quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Olhar para o novo ano...


Que seja doce!

Fechando 2009...




Posso ter defeitos,


viver ansioso


e ficar irritado algumas vezes


mas não esqueço de que minha vida


é a maior empresa do mundo,


e posso evitar que ela vá à falência.


Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver


apesar de todos os desafios,


incompreensões


e períodosde crise.


Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas


e se tornar um autor da própria história.


É atravessar desertos fora de si,


mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.


É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.


Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.


É saber falar de si mesmo.


É ter coragem para ouvir um "não".


É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.


Pedras no caminho?


Guardo todas,


um dia vou construir um castelo…
(F.Pessoa)

Olhar...


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."
(F. Pessoa)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009


Agora apenas deslizo, sem excessivas aflições de ser feliz.
(C.F.Abreu)

domingo, 27 de dezembro de 2009

Olhar de hoje...


Aí está ele, o mar, o mais ininteligível das existências não humanas. E aqui está a mulher, de pé na praia, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fez um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornou-se o mais ininteligível dos seres vivos. Ela e o mar.

Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões.

Ela olha o mar, é o que se pode fazer. Ele só lhe é delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da terra.

São seis horas da manhã. Só um cão livre hesita na praia, um cão negro. Por que é que um cão é tão livre? Porquê ele é o mistério vivo que não se indaga. A mulher hesita porque vai entrar.

Seu corpo se consola com sua própria exigüidade em relação a vastidão do mar porque é a exiguidade do corpo que o permite manter-se quente e é essa exiguidade que a torna livre gente, com sua parte de liberdade de cão nas areias. Esse corpo entrará no ilimitado frio que sem raiva ruge no silêncio das seis horas. A mulher não está sabendo: mas está cumprindo uma coragem. Com a praia vazia nessa hora da manhã, ela não têm o exemplo de outros humanos que transformam a entrada no amor em simples jogo leviano de viver. Ela está sozinha. O mar salgado não é sozinho porque é salgado e grande, e isso é uma realização. Nessa hora ela se conhece menos ainda do que conhece o mar. Sua coragem é a de , não se conhecendo, no entanto prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.

Vai entrando. A água salgada é de um frio que lhe arrepia em ritual as pernas. Mas uma alegria fatal - a alegria é uma fatalidade - já a tomou, embora nem lhe ocorrera sorrir. Pelo contrário, está muito séria. O cheiro é de uma maresia tonteante que a desperta de seus mais adormecidos sonos seculares. E agora ela está alerta, mesmo sem pensar, como um caçador está alerta, mesmo sem pensar. A mulher é agora uma compacta e uma leve e uma aguda- e abre caminho na gelidez que, líquida, se opõe a ela, e no entanto a deixa entrar, como no amor em que a oposição pode ser um pedido.

O caminho lento aumenta as coragem secreta. E de repente ela se deixa cobrir pela primeira onda. O sal, o iodo, tudo líquido, deixam-na por uns instantes cega, toda escorrendo - espantada de pé, fertilizada.

Agora o frio se transformou em frígido. Avançando, ela sobre o mar pelo meio. Já não precisa da coragem, agora já é antiga no ritual. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. Brinca com a mão na água, pausada, os cabelos ao sol quase imediatamente já estão endurecendo de sal. Com a concha das mãos faz o que sempre fez no mar, e com altivez dos que nunca darão explicação nem a eles mesmos: com a concha das mãos cheia de água, bebe em goles grandes, bons.

E era isso o que estava lhe faltando: o mar por dentro como o líquido espesso de um homem. Agora está toda igual a si mesma. A garganta alimentada se constringe com o sal, os olhos avermelham-se pelo sal secado pelo sol, as ondas suaves lhe batem e voltam pois ela é um anteparo compacto.

Mergulha de novo, de novo bebe mais água, agora sem sofreguidão pois não precisa mais. Ela é a amante que sabe que terá tudo de novo. O sol se abre mais e arrepia-a ao secá-la, ela mergulha de novo: está cada vez menos sôfrega e menos aguda. Agora sabe o que quer. Quer ficar de pé parada no mar. Assim fica pois. Como contra os costados de um navio, a água bate, volta, bate. A mulher não recebe transmissões. Não precisa de comunicação.

Depois caminha dentro da água de volta à praia. Não está caminhando sobre as águas - ah, nunca faria isso depois que há milênios já andaram sobre as águas - mas ninguém lhe tira isso: caminhar dentro das águas. Às vezes o mar lhe impõe resistência puxando-a com força para trás, mas então a proa da mulher avança um pouco mais dura e áspera.

E agora pisa na areia. Sabe que está brilhando de água , e sal e sol. Mesmo que o esqueça daqui a uns minutos, nunca poderá perder tudo isso. E sabe de algum modo obscuro que seus cabelos escorridos são de náufrago. Porque sabe - sabe que fez um perigo. Um perigo tão antigo quanto o ser humano.
(C.Lispector)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Feliz Natal! Meu presente para você...


Poesia a minha velha amiga…
eu entrego-lhe tudo a que os outros não dão importância nenhuma…
a saber: o silêncio dos velhos corredores
uma esquina
uma lua (porque há muitas, muitas luas…)
O primeiro olhar daquela primeira namorada que ainda ilumina,
ó alma como uma tênue luz de lamparina, a tua câmera de horrores.
E os grilos? Não estão ouvindo, lá fora, os grilos?
Sim, os grilos…Os grilos são os poetas mortos.
Entrego-lhe grilos aos milhões
um lápis verde
um retrato amarelecido
um velho ovo de costura
os teus pecados
as reivindicações
as explicações –
menos o dar de ombros e
os risos contidos
mas todas as lágrimas que o orgulho estancou na fonte
as explosões de cólera
o ranger de dentes
as alegrias agudas
até o grito
a dança dos ossos…
Pois bem
às vezes
de tudo quanto lhe entrego,
a Poesia faz uma coisa que parece que nada tem a ver com os ingredientes
mas que tem por isso mesmo um sabor total:
eternamente esse gosto de nunca e de sempre.
(Quintana)

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Pausa para o riso

Meus filhos, por amor e por opção. "Sorte, sorte na vida, filhos feitos de amor!!"


