segunda-feira, 30 de novembro de 2009


Sentimentos contraditórios invadem o meu ser.
O novo, a incerteza, gera expectativa, medo.
“Certa hora da tarde era mais perigosa.
Certa hora da tarde as árvores que plantara riam dela. Quando nada mais precisava de sua força, inquietava-se.
Naquela tarde todos os perigos, todos os sentimentos voltaram."
(C. Lispector)

Porém, no meu silêncio, posso ouvir uma melodia tranquila, serena.
Aposto todas as minhas fichas!!!
Ganhar ou perder já não importa.
Importa o cheiro, as lembranças, o crescimento, o novo mundo.
Tudo que eu conquistei!!
"Outro sinal de se estar em caminho certo é o de não ficar aflita por não entender; a atitude deve ser: não se perde por esperar, não se perde por não entender."
(C.Lispector)

Olhar de sonhos.


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(F. Pessoa)

NEV-USP convida.



Maiores informações: http://www.nevusp.org

"Do mesmo modo que no reino das estrelas às vezes há dois sóis que determinam a órbita de um planeta, do mesmo modo que, em certos casos, sóis de diferentes cores iluminam um único planeta, ora com luz vermelha, ora com luz verde, e então, incidindo ao mesmo tempo, inundam-no de cores:é assim que nós, homens modernos, graças à complicada mecânica de nosso "céu estrelado" - somos determinados por diversas morais; nossas ações reluzem de modo alternado em cores diversas, elas raramente são inequívocas - e há casos suficientes em que praticamos ações multicoloridas." (F. Nietzsche)

Na sexta "reencontrei" essa linda música, que adoro...

DIA BRANCO
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...
E nesse dia branco
Se branco ele for
Esse canto
Esse tão grande amor
Grande amor...
Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo
Comigo, comigo.
(G.Azevedo)

domingo, 29 de novembro de 2009


Pertencer
Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou. Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça. Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus. Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso. Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro. Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos. Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa. Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida. No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido. A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!
(C.Lispector)

sábado, 28 de novembro de 2009

Olhar de felicidade


Sim, eu sei que Clarice diria que é uma felicidade clandestina, mas ouso sorrir, sem me perder no caminho.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Para meu amor, Mauricio.


Tão bom morrer de amor e continuar vivendo
(Quintana)

Olhar de tristeza...



REVISTA ISTOÉ


Juízes Pedófilos


“Tribunal de Justiça de Pernambuco afasta dois magistrados por abuso sexual de menores; um deles é acusado de matar três testemunhas
Hugo Marques


A Justiça pernambucana está envolta em um escândalo sexual de proporções inéditas que corre o risco de deixar uma nódoa em toda a magistratura do Estado. Investigações da Corregedoria do Tribunal de Justiça pernambucano constataram que dois juízes, que também atuam na Vara da Infância e Juventude, mantinham relações homossexuais com crianças e adolescentes em cidades do interior pernambucano. Um terceiro juiz continua sob investigação e corre o risco de ter o mesmo destino de seus pares pedófilos: afastamento temporário ou uma aposentadoria compulsória com pagamento integral de seus rendimentos no momento em que foram acusados pela corregedoria.
As penas para lá de suaves foram imputadas aos juízes Francisco de Assis Timótio Rodrigues, de São José do Belmonte (PE), e Max Cavalcanti de Albuquerque, de Palmeirina (PE). Apesar das graves acusações, os dois só foram afastados de suas funções por conta da insistência da Corregedoria Nacional de Justiça, que ameaçou intervir no TJ de Pernambuco se providências não fossem tomadas de forma imediata. Os dois juízes já vinham sendo investigados há meses, mas só a partir de setembro o tribunal decidiu agir por conta das pressões do corregedor nacional de Justiça Gilson Dipp, que tomou conhecimento dos fatos na festa de casamento de Laura Mendes, filha do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, em setembro.
As acusações contra o juiz Francisco de Assis Timótio Rodrigues, de São José do Belmonte (PE), são as mais alarmantes, conforme documentos obtidos por ISTOÉ. Uma extensa investigação da Corregedoria-Geral de Justiça de Pernambuco confirmou que o magistrado "abusa sexualmente de adolescentes". Familiares das vítimas do juiz tiveram de mudar do município e outros parentes se recusaram a prestar depoimento, temendo represálias. As diligências da Equipe de Inteligência do TJ constataram que o magistrado promovia festas na piscina de casa com garotos. Até um padre teria participado das orgias. Políticos, lideranças locais e integrantes da PM também eram assíduos da casa do juiz, segundo relatório da Corregedoria de Justiça de Pernambuco. Um coronel da PM estaria envolvido.
"As denúncias não são verdadeiras, tudo isso é leviandade", defende-se o juiz Assis Timótio. "Nunca fiz festa com adolescentes. Os adversários políticos fizeram essa maracutaia comigo", defendeu-se em entrevista à ISTOÉ. Mas, segundo o próprio TJ de Pernambuco, o caso é ainda mais grave. Como queima de arquivo, três pessoas teriam sido mortas "por saberem detalhes da vida privada" de Assis Timótio, que foi afastado do cargo, mas não foi demitido.
Em Palmeirina (PE), a denúncia envolve o juiz Max Cavalcanti de Albuquerque. Ele foi acusado de envolvimento com um menor desde a época em que o garoto tinha 10 anos de idade. De acordo com o relatório da Corte Especial do TJ, Max dividia uma cama de casal com o menino. Uma das testemunhas do caso, a empregada doméstica Sandra da Silva, diz ter ficado surpresa ao ver o garoto saindo do quarto do juiz pela manhã. Em um estudo psicossocial, o menino tentou ocultar que dormia na cama do juiz, mas reclamou aos especialistas: "Metade da cidade diz que sou o veado do juiz." O juiz Max Cavalcanti foi aposentado compulsoriamente pelo TJ. Em entrevista à ISTOÉ, ele se defende: "Isso é uma acusação de cunho político que não está provada. Fui orientado pelos meus advogados a não dar declarações a este respeito".
Os casos pernambucanos são apenas a ponta de um iceberg que está deixando a cúpula do judiciário estarrecida. No Acre, a CPI da Pedofilia da Assembleia Legislativa quer investigar denúncia de envolvimento do juiz Pedro Luiz Longo com menores. Ele é da Vara de Família de Rio Branco. "Os casos de pedofilia envolvem geralmente pessoas influentes. O caso do juiz Pedro Luiz Longo foi arquivado na Justiça, mas queremos investigar na CPI. Imagina investigar um juiz, se não posso investigar nem um cidadão comum?", lamenta o deputado estadual Donald Fernandes (PSDB), relator da CPI da Pedofilia.
O juiz Antonio Carlos Branquinho, do Tribunal Regional do Trabalho do Amazonas, flagrado em pedofilia em julho, em Tefé, conseguiu evitar sua convocação na CPI da Pedofilia no Senado Federal, no dia 18 de agosto. Ele impetrou habeas-corpus no STF e o ministro Marco Aurélio Mello suspendeu cautelarmente a presença do magistrado. O juiz não acredita que será chamado a depor em Brasília. "O processo corre em segredo de Justiça e não tenho nada a dizer a você", disse o juiz Branquinho à ISTOÉ. Ele questiona no STF os "limites de poderes de investigação" de uma CPI. (ps. 54 e 55)
(24/11/2009)
Extraído do blog do Dr. Alexandre:

