade conjugal dormir nu de repente, renovar o guarda-roupa, reencontrar colegas da pré-história.
Não simboliza ameaça à integridade da relação não largar a correspondência virtual ou colocar o celular no silencioso.
Parecem indícios contundentes, mas são desculpáveis. Têm justificativas.
Um homem está traindo quando lembra de cortar as unhas dos pés.
Não há mais como contornar a crise.
Se ele apresenta as unhas arrumadas quinzenalmente, lixadas, alinhadas, é que anda frequentando motel. E usando chinelos com uma vagabunda. Vem nadando no aquário da hidromassagem, estendo as panturrilhas em direção ao espelho do teto. Nem precisa perguntar. Pode afogá-lo no tanque da lavanderia.
Macho fiel não apara as unhas dos pés. Somente obrigado. Desde a infância é desse jeito, uma tortura, a mãe o perseguindo pelos corredores ao verificar que empilhou vidro na pele durante meses e endureceu a sola. *(hahaha, Mauricinho não liga em cortar as unhas das mãos e quando chega o momento dos pés ele diz: O pé não precisa, né mãe?)
Macho fiel esquece que tem unhas nos pés. Esquece inclusive que tem pés. Ostenta um par peludo, selvagem, intratável. A unha ficará comprida como se tocasse violão com as pernas. Enorme. Canina. Garra superando a condição gelatinosa das unhas. Para furar a lã da meia.
..."
(F. Carpinejar - Mulher Perdigueira)

Moral da história: meia furada é sinal de fidelidade. Costure a meia do seu amor sorrindo!!

Duplo olhar.


*Gêmeos*
(de 21 de maio a 20 de junho)

A mulher de gêmeos

Não sabe o que quer
Mas tirante isso
É uma boa mulher
A mulher de gêmeos
Não sabe o que diz
Mas tirante isso
Faz o homem feliz
A mulher de gêmeos
Não sabe o que faz
Mas por isso
É boa demais...
(V. de Moraes)

Família Margarina.


Família margarina? Não, obrigada.

Nunca sonhei com uma família margarina, talvez por intuir como seria a minha.
Na minha família não temos sorrisos branco-polar mas sim multicoloridos! Todos de carne e osso. Demasiadamente humanos, diria o poeta!!
Cada qual com suas particularidades, buscando seus caminhos...
Assim, quando me deparo com alguma jovem esposa mostrando com orgulho sua aliança, que ofusca minha visão (deve ser o brilho da aliança que a impede de ver!); seu lindo discurso "sobre como é feliz e realizada em seu casamento"; seu manual de esposa e mãe perfeita, sou invadida por um sentimento de tristeza. Tristeza alheia.
Não as culpo, elas não sabem o que dizem! Não as invejo, a vida é muito além da sua família margarina, minha cara!
É que a vida me ensinou que tudo pode mudar repentinamente e essa mesma vida não pergunta se você está pronta ou quer mudar tudo. Tudo muda e fim (e ainda bem!!!)!
Nada contra o casamento, muito pelo contrário (rs), mas se realizar no outro é algo que sai totalmente do meu entendimento.
Colocar as minhas vontades, meus sonhos, minhas realizações nas mãos do outro. Tremenda FILHADAPUTICE com o outro!!!
O mesmo com os filhos. Filhos nos ensinam muito, melhoramos por eles. Mas não por esta ou aquela razão, melhoramos por que queremos ser melhores para eles, sem expectativa de ganharmos nada em troca.

Nada em troca, o doar pelo doar, acho que este é o segredo!
Mas respeito e desejo boa sorte para quem sonha, tem ou quer uma família margarina!

"Quero acrescentar que o logos só é ideal quando contêm eros; de outra forma o logos não é nada dinâmico. Um homem que é apenas logos pode ter um intelecto muito afiado, mas não é nada além de um racionalista árido, e o eros que não contém nenhum logos em si nunca entende coisa alguma, não há nele além de um cego apego. Essas pessoas podem estar ligadas a deus sabe o quê, como certas mulheres totalmente absorvidas por sua pequena família feliz - primos, parentes, etc. - e em toda essa maldita coisa não há nada, é tudo completamente vazio" (Jung)

Carlos Gustavo sabia das coisas!!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Olhar...

Há dias que as palavras e o sons são dispensáveis.
Dias de delicadeza pura.

"O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa.
Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Um aprendizagem de desaprender"
(F. Pessoa)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Vida real.

Pessoas recolhem restos de alimentos enlameados e estragados em supermercado em PE

Bah, que porra é essa?
E eu, no meu egocentrismo, preocupada com este meu mundinho de merda!!

Olhar de adeus.

E eu que gostava tanto do meu cigarrinho de chocolate...

"Senado aprova proibição de produtos infantis em forma de cigarro .

Qualquer produto nacional ou importado destinado ao público infanto-juvenil - inclusive embalagens - que reproduza a forma de cigarros e similares poderá ter a fabricação, comercialização, distribuição e propaganda proibidas no Brasil. É o que prevê projeto de lei da Câmara (PLC 17/10) aprovado no dia 23/6 pela CCJ. A matéria será votada ainda pelas CAE e de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), nesta em decisão terminativa.
Pela proposta, quem não cumprir essa determinação poderá ter o produto apreendido ou arcar com uma multa de R$ 10 por embalagem apreendida - valor a ser corrigido anualmente pela variação do índice nacional de preços. A multa poderá ter seu valor duplicado em caso de reincidência.
O PLC 17/10 foi apresentado pelo então deputado Clodovil Hernandes e aprovado pela Câmara na forma de substitutivo. O objetivo, segundo ressaltou seu autor na justificação, é "proteger as crianças contra a exposição de qualquer tipo de produto, seja ele brinquedo ou alimento, que reproduza a forma de cigarro".
O relator na CCJ, senador Flexa Ribeiro (PSDB/PA), observou no parecer que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) baixou, em 2002, resolução que "proíbe a produção, importação, comercialização, propaganda e distribuição de alimentos com forma de apresentação semelhante a cigarro, charuto, cigarrilha ou qualquer outro produto fumígeno, derivado do tabaco ou não". Flexa entendeu, no entanto, que o projeto tem maior abrangência que a resolução da Anvisa, por alcançar qualquer produto ou embalagem que contenha a forma de cigarros ou similares.
O senador Augusto Botelho (PT/RR) também elogiou a proposta, mas reivindicou o mesmo rigor em relação a bebidas alcoólicas. Segundo comentou, o Ministério da Saúde já comprovou a redução no número de fumantes em decorrência das restrições à propaganda de cigarros. Mas lamentou que isso não tenha ocorrido em relação a bebidas alcoólicas, apontando a influência da propaganda desse produto principalmente entre os jovens."
(Migalhas)
_______

Olhar além.


"Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos."
(V. Hugo)

Olhar para hoje.


Cada novo dia uma nova oportunidade, um novo milagre. Vê-lo ou não é a opção de cada um.
E como diria minha irmã: força e coragem aos nossos corações!!!

"Nego-me a submeter-me ao medo
que tira a alegria de minha liberdade
que não me deixa arriscar nada,
que me torna pequeno e mesquinho,
que me amarra,
que não me deixa ser direto e franco,
que me persegue,
que ocupa negativamente minha imaginação,
que sempre pinta visões sombrias.(...)"
(R. Steiner)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Entreolhares.


Arrumei minha casa
Coloquei tudo em seu devido lugar
Não por desejo mas por sobrevivência
Sobrevivência ou razão tola dos tolos que nos rodeiam
Mas nossas almas são caprichosas,
nos ensinam o olhar a mais
Como partir querendo ficar?
Há tantas coisas que são tão nossas...
E lá vem você bagunçar tudo de novo
Invadindo minha alma
Desassossegando meu corpo
Atiçando meu desejo
E volto seu retrato na parede
E hoje "sinto a saudade mais perto"

* foto: o meu olhar para o entardecer doce e suave de POA.

Olhar da eterna e necessária metamorfose.





"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante", ser inteira, ser Érica até minha última gota, ser caleidoscópica, como diria Clarice.
Já imaginou viver apenas dentro do quê nos é imposto? Não ver o tempo passar, não acreditar nas minhas verdades, não ser surpreendida pela vida, pelas pessoas. Viver ad aeternum. Triste, não é mesmo?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Canibalismo.


Francês é condenado por assassinar e comer partes do corpo de companheiro de cela. Uma costela e parte do pulmão foram retirados da vítima, mas o que ele queria era comer seu coração a fim de conseguir sua alma, disse no Tribunal.
(Migalhas)

Esse seu olhar quando encontra o meu...

Um dia foi interrogada do por quê ter um blog e o próprio questionador me respondeu: por vaidade! Não concordei, mas como não tinha argumentos me calei.
As postagens nem sempre demonstram o que sinto, o que sou e também não uso meu blog para troca de farpas, para mostrar ou demonstrar isso ou aquilo.
Aqui é um lurgazinho meu, com meus passos, minhas marcas, mas não todas!
Já tentei explicar para muitos o meu pequeno espaço denominado Olhar a mais, mas ninguém entendeu.
Hoje, recebi de um querido, o verdadeiro olhar para o meu olhar:

"É isso, acho eu, os blogs não foram feitos para o desnudamento do ser, mas para manifestações do ente, do que está aí e é apreendido epidermicamente, superficialmente. Um blog, quando saudável (que é o caso do teu no meu entendimento), deve e pode apresentar a estética da linguagem que por sua vez estimula a estética do recepcionar, do imaginar, como algo que se dilui no outro, porque de outros retiramos frases, reflexões, palavras...
Não somos, vias de regra, imagem e semelhança dos nossos blogs. Eles são meras janelas onde, muitas vezes, narcisicamente dançamos tais cronópios, dançamos por dançar, pela leveza dos nossos corpos sutis, dançamos a festa da finitude em homenagem aos deuses pagãos, que não salvam mas que celebram a vida. Dionisíacos, nunca apolíneos, pois tais deuses apenas nos remetem ao culto da sexualidade física tão somente. Lembro que a sexualidade implica necessáriamente na doce embriaguês da sensualidade dionisíaca. Mas, os blogs serão dionisíacos se tivermos a humidade de não fazer deles nossos "phantomes", espelhos narcísicos que geralmente são iguais aos de Oscar Wide no "Retrato de Dorian Gray
"."

Seu olhar no meu olhar, obrigada!

Olhar verdadeiro.


"Quintana recebeu mais um convite para ir ao interior. Depois do sim do poeta, o satisfeitíssimo secretário municipal de Educação e Cultura combina detalhes da viagem e quer saber se ele tem preferência por alguma marca de automóvel.

-Marca não, a cor sim. Azul"

(J. Fonseca)

Olhar de leveza.

Dia perfeito para sorrir.
Que seja doce!!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Do ler e do escrever.

"Essas viagens que agitam a minha preguiça são vantajosas tanto para minha saúde quanto para os meus estudos. Vantajosas para minha saúde? Vê bem: o amor pelas letras me torna indolente e faz com que negligencie o corpo. Carregado em liteira, desloco-me fisicamente sem me fatigar. Vantajosas para o estudo? Vou dizer-te como. Não me afastei de minhas leituras por elas. do meu ponto de vista, considero-as indispensáveis: primeiro, para evitar que me contente comigo mesmo; segundo, porque me permitem, após ter conhecimento das pesquisas dos outros, poder avaliar as descobertas já feitas e refletir sobre as que ainda estão por fazer. A leitura alimenta o espírito fatigado pelo estudo se, contudo, deixá-lo de lado.

Devemos evitar apenas escrever e apenas ler, pois se só escrevemos esgotaremos nossas forças (falo do trabalho de escritura), enquanto somente escrever fará com que se diluam. É necessário passar de um exercício para o outro com justa medida, a fim de que a escritura organize tudo o que foi recolhido na leitura.

Devemos, como se diz, imitar as abelhas, que vão de um lugar a outro para escolher as flores que lhe darão mais mel e depois repartem e dispõem em favos tudo o que recolheram e, como diz Virgílio, "elas fabricam o mel líquido e incham os alvéolos de doce néctar"
(Sêneca)

Olhar de amor.


"Mãe quando eu estou de mau amor eu só te amo um pouquinho e, hoje, você só serve para fazer tortas!" - fala do meu pequeno homenzinho.

Minutos depois, após uma sessão de muitos beijinhos e amassos:

"Agora já tô médio de mau amor mãe!"