Recebi esse e-mail da minha enteada...
Estou sendo uma boa mãe, rs.


Ensinamentos de mãe. (as mães entenderão!!)


Minha mãe ensinou a VALORIZAR O SORRISO...
"ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!"

Minha mãe me ensinou a RETIDÃO.
"EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PANCADA!"


Minha mãe me ensinou a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS...
"SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!"


Minha mãe me ensinou LÓGICA E HIERARQUIA...
"PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?"


Minha mãe me ensinou o que é MOTIVAÇÃO...
"CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!"


Minha mãe me ensinou a CONTRADIÇÃO...
"FECHA A BOCA E COME!"


Minha Mãe me ensinou sobre ANTECIPAÇÃO...
"ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!"


Minha Mãe me ensinou sobre PACIÊNCIA...
"CALMA!... QUANDO CHEGARMOS EM CASA VOCÊ VAI VER SÓ..."


Minha Mãe me ensinou a ENFRENTAR OS DESAFIOS...
"OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!"


Minha Mãe me ensinou sobre RACIOCÍNIO LÓGICO...
"SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E EU VOU TE DAR UMA SURRA!"


Minha Mãe me ensinou MEDICINA...
"PÁRA DE FICAR VESGO MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE."


Minha Mãe me ensinou sobre o REINO ANIMAL...
"SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!"


Minha Mãe me ensinou sobre GENÉTICA...
"VOCÊ É IGUALZINHO AO SEU PAI!"


Minha Mãe me ensinou sobre minhas RAÍZES...
"TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?"


Minha Mãe me ensinou sobre a SABEDORIA DE IDADE...
"QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER."


Minha Mãe me ensinou sobre JUSTIÇA...
"UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO ELES FAÇAM PRA VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!"


Minha mãe me ensinou RELIGIÃO...
"MELHOR REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!"


Minha mãe me ensinou o BEIJO DE ESQUIMÓ...
"SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!"


Minha mãe me ensinou CONTORCIONISMO.
"OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!"


Minha mãe me ensinou DETERMINAÇÃO...
"VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!"


Minha mãe me ensinou habilidades como VENTRÍLOGO...
"NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?"


Minha mãe me ensinou a SER OBJETIVO...
"EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!"


Minha mãe me ensinou a ESCUTAR ...
"SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!"


Minha mãe me ensinou a TER GOSTO PELOS ESTUDOS...
"SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!..."


Minha mãe me ajudou na COORDENAÇÃO MOTORA...
"JUNTE AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR UM!!"


Minha mãe me ensinou os NÚMEROS...
"VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!"
Brigadão Mãe !!!


Não por isso Laurinha!!hahaha
Mãe é mãe, um amor imenso, tentando acertar...
Cazuza já dizia: "Mãe é bom, mas dura 24 hs por dia!"
Amo vocês!!

PS: eu sei que vocês não irão gostar da foto, reclamarão que é velha, que estão feios...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência.
E a lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
(C. Lispector)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Olhar de votos!


Natal, fim de mais um ano. Uma etapa fechando, partindo com ela lembranças, momentos, pessoas.

A vida passando diante de meus olhos...

Um ano novinho chegando. Esse, mais do que nunca, cheio de oportunidades, novidades.

Pensei em fazer uma retrospectiva, deixar palavras belas, mas sou intuitiva e nada do escrevia eu gostava.

Eis que achei o que quero deixar para vocês:

Meus votos de um Feliz Natal e para um Novo Ano, por Luís Fernando Veríssimo:

"Os cartões de fim de ano são um desafio à criatividade humana. Pois todas as suas variações também já foram inventadas.
Quando eu trabalhava em publicidade, todos os anos recebia encomendas de saudações de Natal e Ano Novo "diferentes".
Os clientes não se contentavam em apenas desejar que o Natal fosse feliz e o Ano Novo fosse próspero.
Uma vez sugeri um cartão de Natal completamente em branco com a frase "Aquelas coisas de sempre..."
Mas acho que este foi considerado diferente demais.
E dê-lhe poesia, pensamentos inspiradores, má literatura e a busca desesperada do diferente.
Um cartão em forma de sapato, de dentro do qual saía uma meia.
A meia para o Papai Noel encher de presentes e o sapato para entrar o Ano Novo de pé direito. Coisas assim.
Enfim, tudo isto é apenas para desejar a você...
Aquelas coisas de sempre."

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Olhar de sonho, de agradecimentos!


“Eu fico com a pureza da resposta das crianças
É a vida, é bonita e é bonita.
Viver, e não ter a vergonha de ser feliz.
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz... “

Aqui, nestas páginas, sou a Érica da forma mais nua e crua possível. Escrevo sem pensar em quem irá ler, se vai gostar ou não, aqui sou inteira (como tento ser em minha vida, sempre).
Uma Érica que está em constante movimento, procurando ser um ser humano cada dia mais humano. Falar menos, ouvir mais; olhar quem está ao meu lado – já percebeu o quanto deixamos de olhar para as pessoas que estão bem próximas?
É assim que, hoje, venho dividir um momento de felicidade intensa com você, meu leitor, meu amigo.
E começo com a seguinte indagação: você já teve um sonho?
Não, não falo de um sonho qualquer, um objetivo, um capricho, uma meta ou qualquer outro nome que pode camuflar um sonho.
O sonho, do qual eu pergunto, é um sonho desejado, amadurecido.
Sabe aquele sonho que faz você perder noites de sono e achar ótimo; escrever até de madrugada, esquecer de salvar, perder tudo e recomeçar com o mesmo entusiasmo; chorar, se desesperar e continuar. É deste sonho que falo.
Somente quem sonhou poderá me entender...

"Hoje vai ter uma festa
e eu vou dançar até
o sapato pedir pra parar
Aí eu paro, tiro o sapato
E danço pro resto da vida!"


