sábado, 28 de maio de 2011

Olhar de insônia.



Há noites que eu não posso

 dormir de remorso 

por tudo o que 

eu deixei de cometer.

(Quintana)




quarta-feira, 25 de maio de 2011

Olhar para morte do amor.


O amor nunca morre de morte natural.

Morre porque o matamos ou o deixamos morrer. 

Morre envenenado pela angústia. Morre enforcado pelo abraço. Morre esfaqueado pelas costas. Morre eletrocutado pela sinceridade. Morre atropelado pela grosseria. Morre sufocado pela desavença. 

Mortes patéticas, cruéis, sem obituário e missa de sétimo dia. 

Mortes sem sangramento. Lavadas. Com os ossos e as lembranças deslocados. 

O amor não morre de velhice, em paz com a cama e com a fortuna dos dedos. 

Morre com um beijo dado sem ênfase. Um dia morno. Uma indiferença. Uma conversa surda. Morre porque queremos que morra. Decidimos que ele está morto. Facilitamos seu estremecimento. 

O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida. 

O fim do amor não será suicídio. O amor é sempre homicídio. A boca estará estranhamente carregada. 

Repassei os olhos pelos meus namoros e casamentos. Permiti que o amor morresse. Eu o vi indo para o mar de noite e não socorri. Eu vi que ele poderia escorregar dos andares da memória e não apressei o corrimão. Não avisei o amor no primeiro sinal de fraqueza. No primeiro acidente. Aceitei que desmoronasse, não levantei as ruínas sobre o passado. Fui orgulhoso e não me arrependi. Meu orgulho não salvou ninguém. O orgulho não salva, o orgulho coleciona mortos. 

No mínimo, merecia ser incriminado por omissão.

Mas talvez eu tenha matado meus amores. Seja um serial killer. Perigoso, silencioso, como todos os amantes, com aparência inofensiva de balconista. Fiz da dor uma alegria quando não restava alegria. 

Mato; não confesso e repito os rituais. Escondo o corpo dela em meu próprio corpo. Durmo suando frio e disfarço que foi um pesadelo. Desfaço as pistas e suspeitas assim que termino o relacionamento. Queimo o que fui. E recomeço, com a certeza de que não houve testemunhas. 
Mato porque não tolero o contraponto. A divergência. Mato porque ela conheceu meu lado escuro e estou envergonhado. Mato e mudo de personalidade, ao invés de conviver com minhas personalidades inacabadas e falhas. 

Mato porque aguardava o elogio e recebia de volta a verdade. 

O amor é perigoso para quem não resolveu seus problemas. O amor delata, o amor incomoda, o amor ofende, fala as coisas mais extraordinárias sem recuar. O amor é a boca suja. O amor repetirá na cozinha o que foi contado em segredo no quarto. O amor vai abrir o assoalho, o porão proibido, fazer faxina em sua casa. Colocar fora o que precisava, reintegrar ao armário o que temia rever. 

O amor é sempre assassinado. Para confiarmos a nossa vida para outra pessoa, devemos saber o que fizemos antes com ela.

(Carpinejar, aquele que ama)


Olhar para travessia.

(Gustav Klimt)


Digo:

 o real não está na saída 

nem na chegada: 

ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.

(G. Rosa)



segunda-feira, 23 de maio de 2011

Olhar para dentro.


Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos — para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos. 

Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido. 

Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo. 

Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: "Parar pra pensar, nem pensar!" 

O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação. 

Sem ter programado, a gente pára pra pensar. 

Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se. 

Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto. 

Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
 
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar. 

Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo. 

Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos. 

Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. 

Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada. 

Parece fácil: "escrever a respeito das coisas é fácil", já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado. 

Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança. 

Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. 

Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade. 

Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. 

Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for. 

E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.

(L. Luft)




**Érica, ela reinventa...




sexta-feira, 20 de maio de 2011

Olhar para meu olhar.


"No dia do meu aniversário os números vão mudar, como mudam no rodômetro, aquele aparelhinho no painel do carro que marca a quilometragem. Está lá “67“ e aí, de repente, o “7“ dá um pulo e o “8“ aparece no seu lugar. Esse é um jeito de marcar o tempo, contando os números.