Amar é isso, como muito bem pontua a Déia em seu blog, amar o ceú e o inferno do outro.

É como diria o poetinha: "amar apesar de ..."

Meus pecados...


De joelhos no confessionário, uma arrependida (mas só um pouquinho!) admitiu que era culpada de avareza, gula, luxúria, preguiça:

Jamais me confessei. Eu não queria que vocês, os senhores padres, gozassem mais que eu com meus pecados, e por avareza os guardei para mim.

Gula? Desde a primeira vez que o vi, confesso que o canibalismo não me pareceu tão mau assim.

É lúxuria isso de entrar em alguém e perder-se lá dentro e nunca mais sair?

Aquele homem era a única coisa no mundo que não me dava preguiça...
("adaptei" de Eduardo Galeano)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Olhar do corpo.


"Este texto poderia se chamar "Como entender uma mulher?". Mas ao final da leitura você terá descoberto que não é preciso uma resposta para esta pergunta.

O amor não é prosa e nem poesia. Aquelas três palavras não me servem. São sonetos sem pele, versos que não ressoam, metáforas que não suam, frases que não cheiram. "Eu te amo" não diz nada, entende? Não escreva o que sentiria se acordasse comigo. Acorde comigo. Não imagine meu cheiro. Me cheire. Não fantasie meus gemidos. Me faça gemer. O amor só existe enquanto amar. Ação. Calor. Verbo. Presença. Milímetros. Hálito.

A antologia poética do Cummings nunca engravidou ninguém. Não é o refrão de "Sexual Healing" ou qualquer solo de guitarra que arrepia cada orifício das minhas costas ou empina os pelos da panturrilha ou me umedece o centrípeto das pernas. Não me elogie a quilômetros ou horas de mim, não digite meu nome, não me telefone no meio da noite, não me convide por webcam, não quero um e-mail seu. As frases, as confusões, as lágrimas são minhas. Você tem o corpo.

Eu transito pelo mundo. Pego carona em carros, desvio de pessoas, contemplo edifícios, sento em cafés, folheio revistas, acho rapazes bonitos, navego por horas na internet, leio mensagens em PowerPoint, troco fofocas. Meu físico ocupa percursos, espaços, tempos e ainda assim meus fragmentos voam pelo chão. Eu não sou uma flor, um tesouro, a aurora boreal. Sou só uma mulher, me trate como tal. Fui feita pra ser tocada, não compreendida, decifrada, poetizada.

Não sou tempestade. Sou abraço. Não sou química. Sou física. Não sou vento. Sou movimento. Não sou música. Sou reboladas. Meu corpo não é o paraíso, é um lugar. Faça de mim o seu lugar. More em mim ou seja meu vizinho. Caminhe com o áspero da sua língua em todas as minhas texturas, meus calcanhares, minhas coxas, minhas axilas, minhas nádegas, entre os dedos na minha mão, atrás da orelha, no couro cabeludo, no lábio inferior, embaixo dos seios.

Eu não preciso de um bilhete, eu preciso de uma massagem na cintura, nos pés, na barriga. Eu não quero flores vermelhas, quero você dizendo baixinho o quanto sou gostosa. Não pense em mim. Me coma. Não me pondere. Me atravesse. Não me console. Me acarinhe. Não me deseje. Me deslize. Não me descreva. Me aproveite. Não me leia. Me dance. Não me pergunte. Me invada. Não me solucione. Me enxugue. Não me controle. Me conduza.

Puxe meu quadril, morda meu queixo, bagunce meus cabelos, chupe meus joelhos, esfregue seu peito em minhas costas, lamba a planta do meu pé, toque minha lombar, cheire minha virilha, aperte minhas vértebras, me dê a mão, respire perto de mim, me faça rir, uma omelete, um cafuné no sofá. Não sou uma floresta intocada. Sou uma mulher novamente virgem minutos depois que sua mão me abandona. Deguste meus cheiros, fareje meus gostos, beije minhas cores.

Não ache que consegue me abrir, me comover, me prender com apenas três palavras. Não quero ler ou saber que você me ama. Quero sentir isso. Quero tomar banho com você, ser olhada com ternura, que você se confesse entre meu pescoço e meus seios. Peça meu colo, abra minhas pernas, penetre seu carinho, me cante, se importe comigo, ejacule seu querer sobre mim, escute meus medos, enrole minha franja, persiga meu gozar.

Não perca a chance, não deixe pro dia seguinte. Não existo amanhã. Eu só existo dentro dos seus olhos, da sua boca, dos seus braços, na ponta dos seus dedos. Esqueça tudo que leu e ouviu sobre mim. O tempo que demora pra me fazer um texto é o suficiente pra derramá-lo sobre mim. Não me descreva, não me entenda, não diga me amar. Me ame apenas. O corpo é a única prova de amor."

Olhar para hoje


"Sofro a delicadeza dos meus sentimentos com uma atenção desdenhosa.
Encontro-me descrito (em parte) em vários romances como protagonista de vários enredos; mas o essencial da minha vida, como da minha alma, é não ser nunca protagonista"
(F. Pessoa)

Dever ser? Minha homenagem para telhados de vidro.

Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim,
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as cousas humanas postas desta maneira.
Dizes que se fôssem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fôssem como tu queres, seria melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as cousas fôssem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as cousas fôssem como tu queres, seriam só como tu queres.
Aí de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!
(Poemas Inconjuntos de Alberto Caeiro)

domingo, 20 de junho de 2010

Olhar para o doce Paulo.


Paulo meu doce Paulo, li esta passagem do nosso sempre Quintana e lembrei de ti:

"Quintana e o desenhista Nelson Boeira Faedrich eram amigos de muito tempo. Trabalharam juntos na Revista do Globo e depois no Correio do Povo. Mesmo assim, o poeta parecia sempre encontrar maneiras de renovar a afetividade. Nesse dia de 1970 ele chega no bar da Caldas Júnior, senta no banco alto e vê no outro lado do balcão em forma de "U" o velho e doce amigo, já de cabeça toda branca, comendo quindim e tomando cafezinho.
Aí brinca:
- Nelson, tu comendo quindim é pleonasmo...."

Eu diria assim:
-Paulinho, tu comendo petit gâteau é pleonasmo...
Beijos meu docinho.

Olhar de (in)decisão.