Quem acompanha meu modesto mundo sabe bem do sonho que estou falando.
...
Foram meses de namoro, planos, expectativas e uma “quase desistência”.
Acredito piamente que todos nós temos uma tarefa neste plano em que vivemos e, assim, não podemos fugir de algumas coisas. Temos sim o livre-arbítrio, mas há uma força maior que nos move.
E assim, recuperadas as forças físicas, me voltei, novamente, de frente para o sonho.
Foi tudo muito rápido e quando vi já era a hora do primeiro encontro.
Um encontro não propriamente com o sonho, mas com sua estrutura física.
Voltei a ter 7 anos, meus olhos brilhavam ao ver a imponência, a arquitetura, e o medo do desconhecido pulsava dentro de mim.
O destino, sim, não há acaso nesta vida, ainda reservava uma surpresa: o elevador. É, você pode não entender, mas o elevador me trouxe a mais grata alegria!
Saio dali amedrontada, com o coração na mão. Encosto no meu sempre companheiro e vejo o quanto ele também teme tudo ter ido embora.
Não há o que fazer. Me esforcei muito, fiz o melhor, “agora Inês é morta”.
Dias depois fico sabendo que vou para o último passo rumo ao sonho – dias de felicidade.
Desta vez parto sozinha.
Mudanças, o desconhecido, abrir e fechar ciclos, tudo muito difícil e doloroso. Eis a mágica da vida.
Do que mais me arrependo na vida, é quando vejo pessoas passando por mim sem que eu tenha tempo de conhecê-las. No mais, não há arrependimentos, tudo é válido. Cair e levantar, é a vida!
A preparação é complicada. Choro, baixinho para que ninguém me ouça. Ligo pra casa, me finjo de forte, para que todos possam ficar calmos também.
Quando se tem uma família, todos se envolvem na busca do sonho. Mesmo que signifique perdas temporárias, mudanças bruscas. Não importa. O que importa é que um de seus membros está indo em busca de um sonho.
Chega o horário.
No caminho vou jogando conversa fora com o taxista (adoro conversar com taxistas! – não, não é tara por taxistas rs. Gosto de ouvir as histórias da cidade, seu olhar da cidade em que vive...).
Quando vou descer do carro, o taxista beija minha mão e diz: “- Todo sorte do mundo, tudo vai dar certo!”.
Puxa, sou uma pessoa de sorte. Acho que já comentei neste blog como em todos os momentos decisivos da minha vida aparece um estranho, que não sabe o que estou vivendo e me diz algo exato.
Sigo o caminho pensando nas lendas que ouvi daquelas terras, de seus habitantes. No que já imaginei, criei.
Sinto o vento batendo em meu rosto, o cheiro da cidade nova e uma sensação de paz me invade.
Quando chego ao encontro das pessoas que decidirão o destino do meu sonho, sou recepcionada com a gentileza e o carinho que recebi desde que pisei pela primeira vez nestas terras.
Conto do meu sonho para meus ouvintes e sinto que eles gostam, acreditam...
Parto dali com o coração em festa. Algo me diz que tudo dará certo.
Para conquistarmos sonhos, não basta sonhar, é preciso esforço. Sabia do meu esforço e, se desse certo ou não, havia feito o melhor.
Dia 14/12: meu nome está na lista de aprovados!
Meu momento mastercard, não têm preço!!!
Como disse no início, não é apenas um projeto de vida e sei que pode parecer pequeno para muitos, mas é uma paixão, um sonho realizado.
A vida é feita de pequenas alegrias. Só levaremos o que aprendemos, o que sentimos, o que vivenciamos. Carros, imóveis, roupas, cargos, estes ficarão por aqui.
Assim, este singelo sonho tem uma dimensão imensurável em minha vida. Meu papel no mundo. O início da pequena contribuição para um mundo mais humano.
Quero agradecer, sem exceção, a todos. Cada e-mail trocado, bilhete, tempo doado, colinho recebido, palavras de incentivo, de carinho, dúvidas esclarecidas. Enfim, sem cada um de vocês não chegaria até aqui.
Mauricio e meus filhotes, faço aqui um agradecimento público, pelo tempo que deixei de estar com vocês e recebi amor e mais amor, pelo incentivo, pelo sofrimento da expectativa, pela alegria que vocês me proporcionam a cada dia. Será um grande passo para todos nós. Eu os amo!

Bueno, POA, lá vou eu. Com muito chimarrão e o Inter, já cravado no coração!!

Um beijo, com todo meu carinho a cada um de vocês.

Deixo-os com Quintana:

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas do lado de fora do papel...
Não sei, eu nunca soube o que dizer-te e este poema vai morrendo,
ardente e puro, ao vento da Poesia...
como uma pobre lanterna que incendiou!”

sábado, 12 de dezembro de 2009

Cem anos de perdão.


Quem nunca roubou não vai me entender. E quem nunca roubou rosas, então é que jamais poderá me entender. Eu, em pequena, roubava rosas.

Havia em Recife inúmeras ruas, as ruas dos ricos, ladeadas por palacetes que ficavam no centro de grandes jardins. Eu e uma amiguinha brincávamos muito de decidir a quem pertenciam os palacetes. "Aquele branco é meu." "Não, eu já disse que os brancos são meus." Parávamos às vezes longo tempo, a cara imprensada nas grades, olhando.

Começou assim. Numa dessas brincadeiras de "essa casa é minha", paramos diante de uma que parecia um pequeno castelo. No fundo via-se o imenso pomar. E, à frente, em canteiros bem ajardinados, estavam plantadas as flores.

Bem, mas isolada no seu canteiro estava uma rosa apenas entreaberta cor-de-rosa-vivo. Fiquei feito boba, olhando com admiração aquela rosa altaneira que nem mulher feita ainda não era. E então aconteceu: do fundo de meu coração, eu queria aquela rosa para mim. Eu queria, ah como eu queria. E não havia jeito de obtê-la. Se o jardineiro estivesse por ali, pediria a rosa, mesmo sabendo que ele nos expulsaria como se expulsam moleques. Não havia jardineiro à vista, ninguém. E as janelas, por causa do sol, estavam de venezianas fechadas. Era uma rua onde não passavam bondes e raro era o carro que aparecia. No meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanta tonteira de perfume.