Poesia


Por favor, não me analise

Não fique procurando cada ponto fraco meu.

Se ninguém resiste a uma análise profunda,

Quanto mais eu…

Ciumento, exigente, inseguro, carente

Todo cheio de marcas que a vida deixou

Vejo em cada grito de exigência

Um pedido de carência, um pedido de amor.

Amor é síntese

É uma integração de dados

Não há que tirar nem pôr

Não me corte em fatias

Ninguém consegue abraçar um pedaço

Me envolva todo em seus braços

E eu serei o perfeito amor.

(Quintana)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


Furtei, como sempre faço, esse texto do blog do Paulo.

Que possamos dançar em nossas próprias festas, molhar nossas gramas, comer o peixe que pescamos.

Como dizia Drumond: "A dor é inevitável. O sofrimento é opcional..."

Sejamos felizes meu caro!!


Recebi esse texto da querida amiga Ani Paludo e agora compartilho aqui. Nunca gostei muito dos escritos da Martha Medeiros, mas a ideia desse parece tratar de um sentimento que a todos já deve ter tocado, ainda que de mansinho. Se bem que deve-se sempre duvidar da fidelidade autoral de textos recebidos pela internet...de qualquer forma não importa!


A massacrante felicidade dos outros...


Há no ar um certo queixume sem razões muito claras. Converso com mulheres que estão entre os 40 e 60 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e, ainda assim, elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. De onde vem isso?Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia: 'Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento'. Passei minha adolescência com a mesma sensação de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são - ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho...As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas... Então, fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando, na verdade, a festa lá fora não está tão animada assim! 4Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma.Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados.Prá consumo externo, todos são belos, sexy, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores, enfim, campeões em tudo! Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia - e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta: 'Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça.' Mas tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia...Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé?Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista. As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento...
Martha Medeiros

"O mistério explica mais que a claridade"
(C. Lispector)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mais sementes...


Sabe o que está na foto??? Tijolos!!! Sim, tijolos feitos pelas mãos de alunos e pais do terceiro ano da sala de minha filha.O melhor, em breve "eles serão" o forno que assará o pão feito com o trigo que eles plantaram, colheram e estão debulhando."
(...)Vamos precisar de todo mundo. Um mais um é sempre mais que dois. Pra melhor juntar as nossas forças. É só repartir melhor o pão. Recriar o paraíso agora. Para merecer quem vem depois. Deixa nascer o amor. Deixa fluir o amor(...)" O sal da terra - Beto Guedes/Ronaldo Bastos

Retirado do blog da minha linda irmã. Nossas sementes sendo cuidadosamente cultivadas.

Sementes


O mundo não é humano só por ser feito de seres humanos,

nem se torna assim somente porque a voz humana nele ressoa,

mas apenas quando se transforma em objeto do discurso...

Nós humanizamos o que se passa no mundo e em nós mesmos

apenas falando sobre isso,

e no curso desse ato aprendemos a ser humanos.
(H. Arendt)

domingo, 22 de novembro de 2009

Lindo, lindo...


Entre um livro e outro, uma pausa para poesia...


Uma alegria para sempre

"As coisas que não conseguem ser olvidadas continuam acontecendo.

