segunda-feira, 31 de maio de 2010


Deus me livre da afasia do amor!
(ES)

Quero morrer assim...


Anteontem, perdemos Dennis Hopper ("Sem Destino", "O Selvagem da Motocicleta" e tantos outros trabalhos).
Na matéria sobre a morte de Hopper, o colunista Mário Bortollo (Folha) descreveu com arte quem era o excêntrico e intenso ator e diretor americano:
"Hopper jamais moreria de tédio. Assim como o poeta russo Vladimir Maiakóvski, estaria disposto a morrer de vodca - jamais de tédio."
Eu também!

domingo, 30 de maio de 2010

Doutorando em Criminologia é suspeito de assassinatos.


Doutorando em Criminologia é acusado de matar prostitutas
Vizinho de suspeito diz que ele estudava a vida de Jack, o Estripador.
Caso emociona região

Um suposto estudante de doutorado em criminologia, de 40 anos, foi preso e está sendo interrogado pela polícia britânica sob a suspeita de ser o autor de quatro assassinatos de prostitutas na cidade de Bradford, no centro da Grã-Bretanha. Ele é apontado como estudioso do legendário criminoso inglês Jack, o Estripador.

O homem sob custódia - identificado como Stephen Griffiths -, foi preso inicialmente sob a acusação de ter assassinado Suzanne Blamires, de 36 anos, vista pela última vez na última sexta-feira.

A polícia local identificou ontem um corpo, encontrado esquartejado no início da semana, como sendo o de Suzanne. O corpo da mulher foi encontrado na terça-feira à tarde, em um rio próximo à cidade.

De acordo com policiais, ele também é suspeito pelas mortes de Shelley Armitage, de 31 anos, desaparecida desde 26 de abril, e de Susan Rushworth, de 43 anos, sumida desde junho de 2009.
Os casos estão chamado a atenção da imprensa britânica, que os comparou ao caso de Peter Sutcliffe, condenado pelo assassinato de 13 prostitutas, na mesma região, entre 1975 e 1980. Sutcliffe ficou conhecido como “o Estripador de Yorkshire”.

A suspeita sobre Griffiths teria sido levantada graças a imagens registradas em câmeras de segurança, obtidas durante a investigação realizada pela polícia da região de West Yorkshire.

Ele foi preso na segunda-feira, e até ontem permanecia detido, sendo interrogado por investigadores. O suspeito deverá permanecer sob custódia da polícia e, hoje, deverá se apresentar ao tribunal de West Yorkshire.

Com a ajuda de cães farejadores, a polícia britânica tem realizado busca em vários edifícios da região que concentra a prostituição em Bradford.

Segundo a BBC, a polícia também investiga a possível ligação de Griffiths com o assassinato, em 2001, de Rebecca Hall, uma prostituta de 19 anos. O corpo da jovem foi encontrado na mesma região onde viviam Suzenne e Shelley.

Peter Mann, porta-voz da polícia, disse existirem “evidências suficientes” para culpar o homem pelos crimes.

Griffiths seria formado em psicologia e estaria estudando direito criminal na Universidade de Bradford. Um vizinho dele afirmou que o tema da sua tese era Jack o Estripador, o assassino de prostitutas que aterrorizou Londres no século 19 (leia ao lado).

Os jornais dizem que ele tinha um perfil em uma rede social na internet, onde se descrevia como “o misantropo que levou o ódio ao inferno” (misantropo é quem tem aversão às pessoas). O suspeito vivia só, em um apartamento.

O suposto assassino foi descrito por vizinhos como um “solitário”, obcecado por prostitutas. De acordo com o jornal britânico The Times, ele costumava andar vestido com longos casacos negros, de couro, e óculos escuros, e teria uma criação de ratos para alimentar lagartos de estimação.

(Fonte: Jornal da Tarde)

*Para não enlouquecer, mesclamos estudos com muita, muita diversão!!! hahaha

Olhar amigo.


Ah, meus amigos, não vos deixeis morrer assim... O ano que passou levou tantos de vós e agora os que restam se puseram mais tristes; deixam-se, por vezes, pensativos, os olhos perdidos em ontem, lembrando os ingratos, os ecos de sua passagem; lembrando que irão morrer também e cometer a mesma ingratidão.
Ide ver vossos clínicos, vossos analistas, vossos macumbeiros, e tomai sol, tomai vento, tomai tento, amigos meus! – porque a Velha andou solta este último Bissexto e daqui a quatro anos sobrevirá mais um no Tempo e alguns dentre vós – eu próprio, quem sabe? – de tanto pensar na Última Viagem já estarão preparando os biscoitos para ela.
Eu me havia prometido não entrar este ano em curso – quando se comemora o 19640 aniversário de um judeu que acreditava na Igualdade e na justiça – de humor macabro ou ânimo pessimista. Anda tão coriácea esta República, tão difícil a vida, tão caros os gêneros, tão barato o amor que – pombas! – não há de ser a mim que hão de chamar ave de agouro. Eu creio, malgrado tudo, na vida generosa que está por aí; creio no amor e na amizade; nas mulheres em geral e na minha em particular; nas árvores ao sol e no canto da juriti; no uísque legítimo e na eficácia da aspirina contra os resfriados comuns. Sou um crente – e por que não o ser? A fé desentope as artérias; a descrença é que dá câncer.
Pelo bem que me quereis, amigos meus, não vos deixeis morrer. Comprai vossas varas, vossos anzóis, vossos molinetes, e andai à Barra em vossos fuscas a pescar, a pescar, amigos meus! – que se for para engodar a isca da morte, eu vos perdoarei de estardes matando peixinhos que não vos fizeram mal algum. Muni-vos também de bons cajados e perlustrai montanhas, parando para observar os gordos besouros a sugar o mel das flores inocentes, que desmaiam de prazer e logo renascem mais vivas, relubrificadas pela seiva da terra. Parai diante dos Véus-de-Noiva que se despencam virginais, dos altos rios, e ride ao vos sentirdes borrifados pelas brancas águas iluminadas pelo sol da serra. Respirai fundo, três vezes o cheiro dos eucaliptos, a exsudar saúde, e depois ponde-vos a andar, para frente e para cima, até vos sentirdes levemente taquicárdicos. Tomai então uma ducha fria e almoçai boa comida roceira, bem calçada por pirão de milho. O milho era o sustentáculo das civilizações índias do Pacífico, e possuía status divino, não vos esqueçais! Não abuseis da carne de porco, nem dos ovos, nem das frituras, nem das massas. Mantende, se tiverdes mais de cinqüenta anos, uma dieta relativa durante a semana a fim de que vos possais esbaldar nos domingos com aveludadas e opulentas feijoadas e moquecas, rabadas, cozidos, peixadas à moda, vatapás e quantos. Fazei de seis em seis meses um check-up para ver como andam vossas artérias, vosso coração, vosso figado.
E amai, amigos meus! Amai em tempo integral, nunca sacrificando ao exercício de outros deveres, este, sagrado, do amor. Amai e bebei uísque. Não digo que bebais em quantidades federais, mas quatro, cinco uísques por dia nunca fizeram mal a ninguém. Amai, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido.
(V. Moraes)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Sobre o amor II


Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus agüentam uma reza por mais de duas horas.

Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza.

Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz.

Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele.

Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada.

(F. Carpinejar)

Sobre o amor I


PROLONGANDO MINHAS observações da semana passada sobre "Quincas Berro d'Água", vários leitores e leitoras observaram que a literatura e o cinema, em geral, glorificam a coragem de quem, um belo dia, chuta o balde e vai embora.

E como ficam os que passam a vida inteira deslocando o balde para estancar as goteiras? Será que eles são todos covardes e acomodados?

É inegável: nossa cultura idealiza a ruptura, a aventura, a saída para o mar aberto. Em matéria amorosa, o momento que preferimos contar é a hora do apaixonamento.

Depois disso, gostamos de imaginar que "eles viveram felizes para sempre", mas sem entrar em detalhes que poderiam transformar a história numa farsa.

Uma boa solução, aliás, é que os amantes morram logo. O sumiço (de ambos ou de um dos dois) evita que a comédia da vida que levariam juntos contamine a apoteose do encontro inicial. Os amantes ideais são os que não duraram no tempo: Romeu e Julieta, o jovem Werther e Charlotte, Tristão e Isolda.

Concluir o quê? Que a coragem é sempre a de quem deixa a mornidão de seu conforto para se queimar num instante de paixão? Será que não pode haver coragem nos esforços para que o amor dure?

É óbvio que a duração não é um valor em si: uma relação pode durar a vida inteira e ser uma longa e insulsa experiência repetitiva, sem amor algum. Mas, inversamente, será que as paixões-relâmpago são amores? Enfim, seria útil dispor de uma definição do amor.

Justamente, li nestes dias um livro que me tocou, "Éloge de l'Amour" (elogio do amor, Flammarion 2009, ainda não traduzido para o português), de Alain Badiou; é a transcrição de uma breve entrevista do filósofo francês.

Nela, inevitavelmente, Badiou constata que, em nossa cultura, a visão dominante do amor é a de uma espécie de "heroísmo da fusão" dos amantes, que, uma vez consumidos por sua paixão, podem sair de cena (para não se tornar ridículos) ou sair do mundo e morrer (para se tornar sublimes).

Contra essa visão, Badiou define o amor mais como um percurso do que como um acontecimento: segundo ele, o amor precisa durar um tempo porque é "uma construção".

Confesso que fiquei com medo de que o filósofo nos propusesse amores tagarelas, em que os amantes não parariam de discutir a relação (claro, para construí-la). Por sorte, não se trata disso. Então, o que constroem os amantes?

Geralmente, explica Badiou, minha experiência do mundo é organizada por minha vontade de sobreviver e por meu interesse particular: vejo o mundo só de minha janela.

Certo, ao redor de mim, há muitos outros de quem gosto e aos quais reconheço o direito de também sobreviver e promover seus interesses.

Mas o fato de eu respeitar esses meus semelhantes não muda em nada meu ângulo de visão. É só quando amo que consigo olhar, ao mesmo tempo, por duas janelas que não se confundem, a minha e a de meu amado. A estranha experiência ótica faz com que os amantes reconstruam o mundo, enxergando coisas que ficam escondidas para quem só sabe olhar por uma janela.

Entende-se que o amor assim definido exija tempo. Quanto tempo? Um mês, um ano, uma vida, tanto faz. Consumir-se na paixão pode ser rápido, mas reinventar o mundo a dois é uma tarefa de fôlego.

O amor segundo Badiou, em suma, é uma aventura, mas que precisa ser obstinada: "Abandonar a empreitada ao primeiro obstáculo, à primeira divergência séria ou aos primeiros problemas é uma desfiguração do amor. Um amor verdadeiro é o que triunfa duravelmente, às vezes duramente, dos obstáculos que o espaço, o mundo e o tempo lhe propõem".

Você aprecia a definição, mas a acha um pouco abstrata? Gostaria da história de um amor que dura e se obstina sem se tornar pesadelo ou farsa? Pois bem, acabo de ler um texto comovedor, bonito e capaz de ilustrar e explicar perfeitamente as palavras de Badiou.

Em "Amar o Que É: Um Casamento Transformado" (Objetiva), Alix Kates Shulman conta como ela e Scott, o marido, reinventaram o mundo, a dois, obstinadamente, depois de um acidente que precipitou Scott numa forma de demência.

Há momentos difíceis, sacrifícios e durezas, mas, curiosamente, o relato não chega nunca a ser triste porque se trata de uma extraordinária história de amor.

(retirado do blog do Contardo - ccalligari@uol.com.br)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Direito e Psicanálise.

Nosso grupo de estudos da UFRGS, leia-se Salo de Carvalho, estará se reunindo no dia 07/06 com o Dr. Cyro Marcos da Silva. Conversa que prosseguiremos na VII Jornada de Direito e Psicanálise da UFPR (09 -12/06).
O evento está aberto para todos os interessados, imperdível!!!