Então não pude mais. O plano se formou em mim instantaneamente, cheio de paixão. Mas, como boa realizadora que eu era, raciocinei friamente com minha amiguinha, explicando-lhe qual seria o seu papel: vigiar as janelas da casa ou a aproximação ainda possível do jardineiro, vigiar os transeuntes raros na rua. Enquanto isso, entreabri lentamente o portão de grades um pouco enferrujadas, contando já com o leve rangido. Entreabri somente o bastante para que meu esguio corpo de menina pudesse passar. E, pé ante pé, mas veloz, andava pelos pedregulhos que rodeavam os canteiros. Até chegar à rosa foi um século de coração batendo.

Eis-me afinal diante dela. Para um instante, perigosamente, porque de perto ela é ainda mais linda. Finalmente começo a lhe quebrar o talo, arranhando-me com os espinhos, e chupando o sangue dos dedos.

E, de repente - ei-la toda na minha mão. A corrida de volta ao portão tinha também de ser sem barulho. Pelo portão que deixara entreaberto, passei segurando a rosa. E então nós duas pálidas, eu e a rosa, corremos literalmente para longe da casa.

O que é que fazia eu com a rosa? Fazia isso: ela era minha.

Levei-a para casa, coloquei-a num copo d'água, onde ficou soberana, de pétalas grossas e aveludadas, com vários entretons de rosa-chá. No centro dela a cor se concentrava mais e seu coração quase parecia vermelho.

Foi tão bom.

Foi tão bom que simplesmente passei a roubar rosas. O processo era sempre o mesmo: a menina vigiando, eu entrando, eu quebrando o talo e fugindo com a rosa na mão. Sempre com o coração batendo e sempre com aquela glória que ninguém me tirava.

Também roubava pitangas. Havia uma igreja presbiteriana perto de casa, rodeada por uma sebe verde, alta e tão densa que impossibilitava a visão da igreja. Nunca cheguei a vê-la, além de uma ponta de telhado. A sebe era de pitangueira. Mas pitangas são frutas que se escondem: eu não via nenhuma. Então, olhando antes para os lados para ver se ninguém vinha, eu metia a mão por entre as grades, mergulhava-a dentro da sebe e começava a apalpar até meus dedos sentirem o úmido da frutinha. Muitas vezes na minha pressa, eu esmagava uma pitanga madura demais com os dedos que ficavam como ensangüentados. Colhia várias que ia comendo ali mesmo, umas até verdes demais, que eu jogava fora.

Nunca ninguém soube. Não me arrependo: ladrão de rosas e de pitangas tem 100 anos de perdão. As pitangas, por exemplo, são elas mesmas que pedem para ser colhidas, em vez de amadurecer e morrer no galho, virgens.
(C. Lispector)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Lançamento

Tim-tim!

Um brinde as merdas (me perdoem, mas é a única palavra que exprime com exatidão os tropeços desse ano!) do ano que vai nos deixando...

"Se bebemos para ser mais idiotas e se, idiotas, ficamos dionisiacamente felizes; então os idiotas que o são sem qualquer álcool vagando pelo sangue, são dionisíacos sóbrios, que fazem da vida uma felicidade plena. Que fortuna ser um idiota completo! Por isso, devemos brindar quando estivermos bêbados e efemeramente idiotas, aos idiotas de verdade, os mais sábios entre os sábios mais idiotas...tim-tim! (extraído do blog: http://entrehermes.blogspot.com)"

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

STF e revisão das regras mínimas da ONU.

Comitê se reúne no STF para revisar regras mínimas da ONU para tratamento de presos.

O Supremo Tribunal Federal sediará, nos dias 2 e 3 de dezembro, reunião da Comissão de Redação do Comitê Permanente da América Latina para revisão das Regras Mínimas da ONU para o Tratamento de Presos.
O Comitê, instituído em 2007 pela Fundação Internacional Penal e Penitenciária (constituída, em 1951, pela Assembleia Geral da ONU), é presidido pelo ministro Cezar Peluso, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
Depois de dois anos de trabalho, o Comitê apresentou o relatório final durante Assembleia Geral, realizada nos dias 21 e 22 de outubro de 2009, em Belém (PA).
Agora, a Comissão de Redação está encarregada do fechamento do texto e incorporação dos comentários elaborados na ocasião. O texto será submetido ao XII Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção do Crime e Justiça Criminal: “Estratégias amplas para desafios globais: prevenção ao crime e justiça criminal e seu desenvolvimento em um mundo em transformação”, que será realizado em abril de 2010, em Salvador (BA).
No Congresso, durante o workshop “Survey of United Nations and other Best practices in the treatment of prisoners within the criminal justice system”, o Comitê apresentará o relatório à comunidade internacional, antes de seu encaminhamento ao ECOSOC (Conselho Econômico e Social das Nações Unidas).
A oportunidade é importante, pois estarão presentes os chefes de Estado e diversas outras autoridades dos países membros da ONU, para definir o plano de investimentos a ser adotado pela UNODC (Escritório contra Drogas e Crime das Nações Unidas) nos anos de 2010 a 2015, na área de controle da criminalidade e de segurança pública.

Humanização do sistema penitenciário

Durante a Assembleia Geral de Belém, o ministro Cezar Peluso declarou que a revisão das regras mínimas da ONU para o tratamento de presos constitui um pequeno mas significativo passo para a humanização do sistema penitenciário. De acordo com ele, os diversos encontros e debates sobre o tema se pautaram na consideração das particularidades dos sistemas prisionais e das políticas criminais adotados nas diferentes regiões, com os olhos postos permanentemente na necessidade de observância de determinados padrões de punição civilizada.
Em sua palestra, o vice-presidente do STF afirmou também estar convencido da necessidade da celebração de uma convenção sobre o tratamento de presos, dotada de todos os instrumentos indispensáveis à sua execução, tais como previsão da realização de cursos, de formação de comissão internacional que auxilie na elaboração das legislações internas e no cumprimento das medidas propostas, de mecanismos de avaliação da implementação e de criação de um fundo internacional.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O final do Brasileirão


Bueno, como prometi, aqui estou para cumprimentar o vencedor do Brasileirão: parabéns!!
O Maracanã estava realmente MARAVILHOSO!!
Aquele pessoal de azul realmente, quando promete, cumpre.
Mas estamos no final do ano e um novo ano nos espera.
Previsões para 2010?
Algo me diz que o Cristo vai se despindo do negro e ficando apenas colorado...
Até o próximo Brasileirão.
Dá-lhe Inter!!