"Em 1984 a Editora Globo convidou Mario Quintana para ir ao Rio de Janeiro revisar as provas da reedição do livro infantil O Batalhão das Letras. A sobrinha e secretária Elena Quintana foi junto. Hospedaram-se no Hotel Glória e a editora combinou que, no dia seguinte, alguém passaria lá para pegar as provas corrigidas.
Desde a manhã Mario trancou-se na dúvida entre um "e" e uma vírgula em determinado poema. Botava o "e" e tirava a vírgula, tirava a vírgula e botava o "e", pedia a opinião de Elena, desistia do "e" e voltava à vírgula.
Ainda estava nessa quando por volta das seis da tarde o telefone tocou informando que chegara o mensageiro da editora.
-Tio, o homem está aí. Te decide.
-Pois é... O que achas?
-Eu acho que é "e".
-Então tá: põe vírgula."

Olhar de medo.


"Quintana era lido onde menos se imaginava. Um hóspede do presídio de Porto Alegre escreveu querendo saber se o poeta não conseguiria para ele um radinho de pilha. Mario foi consultar Eldes Schenini Mesquita, colega da redação e delegado de polícia, a quem costumava recorrer para driblar burocracias relativas à área, como fazer carteira de identidade e pedir certidão de bons antecedentes. devia ou não dar o rádio?
Eldes ponderou que era um problema dele. Não havia nada que o impedisse de dar o rádio. Pelo contrário, estaria fazendo um presidiário feliz.
Mario espalhou o olhar naquele costumeiro infinito e logo retornou-o a Eldes, com uma ponta de dúvida:
-Pois é. Isso aí eu já lembrei. Tenho medo é da gratidão..."

Eu também...

sábado, 19 de junho de 2010

Olhares...

A necessidade da visão.


"Somos cegos pela razão porque a usamos para destruir a vida em todos os planos, não para expandi-la".
(Saramago)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Olhar para dentro.


É o que sempre digo, as pessoas chegam em minha vida.
Vitor me presenteou com tuas palavras - tão necessárias no dia de hoje.
"A gente sofre e pronto e não adianta tentar se preservar"
É isso meu caro, essa é a grandeza da vida: permitir-se até mesmo o nosso sofrer.
Mover-se, sempre adiante. Ainda que isso signifique dor, perdas.
E termino, ainda com você Vitor:
"Quem foi o poeta escritor filósofo caminhoneiro que disse 'por delicadeza, perdi a vida.'
Que possamos nos perder e nos achar, sempre.
Bjo pra ti Vitor e obrigada.

Olhar para hoje.


"O segredo para não estar saciado e nem frustado, é não esperar nada.
Viver até a morte com os olhos bem abertos, plenos de uma surpresa adâmica."
(Osho)

Um doce dia para todos.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Olhar para bono, de morango!