Olhar oblíquo.

Como te explicar? Vou tentar. É que estou percebendo uma realidade enviesada. Vista por um corte oblíquo. Só agora pressenti o oblíquo da vida. Antes só via através de cortes retos e paralelos. Não percebia o sonso traço enviesado. Agora adivinho que a vida é outra. Que viver não é só desenrolar sentimentos grossos - é algo mais sortilégico e mais grácil, sem por isso perder o seu fino vigor animal. Sobre esta vida insolitamente enviesada tenho posto minha pata que pesa, fazendo assim que a existência feneça no que tem de oblíquo e fortuito e no entanto ao mesmo tempo sutilmente fatal. Compreendi a fatalidade do acaso e não existe nisso contradição.

A vida oblíqua é muito íntima. Não digo mais sobre essa intimidade para não ferir o pensar-sentir com palavras secas. Para deixar esse oblíquo na sua independência desenvolta.

E conheço também um modo de vida que é suave orgulho, graça de movimentos, frustração leve e contínua, de uma habilidade de esquivança que vem de longo caminho antigo. Como sinal de revolta apenas uma ironia sem peso e excêntrica. Tem um lado da vida que é como no inverno tomar café em um terraço dentro da friagem e aconchegada na lã.

Conheço um modo de vida que é sombra leve desfraldada ao vento e balançando leve no chão: vida que é sombra flutuante, levitação e sonhos no dia aberto: vivo a riqueza da terra.
Sim. A vida é muito oriental. Só algumas pessoas escolhidas pela fatalidade do acaso provaram da liberdade esquiva e delicada da vida. É como saber arrumar flores em um jarro: uma sabedoria quase inútil. Essa liberdade fugitiva da vida não deve ser jamais esquecida: deve estar presente como um eflúvio.

Viver essa vida é mais um lembrar-se indireto dela do que um viver direto. Parece uma convalescença macia de algo que no entanto poderia ter sido absolutamente terrível. Convalescença de um prazer frígido. Só para os iniciados a vida então se torna fragilmente verdadeira. E está-se no instante-já: come-se a fruta na sua vigência. Será que não sei mais do que estou falando e que tudo me escapou sem eu sentir? Sei sim - mas com muito cuidado porque senão por um triz não sei mais. Alimento-me delicadamente do cotidiano trivial e tomo café no terraço no limiar deste crepúsculo que parece doentio apenas porque é doce e sensível.
(C. Lispector)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

complemento para Olhares.

"Vai tua vida
Teu caminho é de paz e amor
A tua vida
É uma linda canção de amor
Abre teus olhos e canta a última esperança
A esperança divina
De amar em paz...
Se todos fossem iguais a você
Que maravilha viver!
Uma canção pelo ar
Uma mulher a cantar
Uma cidade a cantar
A sorrir, a cantar, a pedir
A beleza de amar...

Como o sol, como a flor, como a luz
Amar sem mentir nem sofrer
Existiria verdade
Verdade que ninguém vê
Se todos fossem no mundo iguais a você!"


"São demais os perigos desta vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida.
E se ao luar, que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher.
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita.
Uma mulher que é como a própria Lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua."
(Vinicius de Moraes)

Olhares.




Como segurar um homem na cama.


(segredo retirado do blog alexandremoraisdarosa.blogspot.com)

Olhares.

Paixão é uma coisa que acontece.


A paixão é um vislumbro estético, uma deformação visual. Mas me apresente uma relação real, concreta, tátil, certaEu me nego iniciar um namoro sem uma metáfora, sem uma canção, sem um apelido, sem paixão. Eu jamais construiria um relacionamento sem um alicerce avassalador, sem magia, sem labirinto, sem códigos, sem poesia. Para mim, o envolvimento - prefácio do amor - parte sempre do primeiro encontro, nunca do décimo oitavo. Mas falo por mim, um clichê ambulante de barba. Uma metralhadora de emoções de camiseta do Cazuza e jaqueta de brim.

Tenho meus regimentos, não fujo deles com medo da caretice, do machismo, da queda posterior. Eu fujo de amores que não começam como num conto de fadas. Mas isso sou eu, apenas eu. Associar paixão com doença, assujeitamento, cólera, pensar socraticamente os relacionamentos, precaver o tombo, o corte, o fim de cada etapa, tudo me soa como um turista, até que enfim na Disneylândia, porém com diarreia.

Vejo isso como "falta de preparo para lidar com a situação que a vida que impõe". A paixão - gasolina do trajeto - não é algo que se pede, que se procura, que se compra. A vida dá, conforme os movimentos, a habilidade de identificar, o preparo para sentir, a resiliência de todos seus "amores" fracassados. Não somos nós quem construímos o amor, não temos esse poder, é ele quem nasce, cresce e se desenvolve onde as terras são firmes e férteis.

Somos presas, nunca predadores. Por isso a caça é tão inútil. Mas não, queremos estar no controle, acreditamos somente em tudo que podemos ver, tocar, ler. Somos amantes dos laços, do estado civil, da condição. Geralmente nunca do amado em si. Falhamos e não aceitamos seus mistérios, suas virgindades, seus contos de fada. Não aceitamos os riscos, esta é a verdade. Rechaçamos a perda, o desencanto, a rejeição.

As pessoas mudam, a relação pula de fase, as fantasias se renovam. O vício de controlar, de petrificar o amor, de estatizar a relação, nos faz flagelados das mudanças. O amor é movediço, traiçoeiro, perene e, ainda assim - ou mesmo por esta razão - é belo, perturbador, vivaz.

Há beleza em todas as etapas, basta ver além dos olhos, se contentar com o que o destino não previu, sentir-se confortável com a escassez de controle. O amor não é a moldura, mas o que a tinta desenhou sobre a tela. Note, a tela continua linda mesmo sem a sisudez da moldura. Por isso, o amor não se dá pra todos. Poucos aceitam a arenosidade.