Sentimo-las como da primeira vez, sentimo-las fora do tempo,

nesse mundo do sempre onde as datas não datam.

Só no mundo do nunca existem lápides...

Que importa se – depois de tudo –

tenha "ela" partido, casado, mudado, sumido,

esquecido, enganado, ou que quer que te haja feito, em suma?

Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e,

esta, ela jamais a poderá passar de ti para ninguém.

Há bens inalienáveis,

há certos momentos que, ao contrário do que pensas,

fazem parte da tua vida presente e não do teu passado.

E abrem-se no teu sorriso mesmo quando,

deslembrado deles, estiveres sorrindo a outras coisas.

Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata criatura...

A thing of beauty is a joy for ever disse, há cento e muitos anos, um poeta inglês

que não conseguiu morrer."
(Quintana)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009


O que a vida quer da gente é coragem.
(Quintana)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

domingo, 15 de novembro de 2009

Sem solução



Sim, meus caros, é como diz o ditado: o que não têm remédio, remediado está!
O BRASILEIRÃO É NOSSO!!!

Salve o tricolor paulista
Amado clube brasileiro
Tu és forte, tu és grande
Dentre os grandes és o primeiro
Tu és forte, tu és grande
Dentre os grandes és o primeiro
Ó tricolor
Clube bem amado
As tuas glórias
Vêm do passado
São teus guias brasileiros
Que te amam ternamente
De São Paulo tens o nome
Que ostentas dignamente
Oh tricolor...
São Paulo clube querido
Tu tens o nosso amor
Teu nome e tuas glórias
Têm honra e resplendor
Oh tricolor...
Tuas cores gloriosas
Despertam amor febril
Pela terra Bandeirante:Honra e Glória do Brasil
Oh tricolor

Para Jorge


Não posso afirmar com propriedade se temos um destino pré-determinado, mas não ouso fechar meu coração.

Como já disse em outras postagens, minha vida é cercada por pessoas muito especiais. Pessoas que chegam do nada e rapidamente preenchem meu coração.

Recebi as mais belas poesias de presente e não poderia deixar de agradecer a doçura, a sensibilidade e o carinho do presente ofertado.

Jorge querido, muito obrigada!

Neruda para você...

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando o meio dia com uma flor azul,
sem que caminhes mais tarde pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão que,
talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca,
incitante conhecer a minha vida,
rajada de roseira,trigo do vento,
E desde então,

sou porque tu és
E desde então és, sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009


BOM DIA!!


Já é tarde e continuo aqui com meus prazeirosos estudos.
Passei para deixar um beijo, com o desejo de um dia lindo!
Quintana para você...

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas... Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Allons-y!!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


Deus me livre da virtude ressentida,
da fidelidade sem amor.
(N. Rodrigues)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009


E quando a velhice chegar,
em vez de estar ressequida,
eu estarei chegado com o máximo de meus afetos!
(L. Luft)

Para você...


Mas é claro que o sol vai voltar amanhã

Mais uma vez eu sei

Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã

Espera que o sol já vem!

(R. Russo)

domingo, 8 de novembro de 2009

Nova semana...


Final de semana indo embora e uma semana novinha chegando. Oportunidades infinitas!
Meu desejo de uma ótima semana, como uma valsinha: única, repleta de possibilidades, doce, suave e repleta de amor.

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

(C. Buarque e V. de Morais)

Olhar de furto.


ENTREMONTANHAS


Estás certa, como não haveria de estar! Em alguns tempos é preciso estar afeita ao cinema, ao teatro e à literatura das terras de lá e de longe. É necessária alguma loucura, algum pedaço de fruta sem nome e um olhar além da fronteira. Estás certa! Sim, estás certa, como não haveria de estar. Tens mesmo é que sentir os cheiros novos, ver se o arrepio dos pêlos, o frio e as nuvens são iguais aos que já conhecias. Provar o gosto da longitude. Enxergar os olhares tristes dos animais que aí sofrem, sabendo que antes é preciso olhar para as gentes. Alternar tua alteridade. Enxergar-se e mudar-se. Nesses tempos é preciso olhar o que nem a luz pode iluminar. É preciso se encontrar sozinha no vão do escuro. Ver o claro que existe quando se acendem as interioridades. Tens que saber ser sensível e também amortecer a consciência. Podes até queimar, desde que aguardes o tempo rei a fazer cura do ardor. Tens que viver dos poetas. Do lirismo. Dos versos. Do sereno bucólico das flores. Tens que não esquecer que é preciso desprender-se dos deveres e casar com teus quereres. Por isso tudo estás certa, como não haveria de estar! E depois, com o aplauso ensurdecedor de duas mãos em contato, terás que me contar que cores têm os arco-íris que teus olhos doces enxergam entre essas montanhas.

*Pintura de Amedeo Modigliani (1884-1920)

Furtei do blog do poeta Paulo: http://entrehermes.blogspot.com

sábado, 7 de novembro de 2009

Olhar de desejo para o dia de hoje



Eu tava triste
Tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão
Na hora que cai o pano
Tava mais bôbo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok...
Mas ontem
Eu recebi um Telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo:
Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito muito te ama, que tanto te ama!...
Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
...
Me dê a mão vamos sair
Prá ver o sol!
(Z. Baleiro)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Baobás




Quando vi o baobá saquei rapidamente minha máquina fotográfica e qual não foi a minha supresa ao montar o álbum: o baobá e o elefante. Como no livro do Pequeno Príncipe.
E a foto? Modéstia parte, ficou muito linda!
National Geographic, estou ouvindo propostas de emprego!