Fui ver um ballet no dia dos namorados. Na realidade estava tão chato que fui embora no meio do espetáculo.
Como estava em Curitiba, e após ler várias postagens de blogs queridos sobre tal data, comecei a observar os casais chegando ao hotel.
Velinhas em formato de coração, cheiro bom no ar, casais tão diferentes, todos no ritual capitalista do amor.
O dia para amar!
Talvez aos 20 anos ainda se possa dar asas para amores arrebatadores, mas peço que veja tal data com o olhar de tantos casais que comemoravam aquele dia. Certo que, para muitos deles, a data comemorada foi “imposição”, o jantar romântico ou burocrático, como disse Paulo, em seu blog, foi empurrado guela abaixo. Mas pensei que cada um sabe de si e me senti solidária com aquelas mulheres bem vestidas, esperando flores, declarações, com aqueles homens arrumados, com flores nos braços. Fui solidária com o amor.
Não tive coragem de adverti-los, como não tive coragem de dizer para a senhora que sentava ao meu lado no teatro, que eu estava indo embora porque estava odiando o ballet.
Não podia dizer para aqueles casais que eles poderiam se machucar, sofrer, que era preciso sair dos moldes, dos padrões, do consumismo da data.
Meu olhar para o amor hoje é outro. Já precisei mudar de foco tantas vezes e, assim, eu era solidária a cada casal que passava por mim. Dava um sorriso como se eu desse um carinho para cada um que cruzasse no corredor do hotel.
De volta ao teatro, me acomodo na poltrona. Gosto do desconhecido e passo a observar as pessoas ao meu redor.
Um casal chegando me chama a atenção. Observo ele fazendo graça para sua amada.
A senhora ao meu lado também observa, nosso olhar se confunde e ela me sorri.
O casal se aninha e a senhora se aproxima deles e diz:
“Ele é um anjo que caiu em seu colo!”
A jovem sorri e concorda. Talvez a vida já tenha dado a ela a sabedoria de reconhecer anjos.
O rapaz, na inquietude de sua juventude, indaga a senhora: “ E o que devo fazer?”
Ela sorri e lhe responde: “Nada, sente e aproveite!”.
Sorrio para ela e passo a pensar no sábio conselho daquela senhora.
É preciso reconhecer os (poucos) anjos, amores possíveis, que cruzam nosso caminho.
Já parou para pensar nas poucas pessoas que você conseguiu verdadeiramente estar ao lado?
Não falo de quantos homens ou mulheres você já teve e sim de quantos homens ou mulheres você conseguiu estar ao lado e ser você mesmo?
Aposto minha alma que você não encherá uma mão!
Podemos ter uma pessoa diferente por dia ao nosso lado, trepar, beijar cada dia um, mas estar ao lado é para poucos.
E nem falo de amor, porque muitos me achariam romântica. Falo de ficar bem, de caminhar ao lado (diferente de fundir-se, como ensinou Albano) e tantas outras pequenas grandes trocas.
Nada de pessoas líquidas!
Difícil essa arte de caminhar, é preciso maturidade, saber reconhecer, estar no momento certo da vida e quase sempre isso nunca acontece. Por vezes, somente lá na frente é conseguiremos reconhecer o valor de alguma pessoa especial na nossa trajetória.
Passo a pensar na pergunta do enamorado para aquela senhora e penso nos moldes que temos que seguir.
Tenho pena de quem não tem um amor. Hoje em dia há tantas regras que se eu precisasse vivenciá-las me perderia.
Não pode transar na primeira vez, tem que ser comedida, tem que ser durão para os amigos, não pode ligar, o homem não pode dizer não, a mulher não pode dizer todos os sim que tem vontade, tem que ser príncipe e machão, princesa e puta e assim vai.
Uma geração de garanhões nunca vista, uma geração de putas que não sabem o que é trepar, uma geração de Peter Pans, uma geração de mulheres com paus enormes.
Se entregar? De maneira alguma!!!!
Siga os moldes ou será descartado.
Não deixe ele ou ela perceber que você está muito ligado senão... Senão o que criatura?
Porra, não dá para você ser você e só? Pare com esses moldes todos, com suas palavras pensadas, ensaiadas, com seus discursos pré-fabricados. Não dá para voltarmos a ser homem e mulher apenas? Sem jogo, perdedores ou ganhadores.
Qualquer que seja seu envolvimento, por menor que possa ser, no final você sairá machucado, no mínimo arranhado. E se é para se machucar prefira se esborrachar. PT total!!
Cazuza já dizia: "... amar é abanar o rabo, lamber e dar a pata!"
Tá com medo do quê?
Medo de se expor? Medo de viver coisas boas?
Melhor seguir os padrões, usar o outro para nada além de um gozo, dar nomes, arrumar o príncipe ou a princesa encantada, noivar, casar, construir uma família margarina...
Cara amiga ou amigo, pra se enganar, melhor se masturbar. Não custa nada, não exige envolvimento, não precisa aguentar fulano ou sicrano para o resto da vida e o prazer é garantido, coisa que não acontece sempre na entrega.
Pode ser que eu esteja errada, não sou padrão pra ninguém. É que pra mim entrega é entrega, seja ela casamento, tico-tico no fubá ou sei lá o que.
Foda-se se ele(a) não ligar, se ele(a) vai se achar a última bolacha do pacote, foda-se se daqui um tempo não der certo. Tanta coisa não dá certo na vida. Temos que replanejar os caminhos tantas vezes.
Já terá dado certo o tempo que durou e isso existirá para sempre em algum lugar dentro de você. É o que basta!
Melhor assim, do que sentir amargura, arrependimento do que poderia ter feito ou sido para o outro.
Pule e deixe pra ver o que quebrou, o quanto tá sangrando, quando der de cara com o chão. Talvez haja uma cama elástica te esperando lá embaixo e você não bata diretamente no chão. Sim, os amores podem ser amortecidos da queda e sobreviverem. E pode ser que você se quebre todo(a), fique engessado(a) por meses, anos, mas sobreviverá. A gente sempre sobrevive!!
Por que insistimos em indagar a vida sempre? Por que não aproveitar somente o conselho daquela senhora?
Sente no colo e APROVEITE!!
Por que se preocupar com o olhar do vizinho, comparar gramas, seguir modelos de jardins? O seu jardim, ao final de tudo, só caberá a você. Você com todas as ervas daninhas e flores que conseguiu cultivar no seu pequeno pedaço de terra.
Ao final, o que importa mesmo é o cheiro de vocês, o silêncio dos corpos, o som dos corações batendo no mesmo compasso, os desentendimentos e entendimentos de vocês, o toque da pele, a cumplicidade de olhares, do carinho exato, a paz que se aloja dentro de cada um. O resto do mundo é descartável.
Não importa se dormem de conchinha, se você ou ela ligou, que nome tem o relacionamento de vocês, se comemoram ou não o dia dos namorados, se tem 10 ou 80 anos, o que importa de verdade é apenas você e ela.
E, se ainda assim ele ou ela se achar a última bolacha do pacote, que esta seja ao menos uma Bono de morango! (minha bolacha preferida :))

Olhar de encontro - Paulo, Andréa e Albano.


Não é preciso olhar dentro dos olhos para se conhecer.
Nosso encontro de olhares, já que nossas almas eram parceiras de caminhada há tempos!
Um beijo no coração de cada um de vocês!
* Paulinho, Andréa, Albano e Eu, em noite regada ao carinho puro e simples da vida.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Olhar de pescador - para Albano.





Ouvi uma história, uma história de um pescador.
Uma história que trazia o cheiro do mar, a brisa no rosto e me lembrei dos meus treze anos, quando eu devorava Jorge Amado.
Fiquei ali parada ouvindo aquela história, como se estivesse diante do mar...
Ouvi uma história, uma história de pescador, um pescador travestido de filósofo.
Era uma história de mar, de amor, de peixe, de vida.
Uma história contada com a suavidade da linguagem, a sabedoria de uma vida - coisas que só um pescador tem, coisas que só um sábio pode transmitir.
Ouvi uma história, uma história de pescador, e ela dizia da jangada. A jangada que cada qual lança ao mar na procura de se completar.
Ah, a fusão, a completude! O pescador também sabia histórias de elefantes. Elefantes, que, em suas caminhadas pelas savanas, movem-se ora sozinhos, ora acompanhados.
"É possível caminhar lado a lado, por um tempo (não importa se um minuto, alguns dias, meses, anos).O que importa, me dizia ele, é caminhar e ver a beleza daquele caminho único - seu e dele - daquele momento".
E, assim, voltou seu olhar sereno ao mar e convidou o meu para acompanhá-lo.
Me dizia da alegria que trazia consigo no convívio com o mar, com a natureza, não importando os resultados obtidos com a pesca. Era uma forma de alcançar suas águas abissais.
Era preciso ter paciência, observar os movimentos necessários que antecedem a caminhada para o mar...
"O manejo da vara de pescar, a preparação dos anzóis, a escolha das iscas, os pontos adequados para lançar as linhas no mar"
Era preciso também ter equilíbrio dentro da jangada, nas águas calmas ou revoltas do mar.
Era preciso deixar a expectativa (inútil) da pesca e lembrar dos mistérios do mar.
"É preciso aceitarmos a generosidade do mar!"
É preciso estarmos prontos para puxar o anzol e visualizar o presente. O peixe, um presente do mar...
"É preciso termos a humildade de reconhecer que pescamos o peixe errado e retirarmos, delicadamente, sem feri-lo, o anzol da sua boca e devolvê-lo com integridade ao mar.
É preciso termos sabedoria para reconhecer se pescamos o peixe correto e a coragem para segurá-lo com as duas mãos e não deixarmos que ele pule de volta ao mar por medo, insegurança dos nossos braços."
Pego na mão do pescador e, mesmo sem entender nada de peixe e de mar, me atrevo a lhe contar:
"Meu sábio pescador, é verdade, não é qualquer peixe que podemos pescar, saborear!
Não é qualquer peixe que minhas mãos podem segurar. Talvez o peixe seja pequeno ou grande demais. Talvez tenha tantas escamas que mal possa ver a beleza de seu corpo, do seu olhar. Talvez suas escamas brilhem demasiadamente e ofusquem o meu olhar. Talvez o peixe possa ser lindo, colorido, mas frágil demais. Talvez seja forte, grande e eu não tenha forças suficientes para segurá-lo. Talvez tenha dentes afiados demais e possa me ferir. Talvez espinhos enormes, fáceis de tirar, e outros pequenos e eu possa me engasgar. Talvez seja novo demais para sair do mar ou velho demais para viver fora do mar. Talvez meu paladar ache sua carne forte demais. Talvez não combine com o vinho que escolhi.
Minha avó já dizia: 'Um bom peixe a gente reconhece pelo olhar!'. Olhe bem dentro dos olhos do seu peixe e vocês se reconhecerão.
Mas pensei, meu caro pescador, que o mar também pode não estar para peixe."
Volto meu olhar para o infinito azul das águas que confundem-se com o azul celeste do ceú. Olho a imensidão que é a vida. E ouço sua resposta:
"Não importa os peixes pescados ou não, o que importa é saber pescar humildemente os momentos da tua existência."
Obrigada pela linda e doce pescaria Albano.


"Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom
eu vou trazer..."
(Caymmi)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Olhar de nunca e sempre.


Poesia a minha velha amiga…

Eu entrego-lhe tudo a que os outros não dão importância nenhuma…
a saber: o silêncio dos velhos corredores,
uma esquina,
uma lua (porque há muitas, muitas luas…)
O primeiro olhar daquela primeira namorada que ainda ilumina,
ó alma como uma tênue luz de lamparina, a tua câmera de horrores.
E os grilos? Não estão ouvindo, lá fora, os grilos?
Sim, os grilos…Os grilos são os poetas mortos.
Entrego-lhe grilos aos milhões
um lápis verde,
um retrato amarelecido,
um velho ovo de costura,
os teus pecados,
as reivindicações,
as explicações –
menos o dar de ombros e
os risos contidos
mas todas as lágrimas que o orgulho estancou na fonte
as explosões de cólera
o ranger de dentes
as alegrias agudas
até o grito
a dança dos ossos…
Pois bem
às vezes
de tudo quanto lhe entrego,
a Poesia faz uma coisa que parece que nada tem a ver com os ingredientes
mas que tem por isso mesmo um sabor total:
eternamente esse gosto de nunca e de sempre.
(Quintana)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Para meu pai.


Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,do penúltimo
e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes,de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente,
como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo, em italiano, em inglês...
mas que minha saudade,por eu ter nascido no Brasil, só fala português,
embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando estamos desesperados...
para contar dinheiro...
fazer amor...
declarar sentimentos fortes ... seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples"I miss you"
ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor do que um sinal vital
quando se quer falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis!
De que amamos muito o que tivemos
e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...
(C.Lispector)

Sinto saudade de ti.

Olhar gaúcho.

Para meus amigos de outros Estados e minha homenagem para meus queridos e amados amigos do SUL.
Fiz algumas pequenas observações, vide *.


Mas bah, tchê! Nem te conto...!!!
SER GAÚCHO ÉÉÉ . . .

... é morar em Florianópolis e dizer que Caxias do Sul é melhor;
... é assinar Zero Hora em Nova York;
... é estar no Maracanã escutando a Rádio Gaúcha;
.... é bater no filho ao descobrir que ele é Flamengo; *(gaúcho inteligente já nasce Colorado!)
... é chamar jacaré de lagartixa;
... é achar que a FREE WAY é a nona maravilha do mundo;
... é ter confiança em bancos gaúchos;
... é comemorar uma revolução que não deu certo;
.... é chamar a mulher de prenda; *(ou mimosa)
... é dizer que é fácil fazer churrasco; *(e beber vinho com churrasco)
...*é beber vinho todos os dias;
... é comer a costela antes da picanha; *(é adorar coração de galinha)
... é dizer que vaso de banheiro é PATENTE;
... é comer NEGRINHO em vez de brigadeiro;
... é falar TCHÊ ao telefone só pra ver se descobre outro;
.... é falar TU em vez de VOCÊ;
... é enviar cartão postal de TORRES;
... é fazer compras no SÚPER;
... é dizer que tem um FRIGIDAIRE em vez de geladeira;
... é achar que o LAÇADOR é maior e mais bonito que o Cristo Redentor;
.... é achar que o GUAÍBA é rio;
... é dizer que tomar água à 100º C com gosto de mato é coisa de macho;
...*é tomar chimarrão até o fim e depois que o mesmo foi passado por milhões de boca anteriores;
...*é ir tomar chimarrão na Encol;
...*é tratar o cachorro como filho;
... é chamar geléia de CHIMIA;
... é chamar doce de leite de MU-MU;
...*é comer pizza de coração de galinha ou de filé;
... é falar classe em vez de carteira;
.... é falar roleta em vez de catraca;
... é falar lomba em vez de morro;
... é poder falar tri legal ou muito tri;
... é chamar quarteirão de quadra...
... é chamar semáforo de sinaleira...
.... é falar "capaz" ...
... é torcer pra qualquer time que esteja jogando contra o time adversário (Grêmio ou Inter)...
... é ficar babando na frente do açougue e achar carne "linda"... *(e saber o que é vazio e entrecot)
...
é gostar de passar frio
... Outra coisa que só o gaúcho fala é "pechada" quando se refere a uma batida de carros..
... Chegar no mercado e pedir : me dá 5 pila de cacetinho e 1 kilo de guisado ....
...*é chamar todo mundo de querida ou amada...
...**saber o que é tico e não passar vexame. E ter que contar a história do tico por toda minha vida em terras gaúchas!!rs


Ser gaúcho é:
- Saber que a nossa pátria é o Pampa e não a praia com coqueiros;
- saber que nossa característica é a bravura e não o jeitinho;
- saber que nosso valor é a lisura e não a malandragem;
- é ser simples de modos, mas reto de caráter;
- é ser franco e direto, nem que isso cause inimizades;
- é ser humilde em ambições, mas exagerado em ideais e paixões;
- é ser um respeitador fiel da hierarquia funcional e o primeiro a proclamar a igualdade;
- é um ser batalhador, que não desiste nunca;
- é um rebelde, que nunca aceita ser dominado;
- é um bravo, que não foge de uma luta por ser difícil;
- o gaúcho a utêntico é um verdadeiro tradicionalista.