Numa situação de rotina, enxergamos estabilidade, confiança, segurança, laços fortes. Vemos o sempre logo ali adiante. Paralelamente, do seu lado rumo ao sempre, há alguém. Pode ser uma mulher que chora no chuveiro, se embalsama de hidratante, veste uma calcinha pequena e deita do seu lado.
A calcinha esconde os olhos inchados. O velho perfume confirma o sempre. Ela respirando toda vez rente à esquerda o acalenta. É tangível, mas não é real. Ela chora, viu? E pode ser porque o traiu, porque não sente-se tocada ou por algo que você fez, sem nem se dar conta.

Ok, a paixão é um vislumbro estético, uma deformação visual, a parte lúdica do todo. Mas me apresente uma relação real, concreta, tátil, certa. Haverão faces ocultas, imprevisibilidade, cegueira, cerração. A escuridão não é exclusividade da paixão.

Negá-la, temê-la, desviá-la é o maior erro. Não aproveitar os contos de fada é a maior estupidez. A paixão adoece e morre no amanhã, grande áfrica, todos sabem. Mas o que é a vida, senão viver cada coisa que acontece?

(retirado do blog do Gabito, http://www.carascomoeu.com.br/)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Doçura.


Eu tenho saudades que são saudades de elefantes

Essas saudades são bem grandes, gordas, cinzas, empacadas.

Chegam e teimam em não partir.

Algumas vezes, meus elefantes, vem sozinhos, noutras chegam aos montes, uma "elefantéia de saudades".

Entram gordos, arrombando portas, sentam bem no meio da casa.
Gosto dos meus elefantes.

Não reclamam, não gritam, nem desesperam, apenas surgem e ocupam um espaço imenso.

Ficam lá, tranquilos, denunciando faltas, apontando ausências com suas trombas esquisitas.

O única coisa possível a fazer é dizer aos donos dos meus elefantes
"Tenho uma saudade elefante de você".
Então eles partem, para outro dia retornar

Lembram sempre, meus gordinhos, que afeto não foi feito para economizar.
Que amor elefante a gente tem que comunicar.

Minhas saudades elefantes tem o tamanho dos meus amores.

Meus elefantes são imensos!

É que não sei amar pequenininho.
(Doçura colhida do blog da Déia - TPM)

Olhar estrelas.


"Pintou estrelas no muro
e teve o céu
ao alcance das mãos"
(H. Kolody)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Amar...



Amar é abanar o rabo, lamber e dar a pata...
(Cazuza)

Olhar para o tempo.

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.
(V. de Moraes)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

John e Yoko.



O segredo de Yoko


Temos esse sujeito, John Lennon.
Mais famoso que Jesus Cristo, segundo comentário da época.
Pra começar, guitarrista e cantor dos Beatles. Gente, vocês já viram os vídeos dos caras andando por aí, nos anos 60? A comoção, os faniquitos, os descabelamentos? Sendo o John Lennon, sinceramente, ele podia ter conseguido coisa mais bonita. Verdade, que comentário cruel, mas vamos ser honestos: Yoko não era assim nenhuma modelo. Nem me parecia simpática, tipo, nunca vi ela nas fotos com um sorriso solar nem abraçando gostoso um amigo.
Então, até onde eu sei, era moça de poucos traços de beleza -deficiência essa sequer compensada por uma simpatia invencível. John Lennon, que podia ter um affair com a própria Afrodite depois do day spa, prefiriu a Yoko.
Daí eu começo a pensar: "Meu Deus, por que será?" Penso nisso, aliás, há anos. e não venham me dizer que vocês não pensam nisso também, quando aparece um cara lindo com uma moça sem atributos. Acontece, eu sei.
Então desenvolvi algumas teses. Primeiro: Yoko podia ser um furor na cama, coisa que impressiona os homens, esses seres óbvios. Mas isso era fácil nos anos 60, todo mundo era assim. Descartei. Outro motivo: Yoko era artista e artistas seduzem, se entendem. Desisti dessa tese ao ver os quadros da Yoko. Não é possível que o autor de Imagine achasse aquilo bonito. Outro motivo: a Yoko podia ser daquelas que se dá bem com os amigos - que é muito importante. Homem adora namorada que se dê bem com os amigos. Hipótese absurda, porque, afinal de contas, se a Yoko fosse legal com a rapaziada, os Beatles não teriam acabado. Outro motivo que junta casais improváveis é a grana. Só que, no caso, o rico era John Lennon. O golpe do baú é ao contário: o feio que tem a grana. Estão vendo? Por isso a obsessão - não há motivos para a Yoko ser a senhora Lennon. Aparentemente.
Vejamos então a Yoko, hoje. Me digam: existe alguma viúva dessas clássicas que carregue o fardo com mais elegância, com mais discrição? Só Jackie Onassis - que já se foi. Mais ainda: me mostrem uma foto em que ela esteja de braço dado com outro. Uma só foto. Não tem. Então eu começo a entender a Yoko: ela ainda é casada com o Jonhn Lennon, e do convívio extrai sabedoria e postura. Yoko ainda é sua parceira, sua companheira. E aí está a tal qualidade dela: companheirismo - pra todo sempre. Homem gosta disso.
Gostamos de mulher que está sempre lá, pra segurar a peteca junto com a gente. Pra ir em velório. Pra ir ao almoço da firma. Pra ir ao show da Shakira, se um dos dois for maluco. Pra ficar fazendo nada, se o sábado for chuvoso. Pra fazer economia, se a coisa estiver preta. John Lennon propunha: Yoko, vamos ficar pelados na cama e chamar uns fotógrafos? E ela topava. Companheirismo. Estar ali, sempre. Pro que der e vier. Então acho que descobri o segredo da Yoho Ono. É isso. Finalmente - agora posso descansar e me dedicar a entender outras coisas, como o Big Bang ou a obsessão por sapatos.
(Lusa Silvestre - maio/10)

...


"Seus olhos e seus olhares,
milhares de tentações
...
Seus dentes e seus sorrisos
Mastigam meu corpo e juízo
Devoram os meus sentidos..."
lálálálálálá
♪♫♪♫

Olhar além.