O Pequeno Principe – Capitulo V

"Dia a dia eu ficava sabendo mais alguma coisa do planeta, da partida, da viagem. Mas isso devagarinho, ao acaso das reflexões. Foi assim que vim a conhecer, no terceiro dia, o drama dos baobás.
Dessa vez ainda, foi graças ao carneiro. Pois bruscamente o principezinho me interrogou, tomado de grave dúvida:
- É verdade que os carneiros comem arbustos?
- Sim. É verdade.
- Ah! Que bom!
Não compreendi logo porque era tão importante que os carneiros comessem arbustos. Mas o principezinho acrescentou:
- Por conseguinte eles comem também os baobás?
Fiz notar ao principezinho que os baobás não são arbustos, mas árvores grandes como igrejas. E que mesmo que ele levasse consigo todo um rebanho de elefantes, eles não chegariam a dar cabo de um único baobá.
A idéia de um rebanho de elefantes fez rir ao principezinho:
- Seria preciso botar um por cima do outro…
Mas notou, em seguida, sabiamente:
- Os baobás, antes de crescer, são pequenos.
- É fato! Mas por que desejas tu que os carneiros comam os baobás pequenos?
- Por que haveria de ser? respondeu-me, como se se tratasse de uma evidência.
E foi-me preciso um grande esforço de inteligência para compreender sozinho esse problema.
Com efeito, no planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galhinho. Se é de roseira ou rabanete, podemos deixar que cresça à vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido.
Ora, havia sementes terríveis no planeta do principezinho: as sementes de baobá… O solo do planeta estava enfestado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.
É uma questão de disciplina, me disse mais tarde o principezinho. Quando a gente acaba a toalete da manhã, começa a fazer com cuidado a toalete do planeta. É preciso que a gente se conforme em arrancar regularmente os baobás logo que se distingam das roseiras, com as quais muito se parecem quando pequenos. É um trabalho sem graça, mas de fácil execução."

Futebol


Não torço por nenhum time de futebol, mas por questão de fidelidade partidária, quando o assunto entra em pauta, saio na defesa do time do maridão.
Ele é doente, sim por que torcer é uma coisa e ser doente é outra. Passa mal, fica de mau humor, há dias em que torce por outro time porque será bom para seu time (sim, eles também traem seu time, usando a mesma desculpa: não significa nada, meu time mesmo é o São Paulo), emenda um jogo atrás do outro, vê os comentários na TV centenas de vezes, confere com a internet e o jornal e assim vai.
Em uma de nossas últimas viagens, resolveu ligar a TV só para conferir o resultado de um jogo importante e nesse momento ingressou no quarto um funcionário do hotel para acender a lareira. Resultado: eu sentadinha olhando os dois gritarem gol!
Nessa minha caminhada, tornei-me experiente e, na quarta-feira ou no domingo, quando vejo que o time está perdendo dou beijinho e vou-me embora. Geralmente no outro dia ele já está melhor.
Aqui em casa tem até uma espécie de museu do São Paulo, com uma infinidade de tranqueirinhas com símbolos, mascotes e tantas outras coisas do São Paulo.
Em meu companheirismo, por vezes tento acompanhar os jogos. Faço uma festa enorme quando vejo alguém de branco fazendo um gol e noto que o Mauricio nem se mexe. Em seguida escuto: Érica o São Paulo está jogando com outra cor de camisa hoje.
Puxa, o pessoal não facilita minha vida conjugal!
Os filhos não possuem aqui o direito de escolha, o pai sentencia: time a gente não escolhe, é São Paulo e fim.
O pobrezinho já era possuidor de muitas camisas do time antes de nascer, um quarto decorado com o tema de futebol e tudo.
Aqui, abro aspas para contar um segredo: além do São Paulo, o Mauricio torce para um time da cidade chamado Comercial.
Explico: nossa cidade tem dois times, o Botafogo , de Sócrates e Raí, e o Comercial.
Comercial começa sempre ganhando, mas a fatalidade está entranhada em seu destino, e ele perde.
Até acompanhei muitos jogos do timão, digo, Comercial, íamos em excursão da família e olha que não somos poucos.
O sorvete e o amendoim do estádio são deliciosos! Ah, o estádio também é bem espaçoso para acomodar os 50 ou 70 torcedores, digo, sofredores...
Mas amor que é amor precisa ser provado e chega o dia da prova de fogo:o Mauricio quer que eu o acompanhe no jogo dos juniores do Comercial.
Minha resposta? - Eu te amo muito (do tamanho do céu, como diria meu pequenino), mas ir ver o jogo dos juniores do Comercial é demais!
Voltando ao São Paulo e o ao filhote...
Hoje, mesmo o time perdendo, ele já exclama: O São Paulo matou o Corinthians!
A ingenuidade das crianças me encanta!
Um dia desse ele começou: o Corinthians é eca, o porco é eca,o cavalo é eca....rs
É um bichinho adestrado pela ignorância futebolística!
Ainda vou fazer psico para poder entender o que se passa entre um homem e uma bola, prometo que divido com vocês mulheres.
Mas não vim falar sobre futebol propriamente, vim falar de música.
Ontem fui dançar ao som do samba enredo do Corinthians, que o Mauricio não nos ouça, mas não tem coisa mais linda, não é mesmo meu querido genro Zé!!
Quando ouço a bateria e o grito: Gaviões, Fiel, o coração salta!
Lindo demais, um presente para a alma.
E vamos rumo ao Brasileirão meu São Paulo, sim, ele é nosso!!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009


Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o.
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entretanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio!
(Quintana)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Foram felizes para sempre...