Não porque aprende coisas no CTG, mas porque carrega em si esses valores e não vê alternativa possível de vida digna fora deles.

*Bairristas que só, dão patadas por nada, machistas...Mas tenham certeza que gente e terra melhor não há!!


Por isso eu tenho orgulho de ser chamado de "GAÚCHO".

Um quebra costela a todos!

O aprendizado do olhar.


"Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela,
uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas,
e outros, finalmente,
que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim!"
(C. Meireles)

Direito e Psicanálise.

Ontem participei do evento Direito e Psicanálise, uma prévia para Curitiba.
O evento foi organizado por Salo de Carvalho e pelos estudantes da UFGRS.
O lugar indescritível (Salão Nobre da UFRGS) deu moldura ao evento impecável.
Dr. Cyro, o palestrante, é juiz aposentado e psicanalista. Direito, Psico, relações e tantos outros temas foram abordados com maestria.
Uma noite agradável e muita coisa pra se pensar, elaborar, para servir de base para futuras produções.

Olhar de saudade.


Metade de mim é SAUDADE e outra metade também.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Olhares.


"Gostava de cultivar a idéia de que não haviam se conhecido,

mas se reconhecido."

(colhi da Déia - TPM)

Carpinejar e a mulher perdigueira.


"A mulher perdigueira sofre um terrível preconceito no amor.
Como se fosse um crime desejar alguém com toda intensidade.
Ela não deveria confessar o que pensa ou exigir mais romance.
Tem que se controlar, fingir que não está incomodadda, mentir que não ficou machucada por alguma grosseria, omitir que não viu a cantada do seu parceiro para outra.
Ela é vista como uma figura perigosa.
Não pode criar saudade das banalidades, extrapolar a cota de telefonemas e perguntas.
É condenada a se desculpar pelo excesso de cuidado.
Pedir perdão pelo ciúme, pelo descontrole, pela insistência de sua boca.
Exige-se que seja educada. Ora, só o morto é educado.
O homem inventou de discriminá-la. Em nome do futebol. Para honrar a saída com os amigos. Para proteger suas manias. Diz que não quer uma mulher o perseguindo. Que procura uma figura submissa e controlada que não pegue no seu pé.
Eu quero. Quero uma mulher segurando meus dois pés. Segurar os dois pés é carregar no colo.
Porque amar não é um vexame. Escândalo mesmo é indiferença."


Trechos do livro de Carpinejar:

"...fico com vontade de pedir emprestada a chave da prisão para passar o domingo. Acho o controle comovente. Invejável.

...fui criado para fazer um puxadinho, agregar família, reunir dissidentes, explodir em verdades. Duas casas diferentes já é viagem, não me serve.
Sou um totalitário na paixão. Um tirano. Um ditador. Não me dê espaço que cultivo. Não me eleja democraticamente que mudo a constituição e emendo mandatos.


Quero uma mulher perdigueira, possessiva, que me ligue a cada quinze minutos... Que arda de ciúme imaginário para prevenir o que nem aconteceu. Que seja escandalosa na briga e me amaldiçoe se abandoná-la. que faça trabalhos em terreiro para me assustar e me banhe com o sal grosso de sua nudez.Que feche meu corpo quando sair de casa, que descosture meu corpo quando voltar. Que brigue pelo meu excesso de compromissos, que me fale barbaridades sob pressão e ternuras delicadíssimas ao despertar.


A mulher que ninguém quer eu quero. Contraditória, incoerente, descabida. Que me envergonhe para respeitá-la. Que me reconheça para nos fortalecer.
Admiro aos bocados as ninharias.....

O amor é uma comissão de inquérito , é abrir as contas, é grampear telefone, é cheirar as camisas.

O amor é cobrança, dor de cotovelo, não aceitar uma vida pela metade, não confundi-la com segurança. Enlouquecê-la para pentear seus cabelos antes do vento. Enervá-la para que diga que não a entende. E entender menos e precisar mais.

Quem aspira ao conforto que se conserve solteiro. Eu me entrego para dependência. Não há nada mais agradável do que misturar os defeitos com as virtudes e perder as contas na partilha."
(Carpinejar, Mulher Perdigueira)

Carpinejar estará hoje na Livraria Cultura, em POA, autografando o livro.

Olhar de amizade.


Amigos, vinho e música: ser feliz é simples!!

*Gabriel, Adriano, Flip, Liz, eu e Denise -noite para ser levada pra sempre!

"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis,nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,
mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto
e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos,
bobos e sérios,
crianças e velhos,
nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."
(O.Wilde )

obs: Gabriel, foi tudo o que consegui! rs O que achas?

...



Doce olhar.


Colhi do blog do Paulo essa linda descoberta: o poeta Fabrício Corsaletti.

Vale muito ouvir até o final.

Doçura pura, que só você poderia ter descoberto meu doce Paulo!

domingo, 6 de junho de 2010

...




Final de semana longo partindo...

Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
pode ser cruel a eternidade
eu ando em frente por sentir vontade

Eu quis te convencer, mas chega de insistir
caberá ao nosso amor o que há de vir
pode ser a eternidade má
caminho em frente pra sentir saudade

Paper clips and crayons in my bed
everybody thinks that I'm sad
I take my ride in melodies and bees and birds
will hear my words
will be both us and you and them together

I can forget about myself trying to be everybody else
I feel allright that we can go away
and please my day
I'll let you stay with me if you surrender

Eu quis te conhecer, mas tenho que aceitar
I can forget about myself trying to be everybody else
caberá ao nosso amor o eterno ou o não dá
I feel allright that we can go away
pode ser a eternidade má
and please my day
eu ando sempre pra sentir vontade
I'll let you stay with me if you surrender

Olhar de medo.