sábado, 5 de dezembro de 2009


- A roseira não assusta você? perguntou suave.
- Esta não: esta tem espinhos.
Vitória franziu as sobrancelhas:
- E que diferença faz se tem espinhos?
- É que só tenho medo, disse Ermelinda com certa voluptuosidade, quando uma flor é bonita demais: sem espinho, toda delicada demais, e toda bonita demais.
(C.Lispector)

Paulo


O que me tranqüiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.
(C. Lispector)
Com todo meu carinho, um beijo meu doce!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009


Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
(C. Meireles)

Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido.
Eu não: quero uma verdade inventada.
(C. Lispector)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009


O mundo não tem uma ordem visível
e eu só tenho a ordem da respiração.
Deixo-me acontecer.
(C.Lispector)

Brasileirão.


Já escrevi aqui (06/11) que meu amor pelo futebol é muito mais por fidelidade partidária do que um amor propriamente dito.

Neste ano, resolvi pular de cabeça, torcer com toda minha força e gritos (diriam minhas filhas) e me ferrei (com o perdão da palavra).

Por favor, quem sou eu para avaliar o time do Goiás (tirando o goleiro maravilhoso, que aprendeu a arte do futebol aqui em Ribeirão, no Comercial do Mauricio), mal consigo definir quem é quem dentro de campo, mas daí a golear o São Paulo não vale.

Ok, eu torci para o Goiás contra o Flamengo, vibrei quando o jogo acabou!! (e estou começando a achar que os Deuses resolveram se vingar - quem canta vitória antes da hora...).

Domingo foi um parto, não acreditava no que assistia. Acho que qualquer pesadelo seria melhor do jogo que o São Paulo demonstrou em campo.

E o Corinthians? Timinho, nem para jogar bola serve!!

O que salvou meu domingo foi ver o meu Inter vencer, mas, como diz o ditado: “...alegria dura pouco”. E quem vai enfrentar o Flamengo? Grêmio.

Um sábio amigo oculto do Sul me alerta: "Não confie nos de azul!!"

E assim, meu caro, segue o Brasileirão.

Eu sei, prometi para o Geraldo (carioca/flamenguista) que saberei perder (sou uma mulher que sabe perder!), mas quero deixar aqui uma reflexão para os “vitoriosos de plantão”:

1- nenhum dos meus times (SP e Inter) é o queridinho da Globo – aquela emissora que tudo pode, que elege até presidente, que embolsa uma malinha ao final do campeonato e

2- imperativo ressaltar:

a- sofremos punições sem sentido,

b- ninguém nos deu pontos (sim, nossos pontos foram conquistados) e

c- não vamos ganhar o campeonato com um timinho, como é o Grêmio, entregando o jogo para não ver meu Colorado sendo campeão.

Assim, meus queridos Flamenguistas (Gremistas aproveitem tbém, será uma oportunidade única de comemorar algo!), podem comemorar sua “vitória”!!

E não se fala mais em Brasileirão aqui! hehehe


PS: Para meus amigos flamenguistas e gremistas:
Futebol é futebol, é disputa e amizade não, é algo caro!!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009


Sentimentos contraditórios invadem o meu ser.
O novo, a incerteza, gera expectativa, medo.
“Certa hora da tarde era mais perigosa.
Certa hora da tarde as árvores que plantara riam dela. Quando nada mais precisava de sua força, inquietava-se.
Naquela tarde todos os perigos, todos os sentimentos voltaram."
(C. Lispector)

Porém, no meu silêncio, posso ouvir uma melodia tranquila, serena.
Aposto todas as minhas fichas!!!
Ganhar ou perder já não importa.
Importa o cheiro, as lembranças, o crescimento, o novo mundo.
Tudo que eu conquistei!!
"Outro sinal de se estar em caminho certo é o de não ficar aflita por não entender; a atitude deve ser: não se perde por esperar, não se perde por não entender."
(C.Lispector)

Olhar de sonhos.


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(F. Pessoa)

NEV-USP convida.



Maiores informações: http://www.nevusp.org

"Do mesmo modo que no reino das estrelas às vezes há dois sóis que determinam a órbita de um planeta, do mesmo modo que, em certos casos, sóis de diferentes cores iluminam um único planeta, ora com luz vermelha, ora com luz verde, e então, incidindo ao mesmo tempo, inundam-no de cores:é assim que nós, homens modernos, graças à complicada mecânica de nosso "céu estrelado" - somos determinados por diversas morais; nossas ações reluzem de modo alternado em cores diversas, elas raramente são inequívocas - e há casos suficientes em que praticamos ações multicoloridas." (F. Nietzsche)

Na sexta "reencontrei" essa linda música, que adoro...

DIA BRANCO
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...
E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor...
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Comigo, comigo.
(G.Azevedo)

domingo, 29 de novembro de 2009


Pertencer
Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou. Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça. Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus. Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso. Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro. Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos. Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa. Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida. No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido. A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!
(C.Lispector)

sábado, 28 de novembro de 2009

Olhar de felicidade


Sim, eu sei que Clarice diria que é uma felicidade clandestina, mas ouso sorrir, sem me perder no caminho.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Para meu amor, Mauricio.


Tão bom morrer de amor e continuar vivendo
(Quintana)

Olhar de tristeza...