E foram felizes para sempre...

Um dia desses estava no teatro com uma amiga e a filharada e fiquei pensando em como erramos com nossos filhos em matéria de amor.

Crescemos ouvindo "felizes para sempre", passamos nossa adolescência na busca de príncipes, mas é aqui que já começamos perder. Já ouviu algum menino com mais de seis anos falar em princesa?

Sim, tenho meu pequeno, meu “pimpi” como ele diz, que quis uma roupa de príncipe, porque a namorada já tem uma roupa de princesa e nessa lá se foi o Complexo de Édipo que sempre sonhei em vivenciar com meu filho. É um horror, eu sei, mas sou APAIXONADA por ele, um verdadeiro príncipe (as mães me entenderão).

Devo confessar que fiquei decepcionada ao saber que, na terra de sonhos, de princesas, não havia sequer uma fantasia de príncipe à venda. E ele em carne e osso? Hum, unzinho apenas, o da Branca de Neve e com uma cara de quem também estava à procura de um príncipe.

E, assim, nossas meninas crescem, como nós, e se deparam com a dura realidade: eles não existem!

(Pensando bem, melhor assim do que muitas que não entendem a realidade e criam suas famílias margarina.)

Dos contos de fada vale levar apenas uma esperança: os felizes para sempre.

Sim, é possível!

É certo que sou uma mulher que acredita no amor. Amo acordar com o Mauricio ao meu lado, dormir de conchinha, deitar em seus braços, ouvir o som dos seus passos no corredor, sua voz no outro lado da linha, seus mimos para me ver feliz nos dias de tristeza, jogar conversa fora por horas e horas, dividir sonhos...

E é dessa felicidade que falo e não da felicidade redondinha que não existe em lugar algum dessa terra! E, pensando melhor, já imaginou no quanto essa felicidade é chata?

Nenhum defeito, tudo certinho, nenhuma briga.... E o prazer da reconciliação, onde fica?

E ser princesa, então, quer coisa mais sem sal?

Na terra dos sonhos, a mulher mais linda, imbatível, nenhuma princesa chegava aos seus pés, era nada mais nada menos que a Madrasta. E nesta eu saio no lucro!!

Assim minhas caras, lanço uma nova campanha: vamos ler Shrek para nossas meninas.

Esse sim é um cara bacana pra sentar no boteco, tomar uma cerveja, rir, contar piada e nos dias tristes certamente um ombro, um colinho, um beijo quente, uma pegada inesquecível.

E foram felizes enquanto desejaram ser...

Era uma vez uma menina que observava tanto as galinhas que lhes conhecia a alma e os anseios íntimos. A galinha é ansiosa, enquanto o galo tem angústia quase humana: falta-lhe um amor verdadeiro naquele seu harém, e ainda mais tem que vigiar a noite toda para não perder a primeira das mais longíquas claridades e cantar o mais sonoro possível. É o seu dever e a sua arte. Voltando às galinhas, a menina possuía duas só dela. Uma se chamava Pedrina e a outra Petronilha.


Quando a menina achava que uma delas estava doente do fígado, ela cheirava embaixo das asas delas, com uma simplicidade de enfermeira, o que considerava ser o sintoma máximo de doenças, pois o cheiro de galinha viva não é de se brincar. Então pedia um remédio a uma tia. E a tia : "Você não tem coisa nenhuma no fígado". Então, com a intimidade que tinha com essa tia eleita, explicou-lhe para quem era o remédio. A menina achou de bom alvitre dá-lo tanto a Pedrina quanto a Petronilha para evitar contágios misteriosos. Era quase inútil dar o remédio porque Pedrina e Petronilha continuavam a passar o dia ciscando o chão e comendo porcarias que faziam mal ao fígado. E o cheiro debaixo das asas era aquela morrinha mesmo. Não lhe ocorreu dar um desodorante porque nas Minas Gerais onde o grupo vivia não eram usados assim como não se usavam roupas íntimas de nylon e sim de cambraia. A tia continuava a lhe dar o remédio, um líquido escuro que a menina desconfiava ser água com uns pingos de café - e vinha o inferno de tentar abrir o bico das galinhas para administrar-lhes o que as curaria de serem galinhas. A menina ainda não tinha entendido que os homens não podem ser curados de serem homens e as galinhas de serem galinhas: tanto o homem como a galinha têm misérias e grandeza (a da galinha é a de pôr um ovo branco de forma perfeita) inerentes à própria espécie. A menina morava no campo e não havia farmácia perto para ela consultar.