Jeito bobo. Os números não dizem nada. Há um verso sagrado que diz: “Ensina-me a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios.“ Muita gente envelhece sem ficar sábio. O que é um sábio? Sábio não é quem sabe muito. Sábio é quem come a vida como se ela fosse um fruto saboroso. O sábio presta atenção nos prazeres e alegrias de cada momento. E o que dá prazer e alegria não são coisas grandes, festas com bolo, bexigas e presentes. O que dá alegria são coisas pequenas. Por exemplo: brincar com um cachorrinho. Balançar num balanço. Andar na água fria de um riachinho. Ver um ipê florido. Ler um livro. Armar um quebra-cabeças. Ver fotografias antigas..." (R. Alves)



-Mãe, no meu calendário de maio fiz você no dia 21. Fiz você com balões e ventos.
-Ventos?
-Sim mãe, ventos e depois chuva e sol. Os ventos para levar tudo de ruim e a chuva para trazer um arco-íris para você.


-Meu amor eu não queria fazer 36 anos eu queria fazer 5 anos.
- Mas daí você não seria minha mãe.


E assim, fecho mais um ano...meu pequeno me mostrando tudo que verdadeiramente possuo.
Um família linda, amigos amorosos,um caminho me aguardando de braços abertos...e quem disse que o futuro não seria bom?
Obrigada pelo amor e mais amor que recebo de todos vocês.



**Érica, ela possui um arco-íris.



terça-feira, 17 de maio de 2011

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara" (Saramago)


"O essencial é saber ver

Saber ver sem estar a pensar, 

Saber ver quando se vê, 

E nem pensar quando se vê 

 Nem ver quando se pensa.

Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!)

Isso exige um estudo profundo

Uma aprendizagem de desaprender...

(A. Caeiro)




segunda-feira, 16 de maio de 2011

Olhar devedor.


Quando a gente gosta,

 a gente começa emprestando um livro,

 depois um casaco, 

um guarda-chuva, 

até que somos mais emprestados do que devolvidos.

(...) Gostar é não devolver,

é se endividar de lembranças."

(Carpinejar)


**Érica, ela deve até a alma.




Olhar para churrasco paulista.


Duas horas para acender uma churrasqueira
Touca de banho no cabelo para conservá-los cheirosos
 (mulheres paulistas são incrivelmente cheirosas!)
Carne pra lá de torrada
Vinagrete

...sim, são minhas filhas, não resta dúvida!


domingo, 15 de maio de 2011

Olhar de campeão!


Ingresso: 30,00
Camisa: 150,00
Cerveja: 3,00
Ganhar na casa do adversário e ver o Renato Gaúcho perder: 
NÃO TEM PREÇO!!!! 

DÁ-LHE DÁ-LHE MEU COLORADO!!!



sábado, 14 de maio de 2011

Para embalar meu olhar.

Olhar silencioso.


Silencie

Psiu...

Comece pelo tom da sua voz,

diminua

Ouça mais e fale menos

Sinta,

Perceba,

Observe

Saia do foco das atenções

Preserve-se

Cuide das palavras que saem da sua boca

Guarde seus risos, seus sonhos, até mesmo suas dores para poucos e bons

Lembre-se, a inveja acorda ao som do menor ruído

Continue caminhando sem pressa, o mais silenciosamente possível

Inspire e expire amor

Feche os olhos, ouça seu silêncio

Tenha bons pensamentos,

Pense nas pessoas com sentimento de gratidão

Emita luzes azuis, violetas, douradas

Mentalize coisas boas

Mentalize seus caminhos

Aprenda com o passado, seja grato ao presente e mentalize um futuro bom 

Um futuro possível, um futuro suave...

Cumprimente um estranho

Distribua sorrisos

Feche ciclos

Agradeça pelas dores,

por todos que cruzam nossos caminhos e nos fazem crescer

Ligue para um amigo que não vê há anos

Dê um abraço com o corpo todo

Dê mais, exija menos

Tire qualquer expectativa da sua vida

Cuide  de você,

Compre flores para casa,

Cuide do seu amor,

Ouça um barulhinho bom, 

ascenda um incenso de rosas brancas,

 tome um banho morno, 

tome um chá para alma.

E recomece, sempre e sempre

Silencie, para sentir quem você realmente é.

Silencie.


**Érica, ela ouve o silêncio...



sexta-feira, 13 de maio de 2011

Olhar de desespero.

(euzinha)

Sobreviverei ao mestrado?

Queria tanto psicografar minha dissertação.



Olhar verdadeiro.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Olhar único.