Tenho medo de pessoas muito boas, fala mansa, cordiais, vida exemplar. Pessoas que mal conheço e já me abraçam forte, me chamam de querida, demostram intimidade...
Corro de gente assim!!
Tenho medo das pessoas que conheço e que me cobram o amor que me doam, aumentam distâncias, cobram até mesmo as expectativas que elas próprias depositaram em mim.
Justo em mim? Eu, tão telhado de vidro, tão cheias de dúvidas, tão sincera, tão de carne de osso...

"...ela, como uma cadela vadia, era teleguiada exclusivamente por si mesma. Pois reduzia-se a si."
(Lispector)

Olhar de verdade verdadeira.

...


"Quem me vendeu ao destino?
Quem me trocou por mim?"
(A. de Campos)


"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo:sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens.Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos.Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero.E agora só queria ter o que eu tivesse sido e não fui."
(Lispector - A hora da estrela)

sábado, 5 de junho de 2010

Olhar para dentro de si.


"Quero entender um pouco.
Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
(Lispector)

Vivo meu hoje sem entender muito o que passa ao meu redor.
Há tantas coisas aqui dentro de mim, sentimentos que vão e vêm. Por vezes se misturam, outras se chocam.
Tenho vivido isso já há algum tempo, alguns meses.
Hoje, em especial, acordei pensando em tudo que há dias não ando querendo pensar.
Em minha vida, minhas escolhas, meus mundos, em quem amo, nos caminhos que já percorri, na luz e na escuridão de tudo que me rodeia.
Não, ainda não tenho respostas.
Uma amiga querida me disse hoje: "Quando não temos respostas é melhor não decidirmos nada." Eis uma verdade!
Talvez vivenciar meus não entendimentos, é dar tempo. Tempo necessário para que eles se façam compreensíveis.
Com o tempo posso ver sentimentos amadurecerem, trocar a ansiedade por uma calma, um estado de espírito bom, ser menos condescendente.
Não há tristeza aqui e sim calmaria.
Focar, olhar para dentro, ouvir meus silêncios.
Por quantas vezes o barulho do mundo nos ensurdece e mal conseguimos trilhar o que nos propomos.
Ficamos estranhos no próprio corpo.
Assim, quando acordo como hoje, em paz de espírito, retomo meus pactos, minha conversa com meu eu e vejo que há um caminho à minha espera.
Não sei qual é sua cor, seu cheiro, se devo ir para direita ou esquerda, mas vejo suas nuances, sinto o vento leve que chega de lá e que me envolve em seus braços.
Adiante!

"Uma das coisas que aprendemos com a meditação, quando descemos lentamente dentro de nós mesmos, é que a noção de paz já existe em nós"

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O preço da traição!

Hahaha, A-DO-RO!!! Se essa moda pega ...



"Faltando uma semana do jogo de abertura da Copa do Mundo, o principal assunto dos jornais sul-africanos não é o futebol, mas um escândalo de infidelidade envolvendo o presidente Jacob Zuma.

Em uma das ruas mais movimentadas de Soweto mora o guarda-costas acusado de ir para a cama com uma das mulheres do presidente da África do Sul, O guarda-costas se matou e a mulher, Nompumelelo Ntuli, foi expulsa de casa e também proibida de freqüentar joalherias e lojas caras de Joanesburgo. O preço da traição foi o confisco do cartão de crédito.

O escândalo de infidelidade domina os noticiários da África do Sul. Os principais jornais do país criticam a vingança do presidente Zuma e escrevem que ele não é exemplo de marido porque sempre foi infiel e, agora, simplesmente bebe do mesmo veneno.

Zuma é dono de uma grande família.Ele tem 20 filhos, já foi casado cinco vezes e, atualmente tem três esposas e uma namorada.

Ele já disse que também pretende levá-la ao altar. Zuma defende a poligamia como um costume, uma tradição do povo Zulu, de onde ele vem.

Para o presidente, ter muitas mulheres é um direito e um símbolo de poder. Mas a traição sofrida mostra que ele não anda com essa bola toda não.

Zuma nega que foi vítima de adultério. Ele deu ordens para que seus assessores fiquem mudos e calados.

Para disfarçar o constrangimento, o presidente levou a mulher acusada de infidelidade em viagem oficial à Índia. Ela está morando com os dois filhos na casa de uma amiga rica e ameaça contar detalhes da relação extraconjugal se, na volta da viagem, o marido não devolver o cartão de crédito sem limite de gasto."
(Jornal Nacional 04-06-2010)

Olhar para vida.


Ainda Quintana...


"Quando a luz estender a roupa nos telhados
E for todo o horizonte um frêmito de palmas
E junto ao leito fundo nossas duas almas
Chamarem nossos corpos nus, entrelaçados,

Seremos, na manhã, duas máscaras calmas
E felizes, de garndes olhos claros e rasgados...
Depois, volvendo ao sol as nossas quatro palmas,
Encheremos o céu de voos encantados!...

E as rosas da Cidade inda serão mais rosas,
Serão todos felizes, sem saber por quê...
Até os cegos, os entrevadinhos... E

Vestidos, contra o azul, de tons vibrantes e violentos,
Nós improvisaremos danças espantosas
Sobre os telhados altos, entre o fumo e os cataventos!
(A rua dos cataventos)


"A rua do diáfano e sagrado espaço que Quintana criou na poesia brasileira, como Manuel Bandeira criou a sua Pasárgada, a utopia, sem a qual não vivemos. Por ser a forma de tramar o mundo justo e humano. Se não pela realidade, às vezes tão surrada, ao menos pela vasta e prazerosa imaginação. Porque engredamos a memória e a memória nos engreda. Até o que esquecimento nos esqueça. Falávamos das ânsias quintanianas de levitação, tão singular no talvez mais belo soneto desse espetacular livro. E funciona com espelho convexo, os dois quartetos de um lado e os dois tercetos de outro, como se o seu reflexo. O espelho de Lewis Carroll - uma face diante de outra: "Se você acreditar em mim, acreditarei em você. Negócio fechado?".E não é por acaso que seu futuro livro se chamaria Espelho Mágico (1951).
(Cadernos da Literatura Brasileira - Mário Quintana)

Olhar para meu Quintaninha.



"O que a vida quer da gente é coragem.

Satisfeitos da vida, só os medíocres."

(Quintana)