"Diálogos matinais:
-Mãe você quer uma banana?
-Quero filho.
-Deixa que eu descasco pra você mãe. Os meninos são cavalheiros, eles fazem tudo para as meninas mãe.
Pausa
-...se elas quiserem!"

Sem palavras - Coloradoooo!




Olhar de 35.


Confesso que meu aniversário não é a data que mais gosto, mas amo o dia que nasci: 21. Soa doce, suave, como um poema.
Viva eu, viva tudo, viva o Chico Barrigudo!!!!

A Idade de Ser Feliz

"Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. Uma só idade para a gente se encontrar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer. Fases douradas em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa."
(Meu eterno Quintana)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Olhar canalha.

A Michele postou em seu blog e eu não resisti.
Quem nunca teve seu canalha ou safada que atire a primeira pedra!

"É um defeito, mas nada mais delicioso do que ouvir de uma mulher: "CANALHA!"

Ser chamado de "canalha" por uma voz feminina é o domingo da língua portuguesa. O som reboa redondo. Os lábios da palavra são carnudos. Vontade de morder com os ouvidos. Aproximar-se da porta e apanhar a respiração do quarto pela fechadura.

Canalha, definitivo como um estampido, como um tapa. Não ser chamado de canalha pela maldade, mas por mérito da malícia, como virtude da insinuação, pelo atrevimento sugestivo. Não o canalha canalha, mas o ca-na-lha, sem repetição. Único. Irrepetível.

Não o canalha que deixa a mulher, o canalha que permanece junto. O canalha adorável que ultrapassou o sinal vermelho para levá-la. O canalha que é rude, nunca por falta de educação, para acentuar a violência do amor. Canalha por opção, não devido a uma infelicidade e limitação intelectual. Canalha em nome da inteligência do corpo.

O canalha. Como um elogio. Um elogio para dizer que é impossível domesticar esse homem, é impossível conter, é impossível fugir dele. Canalha como pós-graduação do "sem-vergonha".

Bem diferente de crápula, que não é sensual e define o mau-caratismo indelével, ou do cafajeste, alguém que não presta nem para ser canalha, de índole egoísta e aproveitadora.

Eu me arrepio ao escutar canalha. Um canalha que significa o contrário do dicionário. Nem perca tempo consultando o Aurélio e o Houaiss, que não incluem o sentimento da pronúncia. Estou falando do canalha que suscita aproximação, abraço, desejo. Um canalha que é um pedido de casamento entre as vogais.

Canalha funciona como uma agressão íntima. Uma agressão afetuosa. Uma provocação. Não se está concluindo, é uma pergunta. Canalha é uma interrogação gostosa.

Põe tarja rosa no lugar da preta. Canalha tem um equivalente.

Desembarcamos no ponto alto: se o canalha fosse mulher, seria SA-FA-DA. É o café cortado que faz par ao expresso. A pronúncia é igual. Aberta, com as vogais batendo três vezes nos dentes. Safada é o vodu da dicção. Alfineta a boca. Estala, como aldrava numa porta.

Quando o homem fala SAFADA, tem dificuldade para terminar. É derrotado pelo prazer. Prolonga ao máximo, como um guizo de uma cascavel. Depois de verbalizar, sente imediatamente uma saudade sonora.

Safada é expressão para morder, por mais que se queira lambê-la. Pode ser disparada no cantinho de trabalho ou numa roda de samba. É um elogio da malícia feminina, reconhecimento ao incontrolável temperamento. Com “sua” na frente é AVC. Não há como negociar prazos.

Repare: Sua Safada. O pulmão pede passagem. Mais consagração do que ofensa. Picardia na medida certa. Melodia que insinua e não limita o delírio.

Um sujeito somente diz quando reconhece que está sendo derrubado e nunca gostou tanto de ser masoquista. “Safada” é gritado como canalha. Ainda que num sussurro, ultrapassa o limite de 60 decibéis e deflagra a poluição sonora.

É um “não esperava” esperando. O cara restará idiota, com o rosto perplexo de quem pensa “nos conhecemos de algum lugar?” e não estraga o momento com essa pergunta. Traz uma autoridade milenar, um conhecimento secreto que não merecer ser revelado, muito menos questionado.

Safada é libertinagem ingênua, devassidão castiça. Safada é o que o homem encontrou para não entregar que está apaixonado."

(Furto do furto, do blog da Michele e do http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Olhar a mais.


"... aonde quer que eu vá
levo você no olhar."
(H. Vianna)

Palestra - Democracia e Processo Penal.

DEMOCRACIA E PROCESSO PENAL


A Escola Superior da Magistratura do Estado de Santa Catarina - ESMESC, a Associação dos Magistrados Catarinenses - AMC, a Academia Judicial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina - AJ/TJSC e a Editora Conceito, convidam para a mesa de palestras sobre DEMOCRACIA E PROCESSO PENAL, que realizar-se-á no dia 26 de maio de 2010, às 19hs, no auditório da Associação dos Magistrados Catarinenses, com os professores:
ARNALDO MIGLINO (Prof. da Università di Roma " La Sapienza" - Itália)
PIERGIORGIO ODIFREDDI (Prof. Università di Torino – Itália)
JACINTO NELSON DE MIRANDA COUTINHO
(Prof. Titular de Direito Processual Penal da UFPR – Doutor em Direito - Università di Roma " La Sapienza" - Itália).
Na oportunidade ocorrerá o lançamento dos livros dos Professores ARNALDO MIGLINO e JACINTO NELSON DE MIRANDA COUTINHO.
Local do evento: Auditório da AMC/ESMESC – Rua dos Bambus, nº 116, Itacorubi – SC, Florianópolis – SC.
Inscrições no site: www.esmesc.org.br
Entrada Gratuita. Será emitido certificado de participação.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Olhar para hoje: Quintana.


Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.
São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares
Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.

Que eu vou passando e passando,
Como em busca de outros ares...
Sempre de barco passando,
Cantando meus quintanares...
(M. Bandeira)

Homofobia: dois lados de uma mesma moeda.