Outro inferno de dificuldade era quando a menina achava Pedrina e Petronilha magras debaixo das penas arrepiadas, apesar de comerem o dia inteiro. A menina não entendera que engordá-las seria apressar-lhes um destino na mesa. E recomeçava o trabalho mais difícil: o de abrir-lhes o bico. A menina tornou-se grande conhecedora intuitiva de galinhas naquele imenso quintal das Minas Gerais. E quando cresceu ficou surpresa ao saber que na gíria o termo galinha tinha outra acepção. Sem notar a seriedade cômica que a coisa toda tomava:


- Mas é o galo, que é um nervoso, é quem quer! Elas não fazem nada demais! e é tão rápido que mal se vê! O galo é quem fica procurando amar uma e não consegue!


Um dia a família resolveu levar a menina para passar o dia na casa de um parente, bem longe de casa. E quando voltou, já não existia aquela que em vida fora Petronilha. Sua tia informou:


- Nós comemos Petronilha.


A menina era uma criatura de grande capacidade de amar: uma galinha não corresponde ao amor que se lhe dá e no entanto a menina continuava a amá-la sem esperar reciprocidade. Quando soube o que acontecera com Petronilha passou a odiar todo o mundo da casa, menos sua mãe que não gostava de comer galinha e os empregados que comeram carne de vaca ou de boi. O seu pai, então, ela mal conseguiu olhar: era ele quem mais gostava de comer galinha. Sua mãe percebeu tudo e explicou-lhe:


- Quando a gente come bichos, os bichos ficam mais parecidos com a gente, estando assim dentro de nós. Daqui de casa só nós duas é que não temos Petronilha dentro de nós. É uma pena.


Pedrina, secretamente a preferida da menina, morreu de morte morrida mesmo, pois sempre fora um ente frágil. A menina, ao ver Pedrina tremendo num quintal ardente de sol, embrulhou-a num pano escuro e depois de bem embrulhadinha botou-a em cima daqueles grandes fogões de tijolos das fazendas das minas-gerais. Todos lhe avisaram que estava apressando a morte de Pedrina, mas a menina era obstinada e pôs mesmo Pedrina toda enrolada em cima dos tijolos quentes. Quando na manhã do dia seguinte Pedrina amanheceu dura de tão morta, a menina só então, entre lágrimas intermináveis, se convenceu de que apressara a morte do ser querido.


Um pouco maiorzinha, a menina teve uma galinha chamada Eponina.


O amor por Eponina: dessa vez era um amor mais realista e não romântico; era o amor de quem já sofreu por amor. E quando chegou a vez de Eponina ser comida, a menina não apenas soube como achou que era o destino fatal de quem nascia galinha. As galinhas pareciam ter uma pré-ciência do próprio destino e não aprendiam a amar os donos nem o galo. Uma galinha é sozinha no mundo.


Mas a menina não esquecera o que sua mãe dissera a respeito de comer bichos amados: comeu Eponina mais do que todo o resto da família, comeu sem fome, mas com um prazer quase físico porque sabia agora que assim Eponina se incorporaria nela e se tornaria mais sua do que em vida. Tinham feito Eponina ao molho pardo. De modo que a menina, num ritual pagão que lhe foi transmitido de corpo a corpo através dos séculos, comeu-lhe a carne e bebeu-lhe o sangue. Nessa refeição tinha ciúmes de quem também comia Eponina. A menina era um ser feito para amar até que se tornou moça e havia os homens.
(C. Lispector)

Mais uma perda...



CLAUDE LÉVI-STRAUSS (1908-2009)
Fonte: http//: somepills.blogspot.com

Tinha a nítida impressão de já ter escrito um post por aqui sobre Lévi-Strauss. Depois de conferir até os rascunhos do blog, concluí que fiquei só na promessa. Diante da morte do genial antropólogo francês, resta homenageá-lo, ainda que de forma curta, pois meu tempo anda escasso (e isso não é retórica).
É conhecida a frase de Freud acerca das três feridas narcísicas: a primeira, por Galileu, tira a Terra do centro do Universo; a segunda, por Darwin, tira o homem do centro da Criação; a terceira, por Freud (a modéstia não estava entre suas características...), tira a homem da posse da sua "própria casa", ou seja, da sua consciência, revelando a existência do inconsciente. Lévi-Strauss seguramente poderia ocupar um espaço de quarta ferida narcísica, ao ferir de morte o narcisismo do homem ocidental (Freud incluso): mostrando que o pensamento científico não era superior aos demais e abrindo a possibilidade de uma interpretação formal das culturas a partir do estruturalismo, Lévi-Strauss derruba o mito do homem europeu no centro do mundo.O que Lévi-Strauss, apoiado em Mauss, não cansou de mostrar foi que as culturas não podem ser hierarquizadas em "evoluídas" e "primitivas", ou "civilizadas" e "bárbaras", atribuindo às segundas o rótulo de irracionais, absurdas, infantis. Lévi-Strauss prova a partir do método estrutural que toda cultura - por mais rudimentar que pareça - é um sistema organizado de crenças, uma totalidade que estrutura o agir e interpretar o mundo por aqueles que a compartilham. Essa estrutura, nos diz o autor, ultrapassa os indivíduos que estão ali presentes, uma vez que não pressupõe qualquer intencionalidade destes ao transmitirem os arcabouços culturais tais como mitos, ritos e diferenças. Isso não significa pensar a cultura "fora" dos indivíduos, mas sim ultrapassar a noção cartesiana de "consciência" (e Freud, nos diz Lévi-Strauss, foi sua principal influência no aspecto) para abarcar uma espécie de "super-racionalismo", em que o próprio inconsciente é capturado nos seus movimentos a partir das estruturas sociais (que seriam "infraestruturas", daí a admiração igualmente por Marx e pela geologia).
O pensamento de Lévi-Strauss é, portanto, da forma, e não da substância.
Ele não hierarquiza os sistemas de crenças a partir da proximidade com o pensamento científico, tal como os positivistas até hoje fazem. Lévi-Strauss, ao contrário, entende cada sistema como uma totalidade coerente em si mesma, que muitas vezes não apenas responde a problemas concretos do cotidiano, mas até produz "conhecimento desinteressado" (tal como longas classificações de plantas por índios que Lévi-Strauss arrola em "O Pensamento Selvagem"). Como antropólogo, a preocupação científica de Lévi-Strauss era nítida, e fazia questão de separar a "boa" (o estruturalismo) da "má" ciência (o funcionalismo). No entanto, isso não significava reprisar o preconceito etnocêntrico, mas abrir a possibilidade de pensar outras culturas como outros "mundos", sem necessariamente estabelecer hierarquias.
Quando leio que José Saramago escreve novo livro "herético" sobre religião, fico pensando o quanto lhe faria bem a leitura de Lévi-Strauss. A visão materialista-positivista não é falha por estar cientificamente errada, mas por não compreender que as grandes e pequenas religiões - cristianismo, judaísmo, islamismo, p.ex. - são sistemas de mundo organizados que traduzem determinados valores, não passando de birra adolescente a visão caricata de, p.ex, "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" (o mesmo se aplica a Dawkins, Hitchens, etc.).
Os contributos de Lévi-Strauss à ciência da antropologia são inestimáveis.
O maior contributo, no entanto, é sempre o de fundo ético: Lévi-Strauss nos abriu a possibilidade de pensar o estranho sem, no mesmo passo, violentá-lo com as nossas crenças.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Olhar de amor total