REVISTA ISTOÉ


Juízes Pedófilos


“Tribunal de Justiça de Pernambuco afasta dois magistrados por abuso sexual de menores; um deles é acusado de matar três testemunhas
Hugo Marques


A Justiça pernambucana está envolta em um escândalo sexual de proporções inéditas que corre o risco de deixar uma nódoa em toda a magistratura do Estado. Investigações da Corregedoria do Tribunal de Justiça pernambucano constataram que dois juízes, que também atuam na Vara da Infância e Juventude, mantinham relações homossexuais com crianças e adolescentes em cidades do interior pernambucano. Um terceiro juiz continua sob investigação e corre o risco de ter o mesmo destino de seus pares pedófilos: afastamento temporário ou uma aposentadoria compulsória com pagamento integral de seus rendimentos no momento em que foram acusados pela corregedoria.
As penas para lá de suaves foram imputadas aos juízes Francisco de Assis Timótio Rodrigues, de São José do Belmonte (PE), e Max Cavalcanti de Albuquerque, de Palmeirina (PE). Apesar das graves acusações, os dois só foram afastados de suas funções por conta da insistência da Corregedoria Nacional de Justiça, que ameaçou intervir no TJ de Pernambuco se providências não fossem tomadas de forma imediata. Os dois juízes já vinham sendo investigados há meses, mas só a partir de setembro o tribunal decidiu agir por conta das pressões do corregedor nacional de Justiça Gilson Dipp, que tomou conhecimento dos fatos na festa de casamento de Laura Mendes, filha do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, em setembro.
As acusações contra o juiz Francisco de Assis Timótio Rodrigues, de São José do Belmonte (PE), são as mais alarmantes, conforme documentos obtidos por ISTOÉ. Uma extensa investigação da Corregedoria-Geral de Justiça de Pernambuco confirmou que o magistrado "abusa sexualmente de adolescentes". Familiares das vítimas do juiz tiveram de mudar do município e outros parentes se recusaram a prestar depoimento, temendo represálias. As diligências da Equipe de Inteligência do TJ constataram que o magistrado promovia festas na piscina de casa com garotos. Até um padre teria participado das orgias. Políticos, lideranças locais e integrantes da PM também eram assíduos da casa do juiz, segundo relatório da Corregedoria de Justiça de Pernambuco. Um coronel da PM estaria envolvido.
"As denúncias não são verdadeiras, tudo isso é leviandade", defende-se o juiz Assis Timótio. "Nunca fiz festa com adolescentes. Os adversários políticos fizeram essa maracutaia comigo", defendeu-se em entrevista à ISTOÉ. Mas, segundo o próprio TJ de Pernambuco, o caso é ainda mais grave. Como queima de arquivo, três pessoas teriam sido mortas "por saberem detalhes da vida privada" de Assis Timótio, que foi afastado do cargo, mas não foi demitido.
Em Palmeirina (PE), a denúncia envolve o juiz Max Cavalcanti de Albuquerque. Ele foi acusado de envolvimento com um menor desde a época em que o garoto tinha 10 anos de idade. De acordo com o relatório da Corte Especial do TJ, Max dividia uma cama de casal com o menino. Uma das testemunhas do caso, a empregada doméstica Sandra da Silva, diz ter ficado surpresa ao ver o garoto saindo do quarto do juiz pela manhã. Em um estudo psicossocial, o menino tentou ocultar que dormia na cama do juiz, mas reclamou aos especialistas: "Metade da cidade diz que sou o veado do juiz." O juiz Max Cavalcanti foi aposentado compulsoriamente pelo TJ. Em entrevista à ISTOÉ, ele se defende: "Isso é uma acusação de cunho político que não está provada. Fui orientado pelos meus advogados a não dar declarações a este respeito".
Os casos pernambucanos são apenas a ponta de um iceberg que está deixando a cúpula do judiciário estarrecida. No Acre, a CPI da Pedofilia da Assembleia Legislativa quer investigar denúncia de envolvimento do juiz Pedro Luiz Longo com menores. Ele é da Vara de Família de Rio Branco. "Os casos de pedofilia envolvem geralmente pessoas influentes. O caso do juiz Pedro Luiz Longo foi arquivado na Justiça, mas queremos investigar na CPI. Imagina investigar um juiz, se não posso investigar nem um cidadão comum?", lamenta o deputado estadual Donald Fernandes (PSDB), relator da CPI da Pedofilia.
O juiz Antonio Carlos Branquinho, do Tribunal Regional do Trabalho do Amazonas, flagrado em pedofilia em julho, em Tefé, conseguiu evitar sua convocação na CPI da Pedofilia no Senado Federal, no dia 18 de agosto. Ele impetrou habeas-corpus no STF e o ministro Marco Aurélio Mello suspendeu cautelarmente a presença do magistrado. O juiz não acredita que será chamado a depor em Brasília. "O processo corre em segredo de Justiça e não tenho nada a dizer a você", disse o juiz Branquinho à ISTOÉ. Ele questiona no STF os "limites de poderes de investigação" de uma CPI. (ps. 54 e 55)
(24/11/2009)
Extraído do blog do Dr. Alexandre:

Poesia


Por favor, não me analise

Não fique procurando cada ponto fraco meu.

Se ninguém resiste a uma análise profunda,

Quanto mais eu…

Ciumento, exigente, inseguro, carente

Todo cheio de marcas que a vida deixou

Vejo em cada grito de exigência

Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese

É uma integração de dados

Não há que tirar nem pôr

Não me corte em fatias

Ninguém consegue abraçar um pedaço

Me envolva todo em seus braços

E eu serei o perfeito amor.

(Quintana)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


Furtei, como sempre faço, esse texto do blog do Paulo.

Que possamos dançar em nossas próprias festas, molhar nossas gramas, comer o peixe que pescamos.

Como dizia Drumond: "A dor é inevitável. O sofrimento é opcional..."

Sejamos felizes meu caro!!


Recebi esse texto da querida amiga Ani Paludo e agora compartilho aqui. Nunca gostei muito dos escritos da Martha Medeiros, mas a ideia desse parece tratar de um sentimento que a todos já deve ter tocado, ainda que de mansinho. Se bem que deve-se sempre duvidar da fidelidade autoral de textos recebidos pela internet...de qualquer forma não importa!


A massacrante felicidade dos outros...


Há no ar um certo queixume sem razões muito claras. Converso com mulheres que estão entre os 40 e 60 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e, ainda assim, elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. De onde vem isso?Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: 'Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento'. Passei minha adolescência com a mesma sensação de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho...As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas... Então, fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando, na verdade, a festa lá fora não está tão animada assim! 4Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma.Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados.Prá consumo externo, todos são belos, sexy, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores, enfim, campeões em tudo! Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia - e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta: 'Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça.' Mas tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia...Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé?Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista. As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento...
Martha Medeiros

"O mistério explica mais que a claridade"
(C. Lispector)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mais sementes...