"...tudo o que acontece
acontece uma única vez
uma vez
que infinita é a tessitura do real: 
nunca os mesmos cheiros 
os mesmos sons
 os mesmos tons 
as mesmas conversas ouvidas no quarto ao lado
nunca serão as mesmas a diferentes ouvidos
a diferentes vidas
vividas até o momento  em que as vozes foram ouvidas ou
o cheiro da fruta se desatou na sala; infinita
é a mistura de carne e delírio que somos
 e por isso ao morrermos
não perdemos todos as mesmas coisas, 
já que não possuímos todos
 a mesma quantidade de sol na pele, 
a mesma vertigem na alma
a mesma necessidade de amor
 e permanência
Verdade é que cada um morre sua própria morte
que é única porque
feita do que cada um viveu."

(F. Gullar)


**Érica, a tecelã.



terça-feira, 10 de maio de 2011

Olhar para o meu caminhar.



Ando devagar porque já tive pressa


e levo esse sorriso, porque já chorei demais.
...

Penso que cumprir a vida, seja simplesmente



Compreender a marcha, ir tocando em frente,




Como um velho boiadeiro, levando a boiada




Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou,




Estrada eu sou.


(A. Sater e R.Teixeira)




**Érica, ela caminha...



segunda-feira, 9 de maio de 2011

Olhar desdobrável.


Dor não tem nada haver com amargura. 

Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, 

é pra ensinar a gente a viver. 

Desdobrável.

Cada dia mais rica de humanidade.

(A.Prado)


**Desdobrável, eu sou!



sábado, 7 de maio de 2011

E já estamos festejando...


"Quanto a meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles..."
 (Clarice Lispector)


Falho, falho muito, choro, falo sem parar, repito, grito, digo que não aguento, vou e venho, corro aqui e ali, telefono, choro, dou boas risadas, danço, canto, desenho, aprendo, aprendo e aprendo, dou amor e recebo amor, melhoro, dou colo, recebo colo, beijo, dou ataque de beijos, abraços de ursos, cozinho, cuido, brinco, fico braba...sou mãe. 

Mãe desde os 17 anos, um aprendizado, um ganho diário. Minha sábia avó já dizia que filho é filho desde que sabemos que ele está em nosso ventre, é verdade. 

Victória me fez mãe, hoje me faz sorrir. Julinha me ensinou que o amor pode ser dividido, hoje é minha companheira. Mauricio me tornou madura e hoje me ensina toda doçura do viver.

Com meus filhotes de quatro patas continuo exercendo minha maternagem. Cuidando, dando e recebendo, sempre e sempre.

Sempre soube que nasci para ser mãe, hoje eu tenho certeza.




"- Mãe, ma-ma-e, é assim que escreve?
-É Mauricio, e no segundo "a" tem o acento, o til.
- Ma-ma-e, ouviu mãe?
- Ouvi.
-Sabe por que mamãe acaba com a letra e?
- Não.
- "E" é a letra do seu nome, E-ri-ca, e ma-ma-e acaba com "E" por que foi feita para você mãe."






Apresentação para o dia das mães da minha bailarina, amor e mais amor.


Dia das mães no colégio do Mauricio - mãe inchada de tanto chorar, com seu amor.





**Érica, ela possui tesouros!




quinta-feira, 5 de maio de 2011

Olhar além.


Eu permito a todos serem como quiserem,

e a mim como devo ser.

(C. Xavier)




quarta-feira, 4 de maio de 2011

Meu olhar.


O que não me faz bem, não me faz falta.

 (C.Lispector)








terça-feira, 3 de maio de 2011

Olhar para Helena.

Helena, meu novo amor.



Helena chegou no final de uma tarde triste. Faminta, sem um pedaço da orelha, com frio... e doce, carinhosa, me ensinando que apesar dos pesares é preciso doçura e mais doçura para  (sobre)viver - ou seria um (saber)viver?

Helena, chegando para ser cuidada...renovando minhas esperanças com o viver.




"...é saber que tudo se move a nossa volta,tudo se transforma e,até mesmo quando nos recusamos a acompanhar a dança da vida,sem percebermos,ela nos tira pra dançar, nos envolve...
Quando isso acontece? Quando nos abrimos para a magia de viver e respiramos as entrelinhas, os silêncios..."
(C. F. Abreu)



domingo, 1 de maio de 2011