1- Sentencing.

Gay couple could get 14 years in prison
A gay couple in Malawi who celebrated their union in a traditional engagement ceremony could be sentenced to up to 14 years of hard labor, according to lawyers familiar with the case.
Steven Monjenza, 26, and Tiwonge Chimbalanga, 20, conducted a traditional engagement ceremony in late December in Chirimba, near Blantyre. After news reports surfaced of the same-sex engagement, they were rounded up by Malawi's police and charged under colonial-era sodomy laws. Their sentencing is Tuesday.
The arrest received some popular support in the conservative southern African nation, but sparked outrage among Malawian and international gay rights campaigners.
The presiding judge refused bail for the men, who are being held in Chichiru Prison in Blantyre.
"It is quite outrageous," said Peter Tatchell, a gay rights activist from Britain who is supporting the pair. "In Malawi, people facing much more serious felony charges for serious crimes usually get bail."
Amnesty International and Human Rights Watch have called for the release of the young men. The Malawi Law Society said the case has been driven by prejudice and not jurisprudence.
"Our law is outdated," said Jabbar Alide, secretary of the Law Society. "Our constitution grants freedoms, but most local laws do not fit."
The Malawi constitutional court refused to review the case. And the court and police have maintained that they are only upholding the law.
The actions of the state has many supporters. Malawi, like much of Africa, is a deeply conservative country and the majority of the population is Christian.
"Most people are repugnant towards homosexuality," said Canaan Phiri, secretary general of the Malawi Council of Churches (MCC). "People do not declare their homosexuality because people are against this."
The MCC issued a statement charging that the homosexual act is a violation of the Bible and underlining its support of the law making it illegal.
But activists in Malawi and in several other countries say that the country's constitution -- which outlaws discrimination -- is not being upheld.
The ultimate cost is a personal one. Tatchell says he recently received a defiant message from Chimbalanga from prison.
"If people or the world cannot give me the chance and freedom to continue living with him as my lover, then I am better off to die here in prison," the message said. "Freedom without him is useless and meaningless."
(Published by CNN – May 17, 2010)


2- Presidente de Portugal promulga lei que permite casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O presidente de Portugal Aníbal Cavaco Silva, anunciou ontem, 17/5, a promulgação da lei do casamento homossexual, aprovada no começo do ano.
A lei foi promulgada no mesmo dia em que se comemora o Dia Mundial contra a Homofobia, que tinha levado à rua, em Coimbra, cerca de três centenas de pessoas na primeira marcha do género realizada na cidade.
O chefe de Estado assinalou que optou por sancionar a lei - que exclui o direito à adoção - porque devolvê-la ao Parlamento só causaria um atraso de sua entrada em vigor já que as forças de esquerda que a aprovaram não iriam mudar suas posições.
Cavaco, católico praticante, demorou várias semanas para tomar sua decisão e a anunciou em uma mensagem à nação. O anúncio ocorre três dias depois do fim de uma visita do Papa Bento XVI ao país, em que o pontífice se pronunciou contra o casamento e a adoção por homossexuais.
O presidente defendeu a necessidade do consenso nacional perante a crise econômica que Portugal vive e disse que não quer "alongar inutilmente este debate" nem "desviar a atenção dos portugueses dos problemas que afetam gravemente a vida das pessoas".
Resssaltou ainda que, somente sete países do mundo inteiro o aprovaram, sendo quatro deles parte dos 27 que integram a União Europeia. Não é verdade que "a ausência de casamento entre pessoas do mesmo sexo seja um fenômeno residual no mundo contemporâneo, um resquício arcaico típico de sociedades culturalmente mais atrasadas", sustentou Cavaco.
O presidente pôs como exemplo "as soluções jurídicas adotadas na França, Alemanha, Dinamarca e Reino Unido que não são discriminatórias e respeitam a instituição matrimonial como união entre homem e mulher". Também lembrou que tinha enviado a norma para exame do Tribunal Constitucional, o qual deu sinal verde a seu conteúdo no mês passado.
No final de seu breve discurso Cavaco anunciou que sancionava a lei após especificar que "há momentos na vida de um país no qual a ética da responsabilidade tem que se colocar acima das convicções pessoais".

(fonte: www.migalhas.com.br)

Olhar para minha alma.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O outro olhar.


Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,
que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,
que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que já fui, a outra metade eu não sei…

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba,
e que ninguém a tente complicar, porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade…também.
(O.Montenegro)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Olhar para o vitorioso Colorado!!



AAAAAAAAAAAEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE Colorado!!!!!!!

...


E exigimos o eterno do perecível, loucos!!
(C. F. Abreu)

Olhar para dentro.


Focar as semelhanças, não as diferenças.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Faz de conta.


"...Supôs que ele queria ensinar-lhe a viver sem dor apenas,

Ele dissera uma vez que queria que ela, ao lhe perguntarem seu nome,

Não respondesse (...) mas que pudesse responder "meu nome é eu", pois teu nome, dissera ele, é um eu,

Perguntou-se se o vestido branco e preto serviria, então do ventre

mesmo, como um estremecer longínquo de terra que mal se soubesse ser sinal de

terremoto, do útero, do coração contraído veio o tremor gigantesco duma forte dor

Abalada, do corpo todo o abalo — e em sutis caretas de rosto e de corpo afinal com a dificuldade de um petróleo rasgando a terra — veio afinal o grande choro seco,

Choro mudo sem som algum até para ela mesma, aquele que ela não havia adivinhado, aquele que não quisera jamais e não previra — sacudida como a árvore forte que é mais profundamente abalada que a árvore frágil — afinal rebentados canos e veias,

Então sentou-se para descansar e em breve fazia de conta que ela era uma mulher azul

Porque o crepúsculo mais tarde talvez fosse azul,

Faz de conta que fiava com fios de ouro as sensações,

Faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos,

Faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que dela não estava em silêncio alvíssimo escorrendo sangue escarlate, e que ela não estivesse pálida de morte...

Mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz de conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz de conta verde-cintilante,

Faz de conta que amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade,

Faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, não (...) mas o seu nome secreto, que ela por enquanto ainda não podia usufruir,

Faz de conta que vivia e não que estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte,

Faz de conta que ela não ficava de braços caídos de perplexidade quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio,

Faz de conta que ela era sábia bastante para desfazer os nós de corda de marinheiro que lhe atavam os pulsos,

Faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua pois ela era lunar,

Faz de conta que ela fechasse os olhos e seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos de gratidão,

Faz de conta que tudo o que tinha não era faz de conta,

Faz de conta que se descontraía o peito e uma luz douradíssima e leve a guiava por uma floresta de açudes mudos e de tranqüilas mortalidades,

Faz de conta que ela não era lunar,

Faz de conta que ela não estava chorando por dentro — pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado; ela saíra agora da voracidade de viver..."
(C.Lispector)

Ciclo de palestras.

Direitos Humanos e Desenvolvimento (Eixo 2)
"Ciclo de debates em torno do 3º Plano Nacional de Direitos Humanos"

Coordenação da mesa:
Eduardo Carlos Bianca Bittar, Faculdade de Direitos / USP
Expositores:
Celso Campilongo, Faculdade de Direito / USP
Glauco Arbix, Departamento de Sociologia/ FFLCH-USP
Data: 19 de maio de 2010
Das 10h00 às 12h00
Local: Auditório Carolina Bori - Instituto de Psicologia
Av. Prof. Mello Moraes, 1721 - Bloco G (prédio da Administração do IP)

Organização:
CÁTEDRA IEA UNESCO para Educação em Direitos Humanos, Paz, Democracia e Tolerância
NEV-USP - Núcleo de Estudos da Violência da USP
ANDHEP - Associação Nacional de Direitos Humanos / Pesquisa e Pós-Graduação

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Eternidade.

Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos...
Enganados...
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor...
... E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que é eterno.
(C. Meireles)

Arte.


Os cidadãos da região de Koblenz, na Alemanha, foram "jogados" na parede para compor este ensaio. A intenção do fotógrafo alemão Ivo Mayor era mostrar que as características de uma cidade são determinadas não só por sua geografia ou arquitetura, mas principalmente pelas pessoas que moram nela.
Conheça mais seu trabalho em : http://www.ivomayor.com/.
(Vida simples, maio/2010)

Olhar para hoje.


“De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme. só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: “meu Deus, mas como você me dói de vez em quando…”
(C. F.Abreu)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Simpósio.


Copa do mundo.


Em clima de copa, quebrando protocolos, eu não resisti!

"Uma dica para não ser trocada pelo namorado durante a copa: faça um gol do meio do campo. Pelada." (Twiter, Gabito Nunes)

hahaha

Olhar do coração.


Viver agora, tarefa dura. De cada dia arrancar das coisas, com as unhas, uma modesta alegria; em cada noite descobrir um motivo razoável para acordar amanhã.
(C. F. Abreu)

...


Minhas obviedades possuem mapas complexos.
(C. F. Abreu)

Olhar para os filhotes.

No final de semana me reabasteço de amor e depois como voltar para vida?
Difícil recomeçar sem vocês.
Saudade...

"Ser marginal foi uma decisão poética"
(Cazuza)

domingo, 9 de maio de 2010

...


E quando acaricio a cabeça do meu cão, sei que ele não exige que eu faça sentido ou me explique.
(C.Lispector)

...


Não se compreende música: ouve-se.
(C. Lispector)


*O beijo, Gustav Klimt

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Meu olhar.

Eu me pertenço.

Olhar de mãe.


"Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...]."

Meus filhos, por amor e por opção.

"Quanto a meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles..."
(C. Lispector)

Olhar colorado!!!!!


Inter elimina Banfield!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Jurisprudência do Amor.


Já parou pra pensar sobre a jurisdição do relacionamento?!? É puro processo. Todo relacionamento traz embutido um processo de conhecimento, ao qual se segue o processo de execução.
A doutrina da mocidade, então, inventou as medidas cautelares e a tutela antecipada. Afinal de contas, com o "ficar", você já obtém aquilo que conseguiria com o relacionamento principal, e, além do mais, toma conhecimento de tudo o que possa acontecer no futuro, já estando precavido. Esse processo de conhecimento pode, de cara, ser extinto sem julgamento de mérito, por carência de ação. Pior é o indeferimento da inicial por inépcia. E sem contar que na ausência do impulso oficial a coisa não vai pra frente. Havendo ilegitimidade de parte, o que normalmente se constata apenas na fase probatória; ou ainda, a impossibilidade do pedido, não tem quem agüente.
E quando é o caso, ainda mais freqüente, de falta de interesse....aí paciência!
Se ocorrer intervenção de terceiros, a coisa complica, pois amplia objetiva e subjetivamente o campo do relacionamento, transformando-o em questão prejudicial.
Pois, como se sabe, todo litisconsórcio ativo é facultativo, dependendo do grau de abertura e modernidade do relacionamento.
É necessário estar sempre procedendo ao saneamento da relação, para se manter a higidez das fases futuras.
É um procedimento especial, uma mescla entre processos civil e penal, podendo seguir o rito ordinário, sumário, ou, até mesmo, o sumaríssimo...dependendo da disposição de cada um.
A competência para dirimir conflitos é concorrente. E a regra é que se busque sempre a transação.
Com o passar do tempo, depois de produzidas todas as provas de amor, chega o momento das alegações finais... é o noivado! Este pode acontecer por simples requerimento ou então por usucapião. Alguns conseguem a prescrição nesta fase.
E na hora da sentença: "Eu vos declaro marido e mulher, até que a morte os separe". Em outras palavras, está condenado a pena de prisão perpétua.
São colocadas as algemas no dedo esquerdo de cada um, na presença de todas as testemunhas de acusação.
E, de acordo com as regras de direito das coisas, "o acessório segue o principal"... casou, ganha uma sogra de presente. E neste caso específico, ainda temos uma exceção, pois laços de afinidade não se desfazem com o fim do casamento.
Mas essa sentença faz apenas coisa julgada formal. É possível revê-la a qualquer tempo... mas se for consensual, tem que esperar um ano, apenas!
Talvez você consiga um "habeas corpus" e... novamente a liberdade.Como disse alguém que não me lembro agora, "o casamento é a única prisão em que se ganha liberdade por mau comportamento".
Ah!!! Nesse caso você será condenado nas custas processuais e a uma pena restritiva de direitos: prestação pecuniária ou perdimento de bens e valores.