Sabe o que está na foto??? Tijolos!!! Sim, tijolos feitos pelas mãos de alunos e pais do terceiro ano da sala de minha filha.O melhor, em breve "eles serão" o forno que assará o pão feito com o trigo que eles plantaram, colheram e estão debulhando."
(...)Vamos precisar de todo mundo. Um mais um é sempre mais que dois. Pra melhor juntar as nossas forças. É só repartir melhor o pão. Recriar o paraíso agora. Para merecer quem vem depois. Deixa nascer o amor. Deixa fluir o amor(...)" O sal da terra - Beto Guedes/Ronaldo Bastos

Retirado do blog da minha linda irmã. Nossas sementes sendo cuidadosamente cultivadas.

Sementes


O mundo não é humano só por ser feito de seres humanos,

nem se torna assim somente porque a voz humana nele ressoa,

mas apenas quando se transforma em objeto do discurso...

Nós humanizamos o que se passa no mundo e em nós mesmos

apenas falando sobre isso,

e no curso desse ato aprendemos a ser humanos.
(H. Arendt)

domingo, 22 de novembro de 2009

Lindo, lindo...


Entre um livro e outro, uma pausa para poesia...


Uma alegria para sempre

"As coisas que não conseguem ser olvidadas continuam acontecendo.

Sentimo-las como da primeira vez, sentimo-las fora do tempo,

nesse mundo do sempre onde as datas não datam.

Só no mundo do nunca existem lápides...

Que importa se – depois de tudo –

tenha "ela" partido, casado, mudado, sumido,

esquecido, enganado, ou que quer que te haja feito, em suma?

Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e,

esta, ela jamais a poderá passar de ti para ninguém.

Há bens inalienáveis,

há certos momentos que, ao contrário do que pensas,

fazem parte da tua vida presente e não do teu passado.

E abrem-se no teu sorriso mesmo quando,

deslembrado deles, estiveres sorrindo a outras coisas.

Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata criatura...

A thing of beauty is a joy for ever disse, há cento e muitos anos, um poeta inglês

que não conseguiu morrer."
(Quintana)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009


O que a vida quer da gente é coragem.
(Quintana)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

Sem solução



Sim, meus caros, é como diz o ditado: o que não têm remédio, remediado está!
O BRASILEIRÃO É NOSSO!!!

Salve o tricolor paulista
Amado clube brasileiro
Tu és forte, tu és grande
Dentre os grandes és o primeiro
Tu és forte, tu és grande
Dentre os grandes és o primeiro
Ó tricolor
Clube bem amado
As tuas glórias
Vêm do passado
São teus guias brasileiros
Que te amam ternamente
De São Paulo tens o nome
Que ostentas dignamente
Oh tricolor...
São Paulo clube querido
Tu tens o nosso amor
Teu nome e tuas glórias
Têm honra e resplendor
Oh tricolor...
Tuas cores gloriosas
Despertam amor febril
Pela terra Bandeirante:Honra e Glória do Brasil
Oh tricolor

Para Jorge


Não posso afirmar com propriedade se temos um destino pré-determinado, mas não ouso fechar meu coração.

Como já disse em outras postagens, minha vida é cercada por pessoas muito especiais. Pessoas que chegam do nada e rapidamente preenchem meu coração.

Recebi as mais belas poesias de presente e não poderia deixar de agradecer a doçura, a sensibilidade e o carinho do presente ofertado.

Jorge querido, muito obrigada!

Neruda para você...

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando o meio dia com uma flor azul,
sem que caminhes mais tarde pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão que,
talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca,
incitante conhecer a minha vida,
rajada de roseira,trigo do vento,
E desde então,

sou porque tu és
E desde então és, sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009


BOM DIA!!


Já é tarde e continuo aqui com meus prazeirosos estudos.
Passei para deixar um beijo, com o desejo de um dia lindo!
Quintana para você...

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Allons-y!!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


Deus me livre da virtude ressentida,
da fidelidade sem amor.
(N. Rodrigues)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009


E quando a velhice chegar,
em vez de estar ressequida,
eu estarei chegado com o máximo de meus afetos!
(L. Luft)

Para você...


Mas é claro que o sol vai voltar amanhã

Mais uma vez eu sei

Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã

Espera que o sol já vem!

(R. Russo)

domingo, 8 de novembro de 2009

Nova semana...


Final de semana indo embora e uma semana novinha chegando. Oportunidades infinitas!
Meu desejo de uma ótima semana, como uma valsinha: única, repleta de possibilidades, doce, suave e repleta de amor.

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

(C. Buarque e V. de Morais)

Olhar de furto.


ENTREMONTANHAS


Estás certa, como não haveria de estar! Em alguns tempos é preciso estar afeita ao cinema, ao teatro e à literatura das terras de lá e de longe. É necessária alguma loucura, algum pedaço de fruta sem nome e um olhar além da fronteira. Estás certa! Sim, estás certa, como não haveria de estar. Tens mesmo é que sentir os cheiros novos, ver se o arrepio dos pêlos, o frio e as nuvens são iguais aos que já conhecias. Provar o gosto da longitude. Enxergar os olhares tristes dos animais que aí sofrem, sabendo que antes é preciso olhar para as gentes. Alternar tua alteridade. Enxergar-se e mudar-se. Nesses tempos é preciso olhar o que nem a luz pode iluminar. É preciso se encontrar sozinha no vão do escuro. Ver o claro que existe quando se acendem as interioridades. Tens que saber ser sensível e também amortecer a consciência. Podes até queimar, desde que aguardes o tempo rei a fazer cura do ardor. Tens que viver dos poetas. Do lirismo. Dos versos. Do sereno bucólico das flores. Tens que não esquecer que é preciso desprender-se dos deveres e casar com teus quereres. Por isso tudo estás certa, como não haveria de estar! E depois, com o aplauso ensurdecedor de duas mãos em contato, terás que me contar que cores têm os arco-íris que teus olhos doces enxergam entre essas montanhas.