É o meu perfil e o das minhas meninas.
Não é lindo?

Olhar sábio

Cuide bem do seu amor
Por Adriano Silva 30/10/2009 - 09:10

(...) Antes de você partir para o descanso, para a viagem, para o lazer, para a gandaia que seja, gostaria de aproveitar o momento, em que sua mente, ou ao menos seu coração, já não está mais aí no mundo do trabalho, para lhe dizer o seguinte: cuide bem do seu amor. (Thanks, Herbert.) Eu sou um cara quadrado, coxinha, em diversos aspectos da minha vida. Um deles, como trato a mim mesmo na posição de pai de família. Levo isso a sério. Talvez até demais. É muito importante para mim ser um bom pai, um bom marido e um bom provedor. Parafraseando o ditado de "quem tem, tem medo", eu diria que quem não teve do jeito que gostaria sabe a falta que faz.

No entanto, percebi com clareza esses dias o enorme risco que há em investir tudo no trabalho e nos filhos. Ou seja: fazer a coisa certa aí, em demasia, significa fazer a coisa de modo errado. É bacana ser um homem responsável, gerar as melhores condições possíveis para a sua família. No entanto, se pautar somente por isso é um equívoco. Focar toda a sua atenção e a sua energia na rota trabalho/casa, casa/trabalho, é uma armadilha. E por quê? Porque aí a sua mulher vira esposa. A sua namorada vira mãe do seus filhos. Você deixa de ser amante para virar marido. Quando você se dá conta, está chamando a sua mulher de "mamãe" e ela está se referindo a você como "papai", de modo sonolento, sedado, cansado. Sua cama de casal vira um lugar para aninhar os filhos e não mais para dar vazão a sua libido. (Não é todo mundo que consegue rodar esses dois filmes antagônicos na mesma locação.)

A arapuca que se coloca aí, travestida de correção, de comportamento respeitável e consequente, é trocar a relação original com a sua mulher, de macho/fêmea, composta de tesão, atração, admiração, desejo, por uma relação funcional de parenting, em que o dating morre, em que não há mais a idéia da dupla, mas sim uma regra inquebrantável que sempre prevê 3, 4, 5, qualquer que seja o número total das pessoas que você tem em casa. Por uma relação que a emoção dá lugar a um arranjo racional e insosso das coisas. Em que o sexo e a sensualidade vão sendo religiosamente solapados no dia a dia. Jogue isso no tempo e depois de 15, 20 anos, você não terá mais nada. Nenhum vestígio do sentimento original, da alegria dos primeiros tempos, daquela felicidade inefável de estar junto, de simplesmente ficar perto dela. Ou dele. Um dia seus filhos saem de casa. Afinal, eles, mais do que ninguém, estão só passando pela sua casa, estão sempre no movimento de partir do seu recôndito familiar em direção ao mundo lá fora e à vida que vão construir sozinhos. E você se encontrará com uma estranha dentro de casa. E vocês se verão com um abismo entre si. Feito de silêncios, de falta de cumplicidade, de inapetência, de papéis que caducaram, de ausência de um sentimento que, de tão maltratado, resolveu se mudar dali há muito tempo.

Portanto, eis o que tenho a dizer: nutra o relacionamento com a sua mulher. Ou com o seu marido. É preciso conquistá-la todo dia. Crie momentos exclusivos, reserve tempo e atenção, saia da rotina, seduza, invista na magia e na paixão. Porque tudo isso, que é alicerce, que é motor, pode acabar num tapa. (Às vezes, literalmente.)