(autoria dada a Arnaldo Jabor)


(colhido, novamente, da Michele)

A libélula e a tartaruga.


A libélula recém nascida, que pairava as suas leves asas sobre a água transparente do ribeirão, viu imóvel sobre uma pedra, uma tartaruga que tomava banho de sol. Espantada diante de uma criatura tão feia, pousou sobre uma folha de capim a fim de ver melhor. A tartaruga, achando que a libélula a estava admirando, começou a falar:
- Olá – disse ela.
A libélula levou um susto.
- Pensei que você estivesse morta, de tão parada.
- Já fui como você, minha criança, muito agitada, mas aprendi que é perigoso vier assim. Em você tudo é esbanjamento: asas vibrando, ir e vir nas costas do vento, voar sem cessar. Mas tudo isso faz mal. Quem se mexe muito morre logo. A vida é como a vela: há de se economizar para durar mais. Minha filosofia é simples: nunca ficar de pé, quando posso ficar deitada. Para simplificar, fico sempre deitada…
A libélula espantada de que alguém pudesse viver assim, ia perguntar se a vida vale a pena. Mas não deu tempo porque a tartaruga continuou a falar:
- Você ainda não aprendeu a lição do peso. Para se voar é preciso ser leve. Mas tudo o que é leve é frágil. As crianças gostam de empinar papagaios. Mas para subir no vento, else têm de ser feitos com varetas finas de bambu e papel de seda. Por isso, acabam quase sempre enroscados em algum galho de árvore. Mas você nunca viu uma tartaruga enroscada num galho de árvore. Estão fora dos enroscos porque não se metem a voar, porque são muito pesadas e por isso ficam sempre junto ao chão. Somos prudentes. Voar é perigoso, exige leveza e fragilidade. Isso é coisa que fascina as crianças, mas não os adultos. Os adultos são graves. E grave é aquilo que respeita a lei da gravidade e gosta de ir para baixo. Como eu. Os adultos quando querem elogiar alguém dizem que ele é uma pessoa de peso. O contrário de peso? Leveza, bexiga solta no espaço. Quando se diz que alguém é leviano, isso não é um elogio, é uma ofensa. Leviano é quem não leva as coisas a sério, como as crianças. Quanto mais adultas, mais parecidas comigo.
A libélula ia dizer que ser leve é coisa muito gostosa, porque dá sempre uma enorme vontade de rir, mas se calou, com medo de ser acusada de leviana. A tartaruga não entenderia.
- E há também a necessidade de defesas – continuou a tartaruga – Veja o seu corpo, fino como um palito. O bico de qualquer pássaro pode cortá-lo ao meio. E suas asas? Lindas e fracas. Veja agora a minha carapaça. Nem martelo consegue quebrá-la. Você é mole, eu sou dura. Mole são as crianças, os palhaços, os poetas, os artistas. Duros são os generais, os banqueiros, os policiais, as pessoas importantes. Quando as crianças deixam de ser uma libélula para se tornarem uma tartaruga, os adultos dizem que elas ficaram maduras. Na verdade o que querem dizem é que ficaram armaduras. Coisa madura é coisa mole, gostosa, boa de se comer e se descuidar apodrece e acaba. Já a armadura é coisa que vara os séculos. Como eu, impenetrável, constante, sempre a mesma. Digna de confiança. Serei amanhã o que sou hoje. Quanto a você, não sei onde estará. As coisas leves passam. As duras permanecem. Ninguém diz que Deus é vento ou nuvem.
Mas dizem que é rocha e fortaleza. Claro que as armaduras criam certos problemas. Fica difícil para brincar, pular, abraçar… Mas é o preço da sobrevivência.

(R. Alves)

Olhar único.

O meu primeiro amor e eu sentávamos numa pedra
Que havia num terreno baldio entre as nossas casas.
Falávamos de coisas bobas,
Isto é, que a gente achava bobas
Como qualquer troca de confidências entre crianças de cinco anos.
Crianças…
Parecia que entre um e outro nem havia ainda separação de sexos
A não ser o azul imenso dos olhos dela,
Olhos que eu não encontrava em ninguém mais,
Nem no cachorro e no gato da casa,
Que tinham apenas a mesma fidelidade sem compromisso
E a mesma animal – ou celestial – inocência,
Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:
Não, não importava as coisas bobas que diséssemos.
Éramos um desejo de estar perto, tão perto
Que não havia ali apenas duas encantadas criaturas
Mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,
Enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabia
Que eles levariam procurando uma coisa assim por toda a sua vida…
(M. Quintana)

Olhar para Mauricio.


"O seu olhar imensamente verde ilumina o meu quarto"
...e minha vida,
e meu coração!

...


"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada."
(C. F. Abreu)

Olhar para a vida.


"Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?"
(F.Pessoa)

"Eu não entendo apenas sinto. Tenho medo de um dia entender, e deixar de sentir..."


"E de novo então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida"
(C. F.Abreu)

terça-feira, 4 de maio de 2010

...


Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:

-Ah,terminei o namoro...

-Nossa, estavam juntos há tanto tempo.....

-Cinco anos...que pena...acabou....

-é...não deu certo...


Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam. Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa. Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível. Tudo junto, não vai encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante...e se o beijo bate...se joga...se não bate..mais um Martini, por favor...e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar.... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença. O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão? O legal é alguém que está com você, só por você. E vice versa.
Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração.....Faz parte.
Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo .E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse....A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.Nem todo beijo é para romancear.E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar...
Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ?????

(Arnaldo Jabor)
(colhido, como diz Déia, do blog da Michele)