*Pintura de Amedeo Modigliani (1884-1920)

Furtei do blog do poeta Paulo: http://entrehermes.blogspot.com

sábado, 7 de novembro de 2009

Olhar de desejo para o dia de hoje



Eu tava triste
Tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão
Na hora que cai o pano
Tava mais bôbo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok...
Mas ontem
Eu recebi um Telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo:
Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito muito te ama, que tanto te ama!...
Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
...
Me dê a mão vamos sair
Prá ver o sol!
(Z. Baleiro)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Baobás




Quando vi o baobá saquei rapidamente minha máquina fotográfica e qual não foi a minha supresa ao montar o álbum: o baobá e o elefante. Como no livro do Pequeno Príncipe.
E a foto? Modéstia parte, ficou muito linda!
National Geographic, estou ouvindo propostas de emprego!


O Pequeno Principe – Capitulo V

"Dia a dia eu ficava sabendo mais alguma coisa do planeta, da partida, da viagem. Mas isso devagarinho, ao acaso das reflexões. Foi assim que vim a conhecer, no terceiro dia, o drama dos baobás.
Dessa vez ainda, foi graças ao carneiro. Pois bruscamente o principezinho me interrogou, tomado de grave dúvida:
- É verdade que os carneiros comem arbustos?
- Sim. É verdade.
- Ah! Que bom!
Não compreendi logo porque era tão importante que os carneiros comessem arbustos. Mas o principezinho acrescentou:
- Por conseguinte eles comem também os baobás?
Fiz notar ao principezinho que os baobás não são arbustos, mas árvores grandes como igrejas. E que mesmo que ele levasse consigo todo um rebanho de elefantes, eles não chegariam a dar cabo de um único baobá.
A idéia de um rebanho de elefantes fez rir ao principezinho:
- Seria preciso botar um por cima do outro…
Mas notou, em seguida, sabiamente:
- Os baobás, antes de crescer, são pequenos.
- É fato! Mas por que desejas tu que os carneiros comam os baobás pequenos?
- Por que haveria de ser? respondeu-me, como se se tratasse de uma evidência.
E foi-me preciso um grande esforço de inteligência para compreender sozinho esse problema.
Com efeito, no planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galhinho. Se é de roseira ou rabanete, podemos deixar que cresça à vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido.
Ora, havia sementes terríveis no planeta do principezinho: as sementes de baobá… O solo do planeta estava enfestado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.
É uma questão de disciplina, me disse mais tarde o principezinho. Quando a gente acaba a toalete da manhã, começa a fazer com cuidado a toalete do planeta. É preciso que a gente se conforme em arrancar regularmente os baobás logo que se distingam das roseiras, com as quais muito se parecem quando pequenos. É um trabalho sem graça, mas de fácil execução."

Futebol


Não torço por nenhum time de futebol, mas por questão de fidelidade partidária, quando o assunto entra em pauta, saio na defesa do time do maridão.
Ele é doente, sim por que torcer é uma coisa e ser doente é outra. Passa mal, fica de mau humor, há dias em que torce por outro time porque será bom para seu time (sim, eles também traem seu time, usando a mesma desculpa: não significa nada, meu time mesmo é o São Paulo), emenda um jogo atrás do outro, vê os comentários na TV centenas de vezes, confere com a internet e o jornal e assim vai.
Em uma de nossas últimas viagens, resolveu ligar a TV só para conferir o resultado de um jogo importante e nesse momento ingressou no quarto um funcionário do hotel para acender a lareira. Resultado: eu sentadinha olhando os dois gritarem gol!
Nessa minha caminhada, tornei-me experiente e, na quarta-feira ou no domingo, quando vejo que o time está perdendo dou beijinho e vou-me embora. Geralmente no outro dia ele já está melhor.
Aqui em casa tem até uma espécie de museu do São Paulo, com uma infinidade de tranqueirinhas com símbolos, mascotes e tantas outras coisas do São Paulo.
Em meu companheirismo, por vezes tento acompanhar os jogos. Faço uma festa enorme quando vejo alguém de branco fazendo um gol e noto que o Mauricio nem se mexe. Em seguida escuto: Érica o São Paulo está jogando com outra cor de camisa hoje.
Puxa, o pessoal não facilita minha vida conjugal!
Os filhos não possuem aqui o direito de escolha, o pai sentencia: time a gente não escolhe, é São Paulo e fim.
O pobrezinho já era possuidor de muitas camisas do time antes de nascer, um quarto decorado com o tema de futebol e tudo.
Aqui, abro aspas para contar um segredo: além do São Paulo, o Mauricio torce para um time da cidade chamado Comercial.
Explico: nossa cidade tem dois times, o Botafogo , de Sócrates e Raí, e o Comercial.
Comercial começa sempre ganhando, mas a fatalidade está entranhada em seu destino, e ele perde.
Até acompanhei muitos jogos do timão, digo, Comercial, íamos em excursão da família e olha que não somos poucos.
O sorvete e o amendoim do estádio são deliciosos! Ah, o estádio também é bem espaçoso para acomodar os 50 ou 70 torcedores, digo, sofredores...
Mas amor que é amor precisa ser provado e chega o dia da prova de fogo:o Mauricio quer que eu o acompanhe no jogo dos juniores do Comercial.
Minha resposta? - Eu te amo muito (do tamanho do céu, como diria meu pequenino), mas ir ver o jogo dos juniores do Comercial é demais!
Voltando ao São Paulo e o ao filhote...
Hoje, mesmo o time perdendo, ele já exclama: O São Paulo matou o Corinthians!
A ingenuidade das crianças me encanta!
Um dia desse ele começou: o Corinthians é eca, o porco é eca,o cavalo é eca....rs
É um bichinho adestrado pela ignorância futebolística!
Ainda vou fazer psico para poder entender o que se passa entre um homem e uma bola, prometo que divido com vocês mulheres.
Mas não vim falar sobre futebol propriamente, vim falar de música.
Ontem fui dançar ao som do samba enredo do Corinthians, que o Mauricio não nos ouça, mas não tem coisa mais linda, não é mesmo meu querido genro Zé!!
Quando ouço a bateria e o grito: Gaviões, Fiel, o coração salta!
Lindo demais, um presente para a alma.
E vamos rumo ao Brasileirão meu São Paulo, sim, ele é nosso!!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!
(Quintana)