(...) não esqueça, cuide bem do seu amor.

Retirado blog Manual do executivo: http://portalexame.abril.com.br/blogs/manualdoexecutivo

Não gosto de datas, principalmente as inventadas para o consumismo, como é a data de hoje. Dia de lembrar de quem partiu. Ato este que, para quem já vivenciou uma perda, sabe-se bem que não há dia e hora para sentir saudade.
Para nós que ainda continuamos nossa caminhada:

Mude,
mas comece devagar,
porque a direção é mais importante
que a velocidade
.

Sente-se em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair,
procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho,
ande por outras ruas,
calmamente,
observando com atenção
os lugares por onde
você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira
para passear livremente na praia,
ou no parque,
e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas
e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais...
leia outros livros,
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos,
escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores,
novas delícias.
Tente o novo todo dia.
o novo lado,
o novo método,
o novo sabor,
o novo jeito,
o novo prazer,
o novo amor.
a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo,
jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito,
cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa,
de carteira,
de malas,
troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente
esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas,
outros cabeleireiros,
outros teatros,
visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.

E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação,
um trabalho mais light,
mais prazeroso,
mais digno,
mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre,
invente-as.
Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!!!
(C. Lispector)

Bom feriado, meus queridos!!!

Para Paulo, meu doce amigo.



"Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam."

(C. Lispector)

domingo, 1 de novembro de 2009

Sobre moças de família e putas.
(por Túlio Vianna)

O fato se deu no país do carnaval, em sua 20ª cidade mais populosa. Era dia do lançamento do Windows 7, mas os entendidos em informática aguardavam mesmo era o lançamento do Ubuntu Karmic Koala.
Neste dia – em plena Idade Média – uma universidade particular parou para insultar uma de suas alunas de PUTA, por ter comparecido às aulas com um vestido que os fiscais da moral e dos bons costumes consideraram indecente.
Após o episódio, a vítima foi a um programa sensacionalista na TV e se disse injustiçada, mas ao final reconheceu que teve sua parcela de culpa por ir à faculdade naquele traje.
A moça, que até então não via mal algum em exibir suas formas, agora titubeava entre o certo e o errado; entre o moral e o imoral; entre o bem e o mal.
Os agressores venceram; a vítima agora se sentia culpada de sua insolência.
Este também era o espírito da lei da época. A exposição de motivos da parte geral do Código Penal brasileiro de 1984 :
" (…) Fez-se referência expressa ao comportamento da vítima, erigido, muitas vezes, em fator criminógeno, por constituir-se em provocação ou estímulo à conduta criminosa, como, entre outras modalidades, o pouco recato da vítima nos crimes contra os costumes. (…)"
Muitos juízes, naquela época de repressão sexual intensa, reduziam a pena do réu no crime de estupro, se fosse comprovado nos autos que a vítima o provocara com suas roupas indecentes. É certo que alguns professores de Direito Penal se insurgiam quanto ao entendimento machista dominante, mas ainda levaria algum tempo para que os juízes aprendessem a separar o Direito dos seus preconceitos moralistas.
O linchamento moral da moça podia ser interpretado com um sacrifício catártico, tal como o do bode, com o qual os estudantes da universidade procuravam purificar o mundo das imoralidades que à época ameaçavam o “cidadão de bem” e à sua família.
Naquele tempo, muitos homens ainda dividiam às moças em “pra casar” e “pra trepar”. A nudez para eles era sempre muito bem-vinda, desde que fosse por eles solicitada e entregues pela mulher, tal como uma cessão diante de tão bons argumentos. A nudez ou a simples insinuação erótica de iniciativa exclusiva da mulher era a maior das transgressões, pois ameaçava a ordem patriarcal vigente.
Era um tempo confuso. A maioria dos homens e mulheres ainda estavam confortáveis em seus papéis de gênero, determinados pelo próprio Deus quando da expulsão do Jardim do Éden. Muitas concessões já haviam sido feitas e o sexo já era até admitido antes do casamento; mas os papéis ainda eram respeitados pela maioria: a moça de família até podia ceder às súplicas masculinas, nunca sem antes fazer algum charme, mas àquelas que tomassem a iniciativa sexual, outro rótulo não lhes restava senão o de PUTA.
A execração pública da universitária do vestido curto foi vista pelos homens e mulheres de seu tempo como um radicalismo injustificado. A maioria acreditava que este tipo de comentário não deveria ser anunciado em alto e bom tom, mas de forma mais discreta, por cochichos nos corredores. Não discordavam da opinião dos universitários em si, mas apenas do modo radical como foi expressa, mais condizente com o comportamento dos bárbaros orientais daquele tempo que ainda aplicavam a pena de lapidação.
Um cronista da época ironizou muito bem o pensamento dominante da classe-média de seu tempo:
"Sou contra isso que aconteceu na Uniban, mas acho que a moça tinha que ter a decência de escolher uma roupa maior, né?"
Há uma sutil diferença entre a tolerância e o respeito. Naquele tempo, já se começava a tolerar as insinuações sexuais de iniciativa feminina, mas ainda levaria um bom tempo até que a maioria passasse a respeitar as iniciativas sexuais das mulheres e a vetusta distinção entre moças de família e putas deixasse de existir no inconsciente masculino.